

Um relatório da PF aponta que o advogado Ciro Soares, que atuava para Vorcaro e tinha relação pessoal com integrantes dos três Poderes, atuava como intermediário entre o banqueiro e o senador Otto Alencar. Segundo os investigadores, Ciro costumava avisar Vorcaro quando estava reunido com Otto, enviava fotos ao lado do parlamentar e ligava para o banqueiro para transmitir “recados” do senador. As informações são do jornal O globo.
Procurado, Otto, que não é investigado, disse que nunca esteve com Vorcaro. Ciro Soares, que também não é alvo de inquéritos relacionados ao caso Master, disse que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas que não “houve almoço ou encontros” entre o banqueiro e o senador organizados por ele. A defesa de Vorcaro não se manifestou, mas tem reiterado que o banqueiro está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Um dos diálogos em poder da PF ocorreu no dia 30 de maio de 2024. Naquele ano, Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes do Senado e hoje presidida por ele, e de Assuntos Econômicos (CAE), responsável por analisar projetos de interesse do setor financeiro.
Vorcaro se referia a Otto como nosso comandante. “Esse aí é conselheiro e comandante nosso”, afirmou o dono do Master.
Meses depois, em 5 de dezembro de 2024, Soares disse a Vorcaro que eles precisavam conversar sobre uma medida tomada pelo senador, sem detalhar do que se tratava.
No dia 12 de novembro de 2025, outra da mensagem de Ciro, diz:
“Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”, afirmou o advogado no dia 12 de novembro de 2025.
“Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”, disse Vorcaro.
A PF aponta ainda que Soares ligava para Vorcaro com frequência quando estava acompanhado pelo senador e enviava fotos ao lado de Otto.
Procurado, Otto Alencar disse, ao jornal O Globo, que é amigo de Soares, que também é advogado do PSD na Bahia. Em um primeiro momento, negou ter qualquer relação com Vorcaro.
Após a publicação da reportagem, Otto afirmou que falou com Soares e lembrou que conversou com Vorcaro “duas ou três vezes por telefone”, por meio do aparelho do advogado. O senador disse que o dono do Master pediu apoio à aprovação do texto que ficou conhecido como “emenda Master”, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite oferecido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A iniciativa foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em acordo com o banco, segundo as investigações.
A emenda não foi adiante porque foi rejeitada pelo relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM). Otto disse que não concordava com a iniciativa e já havia sido alertado dos riscos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado