quinta, 18 de junho de 2026
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ARMANDO AVENA – A ECONOMIA DO FORRÓ JÁ COMEÇOU

Redação - 18/06/2026 05:00 - Atualizado 18/06/2026

Que na Bahia, tudo termina em festa, a gente já sabe. Mas por aqui a festa gera economia e renda. É assim com a chamada economia do axé, a dinâmica econômica gerada pelo Carnaval, e é assim também com a economia do forró, resultado dos festejos de São João.

Segundo o Ministério do Turismo, em 2025, os festejos juninos geraram R$ 7,4 bilhões no país e esse ano o volume financeiro será maior, pois a celebração se dá junto  com a Copa do Mundo, que, por si só, já estimula diversos setores da economia.

E o São João tem tanto significado para a população nordestina que a pesquisa Data-Makers/ Sotaq, realizada para o jornal Valor Econômico, demonstrou que a maioria dos brasileiros está mais interessada em festas juninas do que na Copa do Mundo.

Segundo a pesquisa, 42%  dos entrevistados estão animados e priorizando as festas juninas e apenas 26% dizem priorizar a Copa.

Cerca de 40% dos entrevistados apontaram as comidas típicas como maior atrativo, enquanto 22% destacaram a possibilidade de reunir familiares e amigos, enquanto 11% disseram valorizar a festa por representar a identidade cultural brasileira.

 Na Bahia, 283 municípios terão festejos de São João, gerando uma movimentação financeira, estimada  pela Secretaria de Turismo do Estado,  entre R$ 2,1 e R$ 2,5 bilhões.

A economia do forró impulsiona setores como comércio, turismo em geral, hotelaria, bares e restaurantes, alimentação, transporte e serviços. E o mês de junho na Bahia é um período em que o trabalho aumenta, o consumo aumenta, a demanda se diversifica e uma renda extra é gerada na economia, beneficiando e reforçando o orçamento das pessoas e das empresas.

Além disso,  é um período em que surgem  oportunidades de negócios diferenciadas em setores como beleza, vestuário, alimentação, publicidade, transporte e outros.

E tem um detalhe importante, destacado por Maíra Holtz, sócia-fundadora da agência de marketing Estalo, em reportagem do jornal Valor Econômico: é uma festa que chama o povo para o interior, o que significa que leva o poder de compra da capital e de outras cidades para o interior da Bahia.  “Enquanto os grandes festivais costumam atrair pessoas do interior para as capitais, o São João faz o movimento contrário”, diz Holtz, enfatizando essa característica dos festejos.

Mas, vale lembrar, isso não significa que as capitais não se beneficiem com o São João. Pelo contrário, Salvador, por exemplo, viu, nos últimos anos, aumentar de forma significativa o fluxo de turistas de outros estados – e mesmo os do interior que vem curtir o São João na capital – que passou a ter atrações e festas. Salvador se posiciona hoje tanto como pólo receptivo importante, como pólo emissor de turistas

Mas é no interior que a economia do forró se torna impactante. Algumas cidades da Bahia multiplicam por três sua população original com o fluxo de turistas no São João. Em cidades como Cachoeira, Mucugê, Amargosa, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Lençóis e outras pode-se mensurar o impacto no mercado imobiliário, nos restaurantes, na hotelaria e no mercado informal, onde centenas de barracas vendem todos os tipos de produtos. São João é milho, canjica, forró e economia na veia.

       A VENDA DA BAMIN

A Bamin deve ser vendida à empresa portuguesa Mota-Engil, que tem como controladora a Communications Construction Company (CCCC), que faz parte do consórcio que vai construir a ponte Salvador/Itaparica. O negócio está em fase final de negociação, na dependência do aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para a troca de controle da concessão ferroviária da Fiol – Ferrovia de Integração Oeste-Leste. Será preciso também  o reequilíbrio do contrato, que precisa ser analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A Mota-Engil tem expertise no setor mineral, ferroviário e portuário, mas, com a paralisação das obras, o prazo de conclusão deve ser empurrado para 2031.

BAHIA: SAFRA RECORDE

 A Bahia deve ter uma safra de grãos de 13,3 milhões de toneladas em 2026, o que representa um avanço de 3,2% na comparação com a safra de 2025. Será um novo recorde para safra agrícola, cujo destaque é o incremento na produção de soja. O volume de soja está estimado em 8,93 milhões de toneladas, crescimento  3,8%. A Bahia já tem 2,18 milhões de hectares plantados com soja.  As duas safras anuais do milho, devem alcançar 2,80 milhões de toneladas, crescimento de 2,3%. E a safra baiana de algodão, a 2ª maior do país, será de 1,84 milhão de toneladas, um aumento de 2,8%. São estimativas do IBGE e podem variar, mas apontam para um desempenho recorde.

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