

Os conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) julgaram parcialmente procedente, em sessão realizada nesta terça-feira, 21, a auditoria de conformidade na gestão de pessoal da Prefeitura de Jequié, referente ao exercício de 2024.
A decisão resultou na aplicação de advertência ao ex-prefeito, Zenildo Brandão Santana, conhecido como Zé Cocá (PP), e na expedição de recomendações para o fortalecimento dos controles internos da administração municipal.
A auditoria, conduzida pela Diretoria de Controle de Atos de Pessoal (DAP), avaliou a legalidade e a conformidade das folhas de pagamento do primeiro quadrimestre de 2024.
O trabalho de fiscalização envolveu recursos da ordem de R$ 81,3 milhões e analisou atos de admissão, contratação temporária, ocupação de cargos e remuneração de servidores.
Atrasos na alimentação do sistema
Durante a inspeção técnica, foram apontadas três possíveis irregularidades. Os conselheiros acataram os achados referentes à falta de alimentação do Sistema Integrado de Gestão e Auditoria (SIGA) — com dados de concursos públicos desde 1988 — e ao envio intempestivo ao Tribunal dos processos de contratações temporárias realizadas entre 2021 e 2024.
O órgão destacou que, embora o município tenha regularizado as informações após a notificação, a providência tardia não anula o descumprimento das resoluções do órgão de contas, que exigem o envio tempestivo dos dados para o exercício do controle externo.
G3 Polaris
Na semana passada, o portal A TARDE já tinha mostrado que um suposto esquema, envolvendo a construtora G3 Polaris, a qual teria desviado R$ 38 milhões dos cofres públicos da capital, expandiu de forma expressiva a atuação no interior do estado, já que um levantamento exclusivo feito pelo portal A TARDE, revelou que a empreiteira acumulou R$ 35,8 milhões em contratos com a Prefeitura de Jequié durante a gestão do ex-prefeito Zé Cocá (PP).
De acordo com dados apurados em portais de transparência, embora o valor total empenhado nos acordos supere a marca dos R$ 35 milhões, o município já liquidou e pagou efetivamente mais de R$ 11 milhões à empresa entre os anos de 2023 e 2025.
Pavimentação asfáltica
A escalada nos negócios começou em 2023, quando foi assinado o primeiro e mais vultoso contrato, no valor de R$ 23 milhões. O objeto era a aplicação de pavimentação asfáltica em Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) em vias de grande fluxo, abrangendo cinco bairros centrais e periféricos do município.
Nos anos seguintes, a relação comercial entre o poder público municipal e a G3 Polaris diversificou-se. Em 2024, após vencer novos processos licitatórios, a construtora faturou R$ 8,5 milhões para as obras de revitalização da Avenida Governador Lomanto Júnior — principal corredor de tráfego de Jequié, além de firmar outro contrato de R$ 2,3 milhões destinado à colocação de guias e sarjetas.
Em 2025, a empresa ultrapassou o escopo tradicional da infraestrutura urbana. No mais recente acordo com a gestão municipal, a G3 Polaris fechou um contrato de R$ 1,7 milhão voltado à fabricação e instalação de bancadas em escolas da rede pública local. (A Tarde)
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