segunda, 24 de agosto de 2026
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MESMO SEM LULA E FLÁVIO, A POLARIZAÇÃO VENCEU O PRIMEIRO DEBATE ENTRE OS CANDIDATOS À PRESIDENTE

Redação - 24/08/2026 08:59 - Atualizado 24/08/2026

A polarização venceu o primeiro debate entre os candidatos à presidência da República, realizado neste domingo (23) na TV Bandeirantes.

Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos que lideram as pesquisas, não foram ao estúdio da Band. Romeu Zema também não compareceu. Restaram Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. O resultado foi um debate sem graça, sem propostas, e que teve como principais personagens justamente Lula e Flávio Bolsonaro, que lideram as pesquisas e não estavam presentes.

A ironia é que a ausência de Lula e Flávio, que poderia ter diminuído a polarização, acabou fazendo exatamente o contrário. Lula foi o principal alvo dos ataques. Flávio também esteve permanentemente em cena, ainda que por procuração. Nada era dito pelo candidatos que não tivesse como alvo Lula e, ainda que em menor quantidade de menções, Flávio Bolsonaro.

O nome dos dois era destaque em cada movimento dos debatedores.  Caiado os chamou de “fujões”; Renan Santos batia no púlpito onde deveria estar Lula e gritava impropérios, e Augusto Cury parecia um coach dando aulas de auto-ajuda.

O debate passou, assim, a girar em torno da disputa que já domina a eleição: petismo  contra o bolsonarismo; Lula contra Bolsonaro.

Renan Santos apareceu como o candidato da “machofesra” , aquele grupo cujo objetivo é mostrar agressividade e que costuma bradar contra a igualdade de gênero, contra o feminismo e fazer a defesa da masculinidade tradicional e da disseminação da ideia de que os homens são os verdadeiros prejudicados pela sociedade moderna. Foi uma espécie de Paulo Marçal sem força e sem retórica.

E dizia coisas como: “Flávio ontem [sábado] foi pra Barretos dançar. Estava dançando, igual a um imbecil lá em Barretos. O Lula, coitado, tem que ficar lá com aquela Janja. Era mais fácil ter vindo ao debate que iria ter companhias melhores”, bradava no palco.

Renan disse também que “Lula quer que Flávio Bolsonaro seja candidato, porque o único candidato que Lula é capaz de vencer é o Flávio. O Flávio é fraco, o Flávio não é inteligente, o Flávio tem gravíssimos déficits cognitivos e a última vez que o Flávio ficou no debate teve problemas gástricos”, disse o candidato do Missão.

Foi tão agressivo que Augusto Cury o repreendeu: “Estamos numa democracia e a beleza dela está na divergência. Você pode criticar as ideias, mas não a pessoa.”

Ronaldo Caiado, o que parecia mais preparado, não falou para o Brasil, falou para Goiás e se a eleição fosse apenas lá, provavelmente ele se daria bem, mas para o brasileiro médio, que sabe que Goiás não é o Brasil, o que se sobressaiu foi um discurso vazio: Se fiz lá posso fazer no Brasil inteiro.

Na verdade, em vez de discutir de maneira consistente como o Brasil pretende crescer, controlar suas contas públicas, melhorar a educação, enfrentar o crime organizado, aumentar a produtividade ou reduzir a desigualdade, boa parte do tempo foi consumida por frágeis ataques aos ausentes.

Houve propostas e discussões importantes — segurança pública, trabalho, desigualdade, violência contra a mulher e relações internacionais apareceram no debate —, mas elas se perderam com Renan bradando o que ia fazer sem dizer como; Caiado afirmando que faria igual ao que fez em Goiás e Cury dizendo platitudes.

Lula não quis oferecer aos adversários um palco para atacá-lo. Flávio, por sua vez, deixou claro que não considerava os participantes presentes seus verdadeiros adversários e preferia enfrentar diretamente Lula. Cada um, portanto, parece acreditar que o melhor caminho eleitoral é preservar a polarização.

O primeiro debate de 2026 acabou produzindo, portanto, um paradoxo: quanto mais ausentes estavam Lula e Flávio, mais presentes eles ficaram. E quanto mais presentes ficaram os dois, menos espaço sobrou para aquilo que deveria ser o centro de uma eleição presidencial: as propostas. Em outras palavras: a polarização venceu o debate. (EP- 24/08/2026)

 

 

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