quinta, 03 de setembro de 2026
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GILMAR SUGERE BARRAR DELEGADOS DA PF EM GABINETES DO STF

VICTOR OLIVEIRA - 03/09/2026 15:51

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que delegados da Polícia Federal (PF) deixem de atuar diretamente nos gabinetes dos ministros da Corte. A proposta foi apresentada ao presidente do tribunal, Edson Fachin, em meio à crise envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e a direção da PF.

A discussão ganhou força após a divulgação de conversas entre o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Moraes. Para Gilmar, a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode gerar conflitos de interesse e até influenciar a condução de investigações, especialmente diante da possibilidade de os policiais buscarem futuras posições na própria carreira ou vantagens de natureza política.

Atualmente, seis delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo. Dois atuam no gabinete de Mendonça, envolvidos em processos relacionados aos casos Master e INSS, outros dois trabalham com Moraes, um está lotado no gabinete de Luiz Fux e outro desempenha funções ligadas à segurança da Corte.

A possibilidade de retirar os delegados dos gabinetes já vinha sendo discutida por Gilmar antes do agravamento da crise. O ministro voltou a tratar do assunto com Fachin há cerca de duas semanas e deve retomar a proposta durante uma nova conversa entre os dois nesta quinta-feira (3).

Fachin tem realizado reuniões individuais com os ministros para avaliar a crise que envolve o tribunal. A situação é considerada sem precedentes, já que o Supremo poderá precisar decidir se abre uma investigação contra um de seus próprios integrantes. O presidente da Corte tem defendido cautela para evitar novos desgastes e preservar a imagem institucional do tribunal.

O embate também envolve a atuação de Mendonça em investigações relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero. Integrantes da ala favorável a Moraes questionam decisões tomadas pelo relator e avaliam que alguns procedimentos teriam desrespeitado regras internas do Supremo.

Entre os pontos que podem ser usados nas críticas estão uma reunião de um juiz auxiliar de Mendonça com Vorcaro sem a presença de agentes da PF, a participação do ministro no Instituto Iter e alegações relacionadas ao possível vazamento de informações sigilosas.

Pessoas próximas a Mendonça, porém, afirmam que o ministro tem conduzido os casos com independência e dentro dos limites legais. Segundo essa versão, não houve uma investigação direta contra um integrante do STF, mas apenas uma determinação para que a Polícia Federal identificasse o interlocutor de Vorcaro.

A crise ocorre em um momento de forte tensão entre integrantes do Supremo e setores da Polícia Federal. Ao retirar o sigilo de parte do material do caso Master, Mendonça afirmou que o plenário do STF será o espaço adequado para que os ministros discutam os desdobramentos do episódio.

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