sexta, 10 de julho de 2026
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CODESAL APRESENTA BALANÇO FINAL DA OPERAÇÃO CHUVA 2026

João - 10/07/2026 13:27

A Defesa Civil de Salvador (Codesal) encerrou a Operação Chuva 2026 em 30 de junho com um saldo positivo, o que evidencia a força do trabalho preventivo e a capacidade de resposta ágil do órgão junto ao município. No quadrimestre, foram realizadas 4.933 vistorias técnicas na capital baiana.

Durante o período de março a junho, a Codesal também liberou 86.900 m² de lona plástica para proteção de encostas e áreas de risco, atendendo a 625 locais. Entre os bairros com os maiores registros de colocação de lonas estiveram Sete de Abril, São Marcos e Castelo Branco.

Atuação do Cemadec

O Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec) exerceu um papel fundamental durante a Operação Chuva 2026. O Cemadec fica localizado na sede da Defesa Civil de Salvador e opera com uma equipe multidisciplinar dedicada a acompanhar e avaliar a evolução dos fenômenos meteorológicos que representam riscos aos soteropolitanos. Sua principal função é alertar a população soteropolitana sobre situações de risco iminente, associadas a eventos extremos de chuvas, seguindo os protocolos estabelecidos pelo Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC).

Em relação ao PPDC, cabe mencionar que houve houve em alguns momentos a alteração de nível, ocorrendo de acordo com o protocolo e após o monitoramento das condições meteorológicas e dos impactos provocados pelas precipitações.

De acordo com o Cemadec, a Operação Chuva 2026 foi encerrada dentro da normalidade, em relação aos índices  pluviométricos, apesar de alguns meses terem ultrapassado à média histórica.

Entre março e junho, a capital baiana acumulou 984,0 mm de chuva, volume 1,2% superior à normal climatológica, que é de 972,0 mm, conforme dados da estação de referência do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizada em Ondina.

O grande destaque do período foi março, que registrou 234,8 mm, o maior acumulado para o mês nos últimos quatro anos e 59,4% acima da média esperada, de 147,3 mm. Em algumas localidades, como a estação Liberdade – Vila Sabiá, o volume chegou a 318,6 mm, superando em 116,2% a normal climatológica mensal.

Os episódios de chuva intensa foram impulsionados pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), vórtices ciclônicos – sistemas meteorológicos de baixa pressão que se formam e atuam nas camadas mais elevadas da atmosfera -, e ventos úmidos vindos do oceano.

Em abril, o acumulado de 310,2 mm também ficou acima da média (284,9 mm), com alta de 8,8%. As maiores precipitações foram registradas na Calçada (353,6 mm), Caixa D’Água (353,2 mm) e Barra – Vila Naval (351,4 mm), impulsionadas por um corredor de umidade e cavado atmosférico próximo à costa.

Já maio e junho apresentaram volumes abaixo do esperado. Em maio, foram registrados 209,4 mm, equivalentes a 69,3% da normal climatológica – média histórica dos últimos 30 anos – de 302,2 mm.

Em junho, a estação de Ondina mediu 229,6 mm, ligeiramente abaixo dos 237,6 mm previstos. Apesar disso, algumas estações como Palestina e Barra – Vila Naval superaram a média. O mês em questão, inclusive, ficou marcado por alguns fenômenos: foram registradas as maiores rajadas de vento e as menores temperaturas do ano. Em Valéria – Embasa, os ventos atingiram 66,6 km/h no dia 4, e em Barra – Vila Naval, 61,9 km/h no dia 5. As temperaturas mais baixas ocorreram nos dias 21 e 22 de junho, com 18,0°C em Barro Duro e 18,2°C na Praia do Flamengo, devido à intensificação da umidade vinda do Atlântico após a passagem de uma frente fria.

Apesar dos volumes expressivos terem surgido em alguns momentos, os acumulados nas 14 áreas monitoradas pelo sistema de sirenes da Codesal não atingiram os critérios técnicos para acionamento do alerta.

Dessa forma, não houve necessidade de evacuação preventiva nem ativação do Sistema de Alerta e Alarme ao longo de toda a Operação Chuva 2026.

Vale ressaltar que o Cemadec conta ainda com 114 estações de monitoramento, distribuídas pela cidade, e atua 24 horas por dia, sete dias por semana, garantindo a segurança da população e a resposta ágil a eventos climáticos extremos.

Atendimento social

Além das vistorias técnicas, a operação destacou-se pelo suporte às famílias. O Setor de Atendimento à Comunidade em Áreas de Risco (Seatc) contabilizou 2.637 atendimentos sociais entre março e junho, montante que equivale a um crescimento de 30,4% em relação ao mesmo período de 2025. Esses números refletem a ampliação da resiliência da Codesal em articulação com a Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre).

As Prefeituras-Bairro Liberdade/São Caetano, Cabula/Tancredo Neves e Subúrbio/Ilhas realizaram, respectivamente, 894, 653 e 646 vistorias, concentrando a maior parte das ações e comprovando a capilaridade do trabalho da Defesa Civil nos territórios.

As vistorias em localidades com sistemas de alerta e alarme – como Bom Juá, Calabetão e Mamede – possibilitaram a detecção antecipada de perigos e a orientação para saídas programadas.

Monitoramento contínuo e respostas ágeis

O número 199, que funciona 24h por dia, durante os sete dias da semana, foi o principal canal de comunicação com a população. As demandas predominantes envolveram riscos de desabamento (2.346) e ameaças de deslizamento (922), que exigiram intervenção célere e qualificada das equipes. Foram registradas ainda 430 vistorias técnicas de imóveis alagados e 289 deslizamentos de terra.

A integração com outras secretarias também foi crucial. A Codesal promoveu 5.237 encaminhamentos para pastas municipais, responsáveis por obras de contenção, limpeza de vias, dentre outros serviços.

Por fim, a atuação contínua da Codesal, aliada ao monitoramento tecnológico e à participação comunitária, foi determinante para proteger vidas, mapear e mitigar riscos e danos provocados pelas chuvas na cidade.

“Ampliamos nossa capacidade de resposta e atuamos de forma integrada e preventiva. Além disso, o monitoramento em tempo real e a dedicação das nossas equipes foram essenciais para minimizar os impactos das chuvas e garantir mais segurança à nossa população”, concluiu Adriano Silveira, diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal).

Créditos da foto: Paulo Azevedo.

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