

“A melhor maneira de encontrar a si mesmo é perder-se no serviço aos outros”
Mahatma Gandhi
Há trabalhos que deixam marcas nas paredes, erguem edifícios, abrem estradas e atravessam rios. Há outros, porém, que não deixam vestígios. Não podem ser medidos por réguas, fotografados ou inscritos nas placas de inauguração.
São os trabalhos feitos pelas mãos de quem escolheu servir.
Servir é um verbo silencioso. Não costuma pedir aplausos. Aquele que verdadeiramente serve compreende que as melhores coisas da vida acontecem longe dos holofotes.
Uma palavra dita na hora certa; uma mão estendida; uma oportunidade oferecida a quem já não tinha esperança; um jovem que encontra a orientação que lhe faltava; uma família que recebe acolhimento quando tudo parecia desabar.
Pequenos gestos. Quase nada, dirão alguns. Mas é justamente a partir desse quase nada que, muitas vezes, se refaz uma vida inteira.
A solidariedade tem esse estranho poder: quanto mais se reparte, mais cresce.
Vivemos num tempo em que as notícias se alimentam do escândalo, da disputa, da violência, daquilo que nos assusta. O bem, ao contrário, raramente faz manchetes. Quase sempre trabalha em silêncio.
Daí a importância de um olhar para aquilo que não aparece.
Há pessoas que passam a vida construindo pontes que jamais veremos. Não recebem medalhas. Não dão entrevistas. Não ocupam as primeiras páginas dos jornais. Mas, em algum lugar, alguém caminha hoje porque uma dessas pessoas decidiu, um dia, estender a mão.
São os construtores do invisível.
Encontrei no Rotary Club uma instituição que agrega voluntários com essa filosofia.
Sob o lema “Dar de si antes de pensar em si”, homens e mulheres espalhados pelo mundo transformam tempo em serviço, experiência em solidariedade, presença em esperança. Plantam árvores para o futuro distante. Distribuem livros a leitores desconhecidos. Entregam uma cadeira de rodas a quem precisa reaprender a caminhar. Levam companhia a um idoso que talvez já estivesse acostumado à solidão. Ajudam um jovem a descobrir que seu futuro pode ser maior do que o que até então havia sonhado.
Mas o mais nobre é que o verdadeiro serviço não precisa permanecer na fotografia. Basta permanecer na vida de quem o recebeu.
Há uma espécie de arquitetura silenciosa nesses gestos. Não se trata de construir apenas casas, escolas ou comunidades. Trata-se de construir confiança, dignidade, esperança – construir novos caminhos dentro das pessoas.
O Rotary, em sua trajetória centenária, nos oferece diariamente umabgv jju gfg lição: ninguém é tão pobre que não tenha nada a oferecer, nem tão rico que não tenha algo a aprender com o outro.
Servir é deixar no mundo alguma coisa que não tenha o nosso nome, mas carregue um pouco daquilo que fomos.
Há obras que, invisíveis aos olhos, permanecem no coração de quem um dia recebeu uma palavra, uma oportunidade, um gesto de cuidado.
São obras que fazem do servir ao próximo uma forma silenciosa de eternidade.
Sérgio Faria, engenheiro e escritor, presidente da ALAS – Academia de Letras e Artes do Salvador e membro da ABROL – Academia Brasileira Rotária de Letras