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EMPRESA BAIANA INAUGURA NOVA SEDE EM SALVADOR

João - 03/09/2026 14:00

Uma empresa que nasceu na Bahia, em 1990, com um escritório de apenas 20 metros quadrados, acaba de inaugurar uma nova sede de 1.300 m² em Salvador e entra em uma nova etapa de expansão nacional. A Mazure Saneamento S.A., especializada em soluções para tratamento de água, efluentes, reuso e dessalinização, reúne hoje um grupo de empresas e parceiros com atuação em diferentes estados brasileiros e projetos que envolvem desde municípios e companhias estaduais de saneamento até Petrobras e Marinha do Brasil.

A inauguração da nova sede, realizada nesta segunda-feira, 31 de agosto, em Salvador, marca simbolicamente essa mudança de escala. A empresa, que mantém sua origem e base na Bahia, já possui estruturas em Brasília, Sergipe, Alagoas e Paraíba e executa projetos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão, além de novas frentes de atuação no Rio de Janeiro.

Para o presidente do Grupo Mazure, Marcelo Sacramento de Araújo, a nova sede representa mais do que uma mudança física. É o resultado de uma trajetória construída ao longo de 36 anos e da transformação de uma empresa familiar em uma operação de alcance nacional. “Trinta e seis anos separam aquele escritório desta sede que acabamos de inaugurar em Salvador e das outras cinco que temos no Brasil. No meio deste caminho, trabalhamos com arrojo e seriedade; técnica e fôlego para escalar o que antes era artesanal. Juntos, transformamos um sonho de família numa operação nacional, com uma equipe aguerrida e motivada”, afirmou Marcelo Sacramento.

De filtros de água à engenharia do saneamento

A história da Mazure começou quando Marcelo Sacramento, então com 26 anos, se associou ao pai, Wilson Coelho de Araújo, executivo que havia construído uma carreira de duas décadas na Tigre, para criar a Maqfiltros. A inspiração surgiu de uma solução que Wilson havia conhecido nos Estados Unidos: sistemas que permitiam que a água já saísse filtrada diretamente das torneiras.

A experiência, porém, rapidamente mostrou que o desafio brasileiro era maior. Em localidades onde não havia abastecimento da Embasa, não bastava filtrar: era necessário tratar a água. A empresa passou então a desenvolver soluções para fazendas, escolas, hospitais, condomínios e grandes consumidores, ampliando progressivamente sua atuação para tratamento de esgoto, reuso e dessalinização.

O crescimento acompanhou também a evolução das necessidades do país. O que inicialmente era uma operação voltada à filtragem transformou-se em uma empresa de engenharia e tecnologia aplicada ao saneamento. “Começamos filtrando água, depois aprendemos a tratar. Vieram as demandas de esgoto, mais tarde as de reuso de água e esgoto e, no meio do caminho, a dessalinização. Percebemos que a mesma tecnologia que atendia dezenas de pessoas poderia atender milhares. Mudava a escala, não a capacidade de fazer”, destacou.

Entre os projetos que marcaram essa trajetória está a primeira dessalinização privada realizada pela empresa na Bahia, na Ilha de Kieppe. Segundo Marcelo Sacramento, a experiência surgiu de um desafio lançado pelo empresário Norberto Odebrecht, quando a Mazure ainda era uma empresa pequena. Décadas depois, a companhia passou de operadora a fabricante de equipamentos. “O que custava cerca de R$ 1,5 milhão há 30 anos, hoje, para atender até 20 pessoas, sai por cerca de R$ 30 mil e é inteiramente fabricado pela Mazure”, exemplificou o presidente.

Outro marco citado pelo executivo é o sistema de reuso residencial implantado em 2024 no Edifício Monvert, no Horto Florestal, em Salvador, desenvolvido em parceria com o Grupo Odebrecht e reconhecido com um prêmio internacional de sustentabilidade.

Saneamento como oportunidade de crescimento

A expansão ocorre em um momento em que o saneamento básico ganhou ainda mais relevância na agenda de infraestrutura brasileira, impulsionado pelas metas de universalização e pelos investimentos públicos e privados decorrentes do novo marco regulatório do setor.

É nesse ambiente que a Mazure pretende ampliar sua participação. A companhia atua em diferentes regiões do país, combinando engenharia, fabricação de equipamentos, operação e desenvolvimento tecnológico. Na Bahia, a empresa participa, em parceria com outras organizações, de um contrato para operação e monitoramento de sistemas de reuso de água em Escolas Modelo, abrangendo 128 municípios. Atualmente, segundo a companhia, as operações já alcançam 62 cidades.

Também estão em andamento projetos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo, além de contratos e operações em estados do Nordeste. Na Paraíba, a atuação alcança 13 municípios. Na última semana, a empresa conquistou ainda uma licitação para fornecimento de um sistema de tratamento de água destinado à produção de água potável para o Colégio Naval, em Angra dos Reis (RJ). É a primeira atuação da Mazure no estado e também o primeiro projeto da empresa para a Marinha do Brasil.

Tecnologia, pesquisa e defesa

A estratégia de crescimento da Mazure tem como um dos pilares a aproximação com instituições de credibilidade no ensino. A empresa mantém convênios com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), para pesquisa e desenvolvimento, com o SENAI, para formação de mão de obra, e com a Universidade Católica do Salvador, para desenvolvimento de engenheiros civis.

Uma das frentes tecnológicas em desenvolvimento envolve a Petrobras. Em parceria com a UFBA, a Mazure trabalha em uma tecnologia voltada ao aumento da vida útil das membranas de nanofiltração utilizadas em sistemas de dessalinização das plataformas de exploração de petróleo da companhia.

A empresa também vem ampliando sua atuação na área de defesa. Segundo Marcelo Sacramento, as tecnologias desenvolvidas poderão atender aplicações em submarinos e outros equipamentos da Marinha, além de equipamentos de ultrafiltração e dessalinização destinados a operações do Exército em regiões de fronteira, no Semiárido e em situações de enchentes e calamidades.

A companhia está ainda em preparação para a segunda edição da Aramus – Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation, evento voltado à integração de tecnologias autônomas, robótica e inteligência artificial aplicadas ao ambiente marítimo e à defesa. A Mazure também trabalha na perspectiva de desenvolver uma membrana de dessalinização inteiramente nacional. “Se hoje dessalinizamos água por uma fração do que custava há 30 anos, é porque nunca paramos de aprender”, resume.

Nova governança para uma nova escala

O processo de profissionalização e expansão ganhou um novo capítulo com a chegada do engenheiro civil Renan Menicucci, atual diretor técnico e operacional e sócio do grupo. Formado em engenharia civil, com mestrado em saneamento e doutorado em andamento na área, o executivo está há quase 12 anos na empresa e passou por diferentes funções antes de assumir a liderança técnica e operacional.

Na avaliação de Marcelo Sacramento, a combinação entre a experiência prática construída por seu pai na Tigre e ao longo da vida e a formação técnica e tecnológica de Renan Menicucci foi fundamental para a transformação da empresa, uma combinação que permitiu sair de uma atuação mais artesanal e ganhar escala.

O Grupo Mazure é atualmente formado por uma holding, a Mazure Saneamento S.A., que participa de oito empresas, quatro Sociedades em Conta de Participação (SCPs) e mantém ainda um acordo de cooperação comercial e operacional com a Kempetro, empresa nacional com atuação na área industrial. A expansão também vem sendo sustentada pela formação de uma rede de sócios e parceiros em diferentes estados, permitindo à empresa manter presença regional enquanto amplia sua atuação nacional.

Próximos 36 anos

Ao olhar para o futuro, Marcelo Sacramento aposta na combinação entre inovação, tecnologia, formação profissional e conhecimento do mercado brasileiro de saneamento. A empresa também acaba de incorporar Roberto Muniz ao seu Conselho Consultivo, um executivo com trajetória ligada ao setor público e privado de saneamento e à construção do marco regulatório brasileiro. A proposta é utilizar essa experiência para orientar a próxima fase de crescimento da companhia.

“Essa sede não é só um endereço novo: é o símbolo de uma caminhada que começou entre um pai e um filho, ganhou um genro-engenheiro, ganhou sócios-irmãos Brasil afora e agora ganha um conselheiro que ajudou a escrever a própria lei do saneamento em nosso país”, destacou. “O espaço inaugurado em Salvador passa a ser, assim, a nova base de uma empresa que mantém suas raízes na Bahia, mas já opera em escala nacional. Juntos, lastreados na seriedade do trabalho que meu pai plantou, na capacidade técnica e na visão de Renan Menicucci e ao lado da competência de nossos sócios, parceiros, funcionários e colaboradores, iremos desbravar este Brasil com inovação, tecnologia, eficiência e resultados”, concluiu Marcelo Sacramento.

(Foto de Ajurimar Sales)

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