

A inadimplência de aluguel na Bahia caiu para 4,62% em junho, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), elaborado pela Superlógica. O resultado representa a menor taxa registrada no estado nos últimos dez meses e uma redução de 1,13 ponto percentual em relação aos 5,75% registrados em maio.
Apesar da queda, o índice baiano continua acima dos 4,10% registrados em junho de 2025 e da média nacional, que ficou em 3,20% no mesmo período.
O levantamento reúne informações de mais de 800 mil locatários em todo o país. Para o cálculo, são considerados inadimplentes os boletos que permanecem em aberto por mais de 60 dias ou aqueles quitados com atraso superior a esse período.
Índice oscilou no primeiro semestre
A inadimplência na Bahia atingiu o maior nível do primeiro semestre em fevereiro, quando chegou a 6,84%, ante 5,13% em janeiro. Em março, a taxa ficou em 6,46% e avançou para 6,51% em abril.
A partir de maio, porém, o indicador começou a recuar, passando para 5,75% e chegando aos 4,62% em junho.
Mesmo com duas quedas consecutivas, o resultado de junho ficou 0,52 ponto percentual acima do registrado no mesmo mês do ano passado.
Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, ainda não é possível afirmar que o movimento representa uma tendência de redução.
“A queda da inadimplência na Bahia pode indicar um esforço das famílias para retomar o controle do orçamento, mas o cenário ainda é preocupante. Mesmo após duas baixas consecutivas, em maio e agora em junho, ainda é cedo para determinar uma tendência de melhora”, afirmou.
O especialista também chamou atenção para possíveis impactos da inflação e dos juros sobre a capacidade de pagamento das famílias.
Bahia fica abaixo da média do Nordeste
Apesar do resultado estadual, a Bahia apresentou uma taxa inferior à média do Nordeste. A região registrou inadimplência de 5,15% em junho e permanece, desde fevereiro, com o maior índice entre as cinco regiões brasileiras.
O resultado nordestino caiu 0,24 ponto percentual em relação a maio, mas ainda ficou 1,95 ponto percentual acima da média nacional.
Entre os tipos de imóveis na região, os comerciais apresentaram a maior taxa de inadimplência, de 7,23%, ante 7,84% em maio. As casas registraram 6,24%, enquanto os apartamentos tiveram queda de 3,85% para 3,52%.
No restante do país, o Norte apresentou índice de 4,30%, seguido pelo Centro-Oeste, com 3%, e pelo Sudeste, com 2,96%. O Sul teve a menor taxa, de 2,71%.
No Brasil, a inadimplência recuou de 3,22% para 3,20% entre maio e junho. Na comparação anual, o indicador ficou 0,39 ponto percentual abaixo dos 3,59% registrados em junho de 2025.
Aluguéis mais baixos concentram maior inadimplência
O levantamento também mostra diferenças de acordo com o tipo e o valor do imóvel. No país, os imóveis comerciais apresentaram a maior taxa entre as três categorias analisadas, com 4,19% em junho. Em maio, o índice era de 4,39%.
Entre as residências, a inadimplência caiu de 3,69% para 3,45%. Já os apartamentos passaram de 2,35% para 2,16%.
Na divisão por faixa de preço, os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil tiveram a maior inadimplência, de 7,40%. Entre os imóveis residenciais, a mesma faixa concentrou índice de 6,27%.
Segundo Gonçalves, os valores mais baixos podem sofrer maior impacto da situação financeira de famílias de menor renda e de micro e pequenas empresas.
A única alta registrada em junho ocorreu entre imóveis comerciais com aluguel entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Nesse grupo, a inadimplência avançou 0,11 ponto percentual e chegou a 3,90%.
As menores taxas foram observadas entre imóveis residenciais com aluguel de R$ 3 mil a R$ 5 mil, com 1,68%, e comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,36%.
Nos imóveis com aluguel superior a R$ 13 mil, a inadimplência ficou em 5,42% entre os residenciais e 4,63% entre os comerciais.
(Tribuna da Bahia)
Foto: Lucas Andrade/Pexels