sexta, 10 de julho de 2026
Euro Dólar

IA AGÊNTICA AVANÇA NAS EMPRESAS E DESENHA MERCADO GLOBAL DE MAIS DE US$ 22 BILHÕES

João - 10/07/2026 12:38

A corrida corporativa pela inteligência artificial está entrando em uma nova fase. Após os primeiros ciclos de investimento concentrados em ferramentas generativas voltadas à criação de conteúdo e produtividade individual, empresas passaram a priorizar sistemas capazes de executar processos completos de forma autônoma, em busca de ganhos operacionais mais tangíveis e retorno financeiro sobre os recursos aplicados nos últimos anos. Segundo um levantamento do Kyndryl Readiness Report, 61% dos líderes empresariais afirmam enfrentar hoje uma pressão maior para comprovar o retorno sobre os investimentos em inteligência artificial do que há um ano.

Ao mesmo tempo, o apetite por novos investimentos permanece elevado. Dados do estudo CIO Playbook 2026, conduzido pela IDC em parceria com a Lenovo na América Latina, mostram que 97% dos líderes de tecnologia da região pretendem ampliar os aportes em inteligência artificial ao longo deste ano. A expectativa é que parte relevante desses recursos seja direcionada à chamada IA agêntica, que são sistemas autônomos que executam tarefas completas sem supervisão humana.

A dimensão do movimento já aparece nas projeções do setor. A Gartner estima que 40% das aplicações corporativas passarão a incorporar agentes inteligentes até o final de 2026. A expansão deve contribuir para um mercado global superior a US$ 22 bilhões, segundo estimativas da consultoria Markets and Markets.

Para especialistas, a transição reflete a busca das empresas por aplicações mais próximas da operação e menos dependentes de interações isoladas. A adoção da tecnologia já começa a avançar em setores intensivos em processos operacionais. No turismo corporativo, agentes autônomos vêm sendo utilizados para executar atividades que antes dependiam de múltiplas interações humanas, como cotações, emissões, remarcações e reembolsos.

“O setor de turismo trabalha com uma quantidade enorme de regras, integrações e atualizações em tempo real. Nós desenvolvemos agentes capazes de executar essas tarefas diretamente nos sistemas utilizados pelo mercado, reduzindo custos operacionais e acelerando a resposta ao cliente”, afirma Rafael Cohen, CEO da Blis AI, startup de inteligência artificial especializada em automação operacional do setor de turismo.

No relacionamento com consumidores, a expectativa é que os agentes inteligentes substituam gradualmente os modelos tradicionais de atendimento baseados em fluxos pré-programados. “O cliente espera resolver problemas, e não navegar por menus. Entendemos que os agentes autônomos representam um avanço importante porque conseguem compreender contexto, acessar informações em diferentes plataformas e conduzir jornadas completas de atendimento”, afirma Nicola Sanchez, CEO da Matrix Go, empresa de tecnologia pioneira em IA Agêntica, especializada em soluções de atendimento e relacionamento digital.

A transformação também alcança áreas ligadas à engenharia de software. Em vez de apenas sugerir linhas de código, os novos agentes passam a participar de etapas mais amplas do desenvolvimento tecnológico. “Até pouco tempo, a inteligência artificial atuava como um apoio pontual ao programador. Agora já estamos desenvolvendo agentes capazes de compreender requisitos, gerar documentação, apoiar a construção de sistemas e reduzir significativamente o endividamento técnico das aplicações”, afirma Vinícius Guedes, CEO da Volund, startup pernambucana AI-native especializada em agentes de IA para engenharia de software.

Outro campo que vem atraindo investimentos é a inteligência de dados. À medida que as empresas acumulam volumes crescentes de informação, cresce também a necessidade de acelerar a interpretação desses dados para apoiar decisões estratégicas.

“As organizações possuem mais dados do que nunca, mas muitas vezes enfrentam dificuldades para transformá-los em informação útil. Os agentes já são capazes de conectar diferentes fontes de informação e entregar respostas estratégicas de forma rápida e contextualizada, facilitando a gestão de dados e as análises mais precisas”, afirma Carlos Schmiedel, CEO da Draiven, startup de inteligência artificial especializada em transformar dados em insights para tomada de decisão.

O movimento também chega às áreas de compras corporativas e cadeia de suprimentos, que convivem com desafios relacionados à volatilidade econômica, pressão sobre margens e necessidade de previsibilidade. “A gestão moderna de Procurement e Supply Chain exige velocidade analítica e capacidade de antecipação. Observamos um avanço consistente do uso de agentes inteligentes para apoiar decisões relacionadas a fornecedores, riscos, demanda e eficiência operacional”, afirma Erick Boano, CEO da GEP Brasil, líder global em soluções de software, consultoria e outsourcing para Procurement e Supply Chain.

Embora a tecnologia avance rapidamente, especialistas avaliam que a próxima etapa da adoção corporativa dependerá menos da evolução dos modelos e mais da capacidade das empresas de estruturar governança adequada para sua utilização.

Imagem: Copilot

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.