Líderes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional reagiram às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e associaram a medida a uma disputa política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
O governo brasileiro e o Itamaraty classificaram a decisão norte-americana de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros como inadequada e contestaram os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que citou questões comerciais, ambientais e o sistema de pagamentos Pix durante a investigação.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a medida representa uma tentativa de pressionar o Brasil e disse que as tarifas estariam relacionadas a interesses políticos ligados às eleições brasileiras.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também criticou a decisão e afirmou que não haveria justificativa técnica para a aplicação das tarifas. Ela relacionou o episódio à atuação política de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
Na Câmara, o líder do governo, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a atuação de Flávio Bolsonaro e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) poderia prejudicar a soberania nacional. As declarações foram feitas em meio à troca de acusações entre integrantes do governo Lula e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também elevou o tom contra o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificando suas declarações sobre as negociações como ofensivas e inadequadas.
Apesar das críticas, o governo brasileiro informou que pretende manter o diálogo com autoridades norte-americanas para tentar reverter a medida. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que as negociações continuarão, enquanto o país busca ampliar seus mercados de exportação.