

O preço do metro quadrado dos imóveis anunciados para venda subiu em todos os 20 bairros de Salvador com maior oferta, mas a metragem média dos imóveis disponíveis caiu em parte das regiões que mais se valorizaram. É o que aponta levantamento da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias. Em 11 dos 20 bairros analisados, a alta do preço por m² foi de dois dígitos. Em seis desses bairros, o aumento do m² ocorreu ao mesmo tempo em que a metragem média dos imóveis anunciados recuou entre 7,7% e 14,7%.
A combinação dos indicadores chama atenção porque o preço por metro quadrado, embora seja uma métrica mais adequada para comparar imóveis de diferentes tamanhos, também pode ser influenciado pela composição da oferta. De acordo com Fábio Takahashi, Gerente de Dados da Loft, parte dessa variação pode estar relacionada à mudança no perfil dos imóveis disponíveis, e não apenas à valorização deles.
As maiores altas foram registradas em Vitória (+36,2%), Graça (+24,6%), Barra (+20,2%), Ondina (+18,1%) e Itapuã (+16,2%). Nos cinco bairros, porém, a metragem média dos imóveis anunciados diminuiu com força: -8,4% em Vitória, -7,7% na Graça, -14,6% na Barra, -11,6% em Ondina e -14,7% em Itapuã. No Caminho das Árvores, o movimento se repete: o preço do m² subiu 10,1%, enquanto o tamanho médio dos imóveis caiu 13,6%,
A combinação dos dados sugere que, nesses casos, parte da alta observada no preço por m² pode estar relacionada à entrada de imóveis menores na base de anúncios, e não apenas à valorização dos imóveis. “O mercado imobiliário em Salvador está aquecido. É preciso olhar com cuidado para a evolução do preço por metro quadrado. Imóveis menores tendem a ter um valor de m² maior porque o custo da construção e manutenção é dividido por uma área menor”, afirma Takahashi.
Para a análise, a Loft optou por concentrar a comparação nos 20 bairros com maior volume de anúncios de venda da cidade, em vez de olhar para o universo completo de bairros — uma escolha metodológica para garantir uma base de comparação mais robusta (mais detalhes na metodologia, ao final).
Alta disseminada
Apesar da mudança no perfil dos imóveis anunciados em parte dos bairros, o levantamento mostra que a alta do preço por m² não ficou restrita às regiões tradicionalmente mais valorizadas de Salvador. Nenhum dos 20 bairros com maior volume de anúncios apresentou queda no período.
Depois dos líderes, aparecem Piatã (+13,5%), Candeal (+12,7%), Horto Florestal (+12,3%) e Brotas (+10,2%). No outro extremo da lista, mesmo o bairro com a menor variação, Imbuí, registrou alta de 1,6%.
O comportamento da metragem, por sua vez, foi diferente entre os bairros. Em Piatã (+1,9%), Candeal (+1,0%), Brotas (+0,8%), Patamares (+1,2%) e Jardim Armação (+0,3%), o tamanho médio dos imóveis anunciados variou pouco. Nesses casos, há menor influência de uma mudança no perfil dos imóveis sobre a evolução observada no preço por m², o que reforça a leitura de valorização genuína nesses bairros.
“O dado mais relevante é que estamos vendo alta de preços de forma bastante disseminada entre os bairros com maior oferta. Ao mesmo tempo, a análise da metragem mostra que não é possível interpretar a variação do m² isoladamente: em alguns mercados, o perfil dos imóveis anunciados também mudou de maneira importante. Por isso olhamos o tamanho médio lado a lado com o preço em todos os bairros”, reforça Takahashi.
Metodologia
O levantamento compara o preço por metro quadrado e o tamanho médio dos imóveis anunciados para venda em Salvador entre a média de junho a agosto de 2025 e a média de junho a agosto de 2026. Diferentemente dos levantamentos anteriores desta série — focados na diferença entre a valorização do aluguel e da venda —, esta análise trata apenas do mercado de venda, já que os dados mais recentes disponíveis para Salvador cobrem somente anúncios de venda.
Em vez de aplicar um piso mínimo de anúncios mensais a todos os bairros da cidade, esta análise foi restrita aos 20 bairros com maior volume de anúncios de venda em 2026 — uma mudança de critério a pedido da Loft, para concentrar a comparação nos bairros com a amostra mais robusta. Os 176 bairros de Salvador com dados completos nos dois períodos foram ordenados pelo volume médio de anúncios mensais em 2026, e apenas os 20 primeiros entraram nesta análise.
O preço por metro quadrado foi usado como métrica principal, por isolar melhor a valorização real de simples mudanças no perfil dos imóveis anunciados do que o preço médio (ticket) isoladamente. Ainda assim, o tamanho médio dos imóveis anunciados é reportado lado a lado com o preço em todos os casos, para identificar quando parte da variação reflete mudança no perfil da oferta (imóveis maiores ou menores entrando na base de anúncios) em vez de valorização ou desvalorização real do bairro.