

Os sinais emitidos pelo mercado esta semana demonstram que, sob o ponto de vista econômico, a incerteza é a bola da vez. O dólar voltou a subir, a bolsa tem apresentado quedas sucessivas e os investidores demonstram crescente cautela em relação ao futuro da economia. Não há crise formal, o PIB continua crescendo, mas o ambiente econômico se tornou mais complexo.
A incerteza vem de muitos fatores. No cenário externo, a guerra no Oriente Médio continua sem solução e, se inicialmente favoreceu o Brasil por meio da valorização do petróleo, das commodities minerais e dos produtos agrícolas, passa cada vez mais a produzir efeitos negativos na inflação, nos custos logísticos, nos canais das cadeias produtivas.
O petróleo permanece no centro dessa equação e os preços altos estão contaminando os custos de produção em praticamente todos os setores e não existe, neste momento, uma perspectiva clara de encerramento do conflito.
Como se não bastasse a tensão geopolítica, uma nova onda de protecionismo atinge o Brasil. Os Estados Unidos ampliaram tarifas sobre diversos produtos importados, a China e a União Europeia acenam com corte na exportação de carne bovina e o agronegócio, um dos principais responsáveis pelo superávit comercial do país, enfrenta um ambiente menos favorável.
O cenário interno, por outro lado, indica uma inflação em alta, superior ao centro da meta, em torno de 5%, o que deveria fazer o Banco Central aumentar ou, pelo menos, manter os juros altos. Mas na reunião da próxima semana será revelado o erro do presidente Gabriel Galípolo, que deveria ter reduzido os juros lá atrás, mas como não o fez, precisará continuar reduzindo-os em 0,25% a cada reunião, até quando for possível, para, assim, cumprir a estratégia prometida à Lula.
A inflação nos Estados Unidos também deve exigir juros maiores lá, o que faz a bolsa de valores cair aqui e a cotação do dólar subir, pois os investidores estão retornando para o mercado financeiro americano.
A incerteza de 2026 tem a ver também com o aumento dos gastos públicos, algo que ocorre invariavelmente, em todos os níveis de poder, em anos eleitorais no Brasil. Com isso, a situação fiscal se deteriora e aumenta a atenção com a trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de equilibrar a expansão de despesas com a responsabilidade fiscal. Não há, no entanto, crise fiscal ou da dívida à vista, existe apenas a certeza de que o presidente eleito terá de iniciar o governo com um novo ajuste fiscal.
Para completar, a economia vai ser submetida à política e a volatilidade econômica vai aumentar frente a expectativa de quem será o novo presidente e de qual será a sua política econômica. Com isso, projetos de investimento podem ser adiados e decisões estratégicas podem ser postergadas.
Mas, atenção, a economia brasileira possui fundamentos sólidos. As reservas internacionais são robustas, o sistema financeiro permanece sólido, o agronegócio é competitivo e a indústria resiliente.
Apesar disso, 2026 está sob o signo da incerteza. Juros elevados, inflação resistente, guerra prolongada, alta do petróleo, barreiras comerciais, a questão fiscal e a disputa eleitoral atuam ao mesmo tempo sobre a economia e criam um ambiente de insegurança. Num ano assim, empresas, investimentos, e consumidores permanecem cautelosos e o mercado financeiro passa a incorporar um nível maior de risco em suas projeções.
A VOLTA DA BRASKEM
A Braskem é a maior empresa da Bahia e a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Foi, portanto, estratégica a nomeação de uma governança compartilhada entre seus dois controladores: a gestora IG4 e a Petrobras. Os desafios são grandes e incluem administração de uma dívida de grande porte e a realização de ajustes operacionais e de estratégia frente a nova dinâmica de oferta e demanda da petroquímica global. Mas, ao eleger para a presidência do seu Conselho de Administração Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e indicar como CEO, Helcio Tokeshi, ex-secretário da Fazenda de São Paulo e experiente em reestruturações empresariais, a Braskem escolhe o caminho certo.