

O Porto de Fortaleza, no Mucuripe, prepara uma nova estrutura que pode mudar a logística de exportação de frutas do Nordeste. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a modelagem do terminal MUC04, que prevê cerca de R$ 429 milhões em investimentos e contrato de arrendamento por 25 anos.
O projeto ganhou força porque o terminal terá uma estrutura especialmente adequada para contêineres refrigerados, conhecidos como reefers. A princípio, a modelagem exige pelo menos 1.226 tomadas elétricas para esse tipo de equipamento, além de três guindastes e seis empilhadeiras de grande porte.
A estrutura também interessa diretamente ao agronegócio nordestino. Em 2025, as commodities agrícolas refrigeradas representaram cerca de 95% da movimentação de contêineres do Porto de Fortaleza, com destaque para as frutas destinadas ao mercado internacional.
Atualmente, as operações de contêineres ocupam áreas fragmentadas que somam aproximadamente 88 mil metros quadrados. Com o MUC04, o terminal passará a reunir as operações em uma área contínua de cerca de 148 mil m².
Além disso, o projeto prevê capacidade estática de 9.080 TEUs e, quando atingir sua configuração completa, capacidade operacional de 360 mil TEUs por ano. Um TEU corresponde a um contêiner padrão de 20 pés.
Além disso, o Porto do Pecém registrou crescimento de 14% na movimentação de frutas em 2025. Melões, melancias e mamões frescos tiveram alta de 27%, reforçando a posição do Ceará na cadeia internacional de frutas.
Em 2026, o movimento continuou forte. Dados divulgados pelo Governo do Ceará apontaram que as exportações de melão já haviam alcançado US$ 90,94 milhões até maio, superando todo o valor registrado em 2025. Dessa maneira, o Ceará aparece como segundo maior exportador brasileiro do produto, atrás do Rio Grande do Norte.
O impacto do projeto pode ultrapassar os limites do Ceará. Entretanto, a modelagem do MUC04 considera uma hinterlândia que alcança estados do Nordeste e do Centro-Oeste, ampliando o potencial de utilização do terminal por empresas que precisam transportar mercadorias para o mercado internacional.Software de gestão de projectos
Assim, nesse cenário, a cadeia de frutas aparece como uma das principais beneficiadas. A produção nordestina utiliza cada vez mais tecnologia de irrigação e sistemas de controle de qualidade, enquanto mercados internacionais exigem regularidade, conservação e padrões sanitários rigorosos.
Por isso, a infraestrutura de frio ganha importância. O contêiner refrigerado mantém a temperatura adequada durante o transporte e ajuda a preservar a qualidade das frutas até a chegada ao comprador.
O Ceará, inclusive, ampliou em 2026 sua Área Livre da praga Anastrepha grandis, uma medida que fortalece as condições sanitárias para a exportação de melão e melancia.
Foto: Otávio Nogueira



