

O setor de mineração na Bahia faturou R$ 7,5 bilhões no 1º semestre de 2026, representando um crescimento de 11,2% em relação ao mesmo período de 2024. Esse número, por si só, dá à Bahia o lugar de 3ª maior província mineral do país, representando 5% da produção nacional, atrás apenas de Minas Gerais e do Pará.
Mas há um número mais importante que esse. Estudos recentes indicam que até 2030, os investimentos totais no setor mineral brasileiro serão da ordem de US$ 76,9 bilhões, patamar quase cinco vezes maior que na década passada. E a Bahia terá cerca de 15% desses investimentos, sendo o 3º estado com mais recursos previstos, abaixo apenas de Minas Gerais e Pará.
No Brasil, a produção de minério de ferro é destaque e responde por cerca de 55% a 75% do faturamento do setor e a Bahia tem dois grandes projetos de exploração de ferro. A britânica Brazil Iron pretende investir US$ 5,7 bilhões num projeto de produção de “ferro verde”, que pode entrar em operação entre 2030 e 2031. E a Bamin – Bahia Mineração – que ora está em negociação para a mudança de controle acionário, com grande possibilidade de que a construtora portuguesa Mota Engil assuma o investimento – demandará entre US$ 3,5 bilhões e US$ 5 bilhões em investimentos para operação e infraestrutura logística, abrindo uma nova rota para o escoamento do minério até um terminal portuário.
Além do ferro, a Bahia se posiciona juntamente com Minas Gerais entre os estados brasileiros com mais possibilidades de exploração de minerais estratégicos e terras raras. Esse grupo de minerais, que além das terras raras incluem metais como lítio, níquel e nióbio, responde por US$ 21,3 bilhões do investimento previsto deste ano até 2030, e uma parte desses projetos está na Bahia.
Um exemplo é o projeto Rocha da Rocha, no Recôncavo Sul, da Borborema Recursos Estratégicos, empresa subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths, que pretende investir R$ 3,6 bilhões para desenvolver um projeto integrado de terras raras, indo da mineração até o processo de transformação, ou seja, do minério ao óxido. A ideia é viabilizar o projeto em etapas e, chegando ao processamento, fará do Brasil um fornecedor não apenas de minério, mas também de produtos de maior valor agregado.
Na cadeia de minerais críticos e estratégicos, a Bahia se destaca também com o projeto de níquel sulfetado, que prevê a expansão da Mina Santa Rita, um investimento de R$ 3,3 bilhões, tocada pela Atlantic Nickel. Agregue-se a isso projetos de processamento de grafite em várias regiões do Estado e o projeto Lagoa Grande da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com potencial para exploração de níquel, cobre e cobalto.
Para completar, estão previstos investimentos na produção de urânio com a INB – Indústrias Nucleares do Brasil, empresa pública brasileira, que pretende dobrar a capacidade de produção na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, onde está implantada a única mineração de urânio em atividade no país.
A Bahia também é destaque como o segundo principal estado na produção de ouro, dando ao município de Jacobina o lugar de terceiro maior município produtor do país. E outros projetos estão surgindo com a nova área de produção que está sendo ofertada à iniciativa privada pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) nos municípios de Brumado e Aracatu.
Além da multinacional Pan American Silver em Jacobina, que está investindo cerca de US$ 30 milhões para aumentar a produção de ouro, a Bahia também abriga as minas da Equinox Gold nos municípios de Barrocas e Santaluz.
A produção mineral baiana também se sobressaí na magnesita, como maior produtor nacional (RHI Magnesita em Brumado); no vanádio; como único produtor da América Latina (Largo Resources em Maracás); no cromo; como maior produtor nacional (Ferbasa em Andorinha/Campo Formoso); e no cobre, como um produtor relevante (Caraíba/Ero Copper em Curaçá/Jaguaripe).
E, novos projetos podem surgir, pois, graças a CBPM, a Bahia é o estado mais bem estudado geologicamente do país, com 50 diferentes minerais em seu território.
O fato é que, em se tratando do setor mineral, a Bahia já não é mais uma perspectiva, é uma realidade e, se os investimentos em dotação de infraestrutura, especialmente ferroviária e portuária, se concretizarem, o setor se posicionará como um dos mais relevantes na economia baiana e brasileira.
REFINARIA DE MATARIPE NA ERA DIGITAL
A Refinaria de Mataripe, controlada pela a Acelen, vai de vento em popa na modernização digital da empresa. Com um plano de modernização de cerca de R$ 4 bilhões, a companhia vem ampliando eficiência, confiabilidade operacional e capacidade de resposta por meio da integração entre dados, IA, sensores inteligentes, robótica e sistemas digitais em tempo real. A refinaria tornou-se um dos principais cases de inovação e Indústria 4.0 do setor de energia nas Américas, segundo o Gartner, consultoria mundial de pesquisa estratégica em tecnologia. Com isso, a refinaria já gerou mais de R$ 380 milhões em ganhos operacionais desde o início das operações da refinaria, há quatro anos.
Publicado no jornal A Tarde em 06/08/2026