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DOR NAS PERNAS E HEMATOMAS FREQUENTES PODEM REVELAR LIPEDEMA

João - 02/06/2026 10:42 - Atualizado 02/06/2026

Durante anos, dores constantes nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e aumento desproporcional do volume corporal foram encarados por muitas mulheres apenas como questões estéticas ou excesso de peso. No Junho Roxo, mês de conscientização sobre o lipedema, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce de uma doença crônica e progressiva ainda subdiagnosticada, mas que já conta com tratamentos capazes de reduzir sintomas e devolver qualidade de vida às pacientes.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, a doença crônica e progressiva afeta principalmente mulheres e provoca acúmulo anormal de gordura, sobretudo nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Estimativas internacionais indicam que o lipedema pode atingir cerca de 10% da população feminina mundial, embora especialistas alertem que o subdiagnóstico ainda seja elevado.

Tratamentos – Nos últimos anos, o tratamento do lipedema passou a incorporar abordagens multidisciplinares, envolvendo alimentação anti-inflamatória, prática regular de exercícios físicos, drenagem linfática, terapias compressivas e acompanhamento vascular e hormonal. Entre as novidades está o aperfeiçoamento das cirurgias de lipoaspiração específicas para lipedema, realizadas com técnicas voltadas à preservação do sistema linfático e menor trauma cirúrgico.

Segundo o cirurgião plástico Franklin Mônaco, diretor do Instituto Lipedema Brasil em Salvador, a cirurgia não é indicada para todos os casos, mas pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida quando existe indicação adequada. “Nem toda paciente precisa de cirurgia, mas quando ela é bem indicada, conseguimos reduzir dores, melhorar mobilidade, diminuir inflamação e proporcionar um impacto muito positivo na qualidade de vida”, destaca.

O especialista ressalta ainda que o acompanhamento contínuo é fundamental mesmo após os procedimentos cirúrgicos, já que o lipedema não possui cura definitiva. “Hoje existe mais conhecimento sobre o lipedema, tanto entre médicos quanto entre pacientes. Isso tem permitido diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes”, afirma.

Alívio – A influenciadora digital Samantha Chaves Pasqualini (38) afirma que conviveu durante anos com sintomas sem compreender o que realmente acontecia com seu corpo. O primeiro contato dela com o tema ocorreu em 2023, após a cunhada suspeitar da doença durante um curso de estética. “Desde a minha primeira menstruação, minhas pernas começaram a crescer de forma desproporcional ao restante do meu corpo. Sempre fui mais magra na parte de cima, mas minhas pernas tinham muito volume”, relata.

Ela conta que chegou a receber um diagnóstico incorreto antes de descobrir o lipedema. Entre os sintomas mais difíceis estavam as dores intensas, os hematomas frequentes, o inchaço no período menstrual e a frustração de não conseguir reduzir o volume das pernas mesmo emagrecendo. “O que mais me incomodava era o peso e a dor nas pernas, a facilidade para ficar roxa sem motivo aparente e as dores intensas após exercícios físicos”, lembra.

Após o diagnóstico correto, Samantha passou a investir em mudanças alimentares, controle da inflamação corporal, exercícios físicos e tratamentos específicos. Segundo ela, a cirurgia trouxe uma transformação significativa na rotina. “O tratamento foi transformador na minha qualidade de vida, principalmente depois da cirurgia. Hoje eu posso dizer que sou outra pessoa. As dores melhoraram muito, aquela sensação constante de peso, inflamação e inchaço nas pernas também diminuiu bastante”, afirma.

Sintomas – Entre os sinais mais comuns do lipedema estão dores nas pernas, sensação de peso, inchaço, sensibilidade ao toque, hematomas espontâneos e dificuldade para reduzir o volume das regiões afetadas mesmo com dieta e atividade física. A condição costuma surgir ou piorar em períodos de alterações hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa.

O diagnóstico é predominantemente clínico e leva em consideração o histórico da paciente, sintomas e exame físico. Entre as características que ajudam na identificação estão a desproporção entre tronco e pernas, a preservação dos pés — diferentemente do que acontece nos casos de linfedema — e a presença de dor ao toque.

“Muitas mulheres convivem anos com dor, desconforto e limitações sem saber que possuem uma doença. O lipedema não é apenas gordura localizada. Existe um processo inflamatório importante associado ao quadro”, explica Franklin Mônaco.

Atenção – Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é essencial para evitar agravamentos e reduzir os impactos físicos e emocionais da doença. Além das limitações funcionais, muitas pacientes enfrentam ansiedade, baixa autoestima e sofrimento psicológico causado pela incompreensão dos sintomas.

“A paciente precisa entender que não é falta de cuidado ou apenas ganho de peso. Existe uma doença por trás daquele quadro. Quanto antes o diagnóstico acontece, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida”, conclui Franklin Mônaco.

Créditos: Jonathan Souza

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