segunda, 28 de setembro de 2026
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EM ENTREVISTA, LULA PROPÕE UMA GRANDE MUDANÇA NAS INDICAÇÕES AO STF

João - 28/09/2026 06:42

​Em entrevista concedida ao programa Canal Livre, da Band, transmitida neste domingo, 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma revisão profunda no método de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o chefe do Executivo, a sistemática atual é “vulnerável” por concentrar poder excessivo na figura do presidente da República.

Como alternativa, o mandatário sugeriu a institucionalização de um colegiado consultivo composto por representantes da sociedade civil para avaliar e validar os nomes antes do envio ao Legislativo. ​Lula explicou que, embora costume consultar órgãos como a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério da Justiça e a Casa Civil, o mecanismo vigente ainda depende exageradamente da relação de confiança pessoal ou de indicações restritas de setores do direito.

Imprevisibilidade no cargo

​Refletindo sobre as nomeações que realizou ao longo dos mandatos anteriores, o presidente destacou que o principal aprendizado foi a necessidade de selecionar nomes com trajetória jurídica e pública amplamente reconhecida. De acordo com ele, indicar alguém que pretenda construir reputação após assumir a vaga é um risco elevado.

​O mandatário também apontou a imprevisibilidade sobre a postura dos magistrados após a posse. Lula relembrou que chegou a ser julgado e preso durante a atuação de ministros indicados por ele próprio, ressaltando que a investidura na toga confere total independência aos magistrados, eliminando qualquer ingerência do Executivo.

​Como funciona atualmente:

De acordo com as regras constitucionais vigentes, cabe exclusivamente ao presidente da República indicar os nomes para as vagas abertas na Suprema Corte. Os indicados passam por sabatina e votação secreta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no Plenário do Senado Federal.

​Diversidade e apuração de denúncias

​A proposta apresentada por Lula prevê que o envio do nome ao Senado passe pelo aval prévio de um conselho de notáveis. O colegiado poderia ser formado por entidades de representação nacional — como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), associações de juristas, centrais sindicais e organizações empresariais. ​O presidente frisou que o novo órgão ajudaria a distanciar a indicação de vínculos político-ideológicos e de favorecimentos pessoais, sugerindo também que a composição desse conselho incorpore critérios de diversidade, inclusive com ampla presença feminina.

Denúncias do STF

​Além das mudanças no rito de escolha, Lula cobrou apuração rigorosa sobre denúncias que envolvam membros do STF para assegurar a credibilidade do Poder Judiciário. Mencionando nominalmente ministros como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, o presidente defendeu que qualquer irregularidade comprovada deve ser punida, independentemente do cargo ocupado.

​Por fim, o chefe do Executivo criticou a ostensiva exposição pública dos magistrados e a transmissão ao vivo das sessões do tribunal. Para Lula, a atuação dos ministros deveria se restringir aos autos dos processos e às decisões proferidas, evitando debates midiáticos ou embates transmitidos pela televisão.

IA nacional e revisão de riquezas minerais

​Em outra frente, Lula destacou a urgência de garantir a soberania tecnológica do Brasil para evitar a dependência de plataformas desenvolvidas por potências estrangeiras, nominalmente Estados Unidos e China. ​Soberania linguística: o presidente reforçou o compromisso de viabilizar uma IA treinada nativamente em língua portuguesa.

​Formação acadêmica: defendeu o engajamento estratégico das universidades e dos institutos federais na formação de mão de obra altamente qualificada. ​Terras raras: prometeu rever o modelo de exportação de minerais críticos e terras raras, visando ao beneficiamento dos recursos em solo nacional.

Devastação no Oriente Médio

Ao avaliar os recentes episódios de violência e a desolação que assolam o Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um contundente diagnóstico sobre o atual cenário geopolítico. O chefe do Poder Executivo afirmou que a comunidade internacional enfrenta um grave colapso de governança, caracterizado por um planeta “acéfalo” e desprovido de referências capazes de intermediar a paz.

​Na declaração, o mandatário brasileiro direcionou críticas severas à perda de influência e de eficácia do sistema multilateral, com destaque para o esvaziamento das instituições internacionais na mediação de crises multilaterais. ​”A ONU não está funcionando. O Trump faz o que quiser do ponto de vista econômico, e o Brasil tem sido resistente”, sustentou o presidente, ao enfatizar que o país se mantém firme diante de movimentos unilaterais na economia global.

​Oçamento bélico

​A crítica do chefe de Estado também se estendeu ao contraste entre os investimentos militares e as necessidades sociais urgentes das populações mais vulneráveis. Lula pontuou o contrassenso de governos ao redor do globo destinarem somas trilionárias ao fortalecimento do aparato de defesa e de armamentos, enquanto recursos essenciais deixam de ser alocados para o combate a flagelos históricos, como a fome e a pobreza extrema. ​A fala reforça a linha da diplomacia brasileira no cenário internacional, que busca projetar o país como um polo de resistência ao unilateralismo e defender a reformulação urgente dos órgãos de governança global.

 

Foto: Reprodução | TV Band

 

 

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