sexta, 24 de julho de 2026
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QUAL É O PREÇO DOS SEUS DADOS? – ARMANDO AVENA

Redação - 24/07/2026 05:00

Hoje em dia, ao entrar em uma farmácia, mais vale ter um CPF do que uma receita. E basta um tour de compras pelos shoppings, para perceber que todas as lojas exigem o CPF para concretizar a compra. Fazer um cadastro é obrigatório.

O fenômeno não se restringe às farmácias e às lojas. Ele se espalhou por toda a economia. A loja de roupas quer seu WhatsApp. O supermercado quer fidelizar você em seu clube de vantagens. A loja de departamentos quer lhe cadastrar. O aplicativo quer sua localização. O comércio eletrônico quer conhecer suas preferências, e o banco quer fazer seu Open Finance e saber tudo sobre sua vida financeira.

Em todos esses casos, a empresa não quer apenas vender ao consumidor. Ela quer conhecê-lo e ter acesso aos seus dados.

O consumidor imagina que está apenas comprando um produto. Mas a empresa está recebendo, além do dinheiro, os dados e as informações sobre o comprador. O cadastro diz ao agente econômico onde você mora, a data do seu aniversário, seu telefone e, em muitos casos, quanto você ganha. Mas para que servem esses dados?

Servem para conhecer seu perfil e estimular uma nova compra, oferecer uma promoção personalizada, identificar consumidores mais fiéis ou saber quais produtos têm maior potencial de venda.

Os consultores das empresas dizem que é um instrumento de eficiência comercial, uma chave para a identificação do consumidor. Pode ser. Mas o problema é que isso significa também o fim da sua privacidade. Antes, você fazia uma compra e dava dinheiro em troca. Hoje, você fornece, junto com o dinheiro, seus dados e sua história.

A farmácia sabe quais doenças você tem ou teve ao longo do tempo. As lojas sabem seu comportamento de consumo, registrado durante anos. O Open Finance dissemina suas informações sobre contas, cartões, crédito, investimentos e câmbio entre os bancos. Ao conhecer seu perfil, os agentes econômicos passam a ter um enorme poder sobre você, pois podem induzir seu comportamento por meio de diversos mecanismos, especialmente a publicidade. No mundo capitalista do século XXI, quem possui os dados possui uma vantagem competitiva.

E, quando se apropriam dos dados de milhares de consumidores individuais, os agentes econômicos passam a dispor de cadastros com milhões de consumidores identificados e acompanhados ao longo do tempo, detendo, assim, uma base de informações de enorme valor econômico.

E aqui chegamos ao cerne da questão: se os dados do consumidor têm valor econômico, ele deveria saber claramente qual é o preço daquilo que está entregando.

As farmácias, os bancos, as lojas e os supermercados precisam informar ao consumidor qual é a finalidade do cadastro e como seus dados estão sendo usados e compartilhados. Ou seja, a relação precisa ser transparente. E os consumidores precisam exigir que o sistema defina quanto valem os nossos dados para aqueles que os coletam

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