quinta, 06 de agosto de 2026
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ARMANDO AVENA – BAHIA: A 3ª MAIOR PROVÍNCIA MINERAL DO PAÍS

Redação - 06/08/2026 05:00

O setor de mineração na Bahia faturou R$ 7,5 bilhões no 1º semestre de 2026, representando um crescimento de 11,2% em relação ao mesmo período de 2024. Esse número, por si só, dá à Bahia o lugar de 3ª maior província mineral do país, representando 5% da produção nacional, atrás apenas de Minas Gerais e do Pará.

Mas há um número mais importante que esse. Estudos recentes indicam que até 2030, os investimentos totais no setor mineral brasileiro serão da ordem de US$ 76,9 bilhões, patamar quase cinco vezes maior que na década passada.  E a Bahia terá cerca de 15% desses investimentos, sendo o 3º estado com mais recursos previstos, abaixo apenas de Minas Gerais e Pará.

No Brasil, a produção de minério de ferro é destaque e responde por cerca de 55% a 75% do faturamento do setor e a Bahia tem dois grandes projetos de exploração de ferro.  A britânica Brazil Iron pretende investir US$ 5,7 bilhões num  projeto de produção de “ferro verde”, que pode entrar em operação entre 2030 e 2031. E a Bamin – Bahia Mineração – que ora está em negociação para a mudança de controle acionário,  com grande possibilidade de que a construtora portuguesa Mota Engil assuma o investimento –  demandará entre US$ 3,5 bilhões e US$ 5 bilhões em investimentos para operação e infraestrutura logística, abrindo uma nova rota para o escoamento do minério até um terminal portuário.

Além do ferro, a Bahia se posiciona juntamente com Minas Gerais entre os estados brasileiros com mais possibilidades de exploração de minerais estratégicos e terras raras. Esse grupo de minerais, que além das  terras raras incluem metais como lítio, níquel e nióbio, responde por US$ 21,3 bilhões do investimento previsto deste ano até 2030, e uma parte desses projetos está na Bahia.

Um exemplo é o projeto Rocha da Rocha, no Recôncavo Sul, da Borborema Recursos Estratégicos, empresa subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths, que pretende investir R$ 3,6 bilhões para desenvolver um projeto integrado de terras raras, indo da mineração até o processo de transformação, ou seja, do minério ao óxido. A ideia é viabilizar o projeto em etapas e, chegando ao processamento, fará do Brasil um fornecedor não apenas de minério, mas também de produtos de maior valor agregado.

Na cadeia de minerais críticos e estratégicos, a Bahia se destaca também com o projeto de níquel sulfetado, que prevê a expansão da Mina Santa Rita, um investimento de R$ 3,3 bilhões, tocada pela  Atlantic Nickel. Agregue-se a isso projetos de processamento de grafite em várias regiões do Estado e o projeto Lagoa Grande da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com potencial para exploração de níquel, cobre e cobalto.

Para completar, estão previstos investimentos na  produção de urânio com a  INB – Indústrias Nucleares do Brasil, empresa pública brasileira, que pretende dobrar a capacidade de produção na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, onde está implantada a única mineração de urânio em atividade no país.

A Bahia também é destaque como o segundo principal estado na produção de ouro, dando ao município de Jacobina o lugar de terceiro maior município produtor do país. E outros projetos estão surgindo com a nova área de produção que está sendo ofertada à iniciativa privada pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) nos municípios de Brumado e Aracatu.

Além da multinacional Pan American Silver em Jacobina, que está investindo cerca de US$ 30 milhões para aumentar a produção de ouro, a Bahia também abriga as minas da Equinox Gold nos municípios de Barrocas e Santaluz.

A produção  mineral baiana também se sobressaí na magnesita, como maior produtor nacional (RHI Magnesita em Brumado); no vanádio; como único produtor da América Latina (Largo Resources em Maracás); no cromo; como maior produtor nacional (Ferbasa em Andorinha/Campo Formoso); e no cobre,  como um produtor relevante (Caraíba/Ero Copper em Curaçá/Jaguaripe).

E, novos projetos podem surgir, pois, graças a CBPM, a Bahia é o estado mais bem estudado geologicamente do país, com  50 diferentes minerais em seu território.

O fato é que, em se tratando do setor mineral, a Bahia já não é mais uma perspectiva, é uma realidade e, se os investimentos em dotação de infraestrutura, especialmente ferroviária e portuária, se concretizarem, o setor se posicionará como um dos mais relevantes na economia baiana e brasileira.

REFINARIA DE MATARIPE NA ERA DIGITAL

A Refinaria de Mataripe, controlada pela  a Acelen, vai  de vento em popa na modernização digital da empresa. Com um plano de modernização de cerca de R$ 4 bilhões, a companhia vem ampliando eficiência, confiabilidade operacional e capacidade de resposta por meio da integração entre dados, IA, sensores inteligentes, robótica e sistemas digitais em tempo real. A refinaria tornou-se um dos principais cases de inovação e Indústria 4.0 do setor de energia nas Américas, segundo o Gartner, consultoria mundial de pesquisa estratégica em tecnologia. Com isso, a refinaria já gerou mais de R$ 380 milhões em ganhos operacionais desde o início das operações da refinaria, há quatro anos.

 

Publicado no jornal A Tarde em 06/08/2026

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