

O candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, pediu desculpas por ter se declarado pardo nas eleições de 2022. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela TV Aratu, nesta segunda-feira (3).
Para a disputa eleitoral deste ano, o ex-prefeito de Salvador registrou sua autodeclaração como branco e afirmou que a polêmica vivida no último pleito serviu de aprendizado.
“Eu tenho toda humildade para reconhecer os meus erros. Há quatro anos isso se tornou uma polêmica na eleição. Naquele calor do debate, eu não consegui enxergar a dimensão”, declarou.
Segundo ACM Neto, após refletir sobre o episódio, compreendeu que a autodeclaração racial vai além da simples reprodução da informação constante na certidão de nascimento.
“Esse aprendizado me fez corrigir, portanto a minha declaração agora como branco, superando essa discussão. É claro que não deixo de pedir desculpas às pessoas que, eventualmente, tenham se sentido ofendidas por esse ato em 2022”, afirmou.
O candidato ressaltou que mudanças na autodeclaração racial também ocorreram com outros políticos ao longo dos anos.
Seu candidato a vice-governador, Zé Cocá (PP), por exemplo, declarou-se pardo quando disputou uma vaga de deputado estadual em 2018. A partir de 2020, passou a se declarar branco.
Na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o candidato a vice, Geraldo Júnior (MDB), também alterou sua autodeclaração. Entre as eleições de 2016 e 2022, registrava-se como pardo. Em 2026, passou a se declarar branco.
Já o candidato do PSOL ao governo estadual, Ronaldo Mansur, declarou-se pardo nesta eleição. Em 2014, quando disputou seu primeiro pleito, havia se identificado como indígena.
A autodeclaração racial também influencia a distribuição de recursos eleitorais. Conforme resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos devem destinar pelo menos 30% dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) a candidaturas de pessoas negras, grupo que inclui candidatos autodeclarados pardos.
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