

Bahia Econômica – Quais as razões que fazem os brasileiros não conseguirem manter o padrão de vida sem crédito?
Rafaella Fajardo – Não existe uma única razão, mas os dados apontam para um orçamento cada vez mais pressionado. Segundo o Mapa de Crédito da Serasa, 48% dos entrevistados consideram o crédito indispensável para manter o padrão de vida atual e 57% afirmam utilizá-lo com frequência. Um exemplo desse movimento é o cartão de crédito: 30% dos consumidores dizem usá-lo principalmente para cobrir despesas do dia a dia, e não somente para realizar compras pontuais. Esse comportamento acontece em um contexto no qual os gastos essenciais ocupam grande parte da renda. A pesquisa de Custo de Vida da Serasa, realizada em janeiro de 2026, mostra que 7 em cada 10 brasileiros perceberam aumento no custo de vida nos últimos 12 meses. Supermercado, contas recorrentes e moradia concentram, juntos, 57% do orçamento mensal. Quando essas despesas aumentam e a renda não acompanha no mesmo ritmo, sobra menos espaço para imprevistos, poupança e consumo, levando parte das famílias a recorrer ao crédito para administrar o mês.
O crédito pode oferecer flexibilidade e ajudar a atravessar uma emergência ou uma diferença temporária entre recebimentos e despesas. O sinal de atenção aparece quando ele deixa de ser um recurso pontual e passa a funcionar como complemento da renda. Nesse cenário, as parcelas futuras reduzem ainda mais a renda disponível e podem criar um ciclo de dependência do crédito, podendo se tornar uma bola de neve, levando a inadimplência.
Bahia Econômica – Como a Serasa avalia o crédito oferecido para negativados por algumas instituições em alguns momentos do ano? Isso não atrapalha a manter o orçamento em dia?
Rafaella Fajardo – A oferta de crédito para pessoas negativadas não é necessariamente positiva ou negativa por si só, pois pode ampliar o acesso a recursos em situações emergenciais ou permitir a substituição de uma dívida mais cara por outra de menor custo. No entanto, por se tratar de um consumidor que já possui compromissos em atraso, a contratação exige cuidados.
A orientação inicial para quem está negativado é avaliar primeiro a possibilidade de negociar as dívidas existentes. Quando um novo crédito for realmente necessário, o consumidor precisa verificar se terá uma finalidade definida, se as parcelas cabem no orçamento durante todo o contrato e se o custo da nova dívida é inferior ao da obrigação que eventualmente será quitada. Linhas oferecidas a consumidores negativados também podem ter condições mais conservadoras, em razão do risco considerado pela instituição financeira.
O Mapa de Crédito da Serasa, por exemplo, mostra por que essa análise é importante: 55% dos entrevistados já se arrependeram de contratar crédito. Entre as principais frustrações, 37% encontraram juros mais altos do que esperavam e 29% sentiram um impacto das parcelas no orçamento superior ao previsto. Portanto, não basta avaliar se a proposta foi aprovada ou se o valor da prestação parece acessível no primeiro momento; é necessário analisar o custo total, o prazo, os encargos e a capacidade de pagamento ao longo dos meses.
Assim, o novo crédito pode, sim, dificultar a organização financeira quando é usado apenas para adiar um desequilíbrio recorrente. Por outro lado, pode ser útil quando faz parte de um plano concreto de reorganização, especialmente ao trocar uma dívida de juros elevados por outra mais barata.
Bahia Econômica – Quais dicas a Serasa tem para evitar que a população necessite desse crédito extra para viver?
Rafaella Fajardo – O primeiro passo é reorganizar o orçamento, acompanhando os gastos e separando as despesas essenciais das supérfluas. A partir daí, é importante priorizar a quitação das dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, evitar compras por impulso e, sobretudo, construir uma reserva de emergência. Esse ponto é reconhecido pelos próprios consumidores: ainda de acordo com a pesquisa, 91% concordam que ter uma reserva de emergência ajuda a evitar a necessidade de pegar empréstimos, e 86% procuram economizar ao longo do ano para ter mais liberdade financeira. Também vale acompanhar com frequência a pontuação de crédito (Serasa Score), para manter o controle da situação financeira e evitar surpresas. Esses hábitos ajudam a reduzir a dependência do crédito para cobrir despesas do dia a dia.
Bahia Econômica – Qual a participação da Serasa na orientação do consumidor nesse sentido de obtenção de crédito para elevar o padrão de vida?
Rafaella Fajardo – A Serasa tem como missão oferecer ferramentas de educação financeira e de negociação de dívidas, com o propósito de contribuir para a redução da inadimplência e a melhoria da qualidade de vida do brasileiro. Nesse sentido, durante o ano todo, a empresa disponibiliza recursos que ajudam o consumidor a tomar decisões mais conscientes sobre o crédito, como a consulta ao Serasa Score, que permite acompanhar a saúde financeira ao longo do tempo, e o monitoramento de CPF. E, por meio do projeto Serasa Ensina, oferece gratuitamente artigos, vídeos e calculadoras que auxiliam o brasileiro a se organizar financeiramente.
Com o lançamento do Mapa de Crédito, além dos projetos sobre educação financeira, a Serasa lança também uma nova série em seu canal do Youtube sobre os diversos tipos de crédito e como usar cada um deles, com base no planejamento. A iniciativa complementa o Portal de Crédito Consciente, que reúne conteúdos educativos em diferentes formatos para ajudar os consumidores a tomarem decisões mais informadas sobre o uso do crédito. Os vídeos estarão disponíveis no Youtube da Serasa, e os demais conteúdos podem ser acessados em https://www.serasa.com.br/credito/credito-consciente/.



