

Durante a semana a população de Salvador foi pega com uma manifestação de atraso na saíde dos coletivos na capital. O motivo foi uma campanha que a classe tem feito para melhorar as condições de trabalho. A mobilização foi a segunda desde o início da campanha salarial, iniciada no fim de março. Em entrevista ao portal A Tarde, o diretor do sindicato, Daniel Mota, diz que a negociação não está caminhando bem e que a categoria já está estudando a possibilidade de paralisação das atividades.
“Mesmo com a realização de mobilizações recentes, não está existindo, por parte dos empresários nem dos representantes da prefeitura, qualquer iniciativa de diálogo com a diretoria do sindicato para destravar a campanha salarial. Não está existindo conversa nenhuma. Isso preocupa muito e dá sinais de que pode caminhar para uma greve”, afirmou.
Quais são as reivindicações?
As negociações começaram no fim de março e, desde então, quatro reuniões com os responsáveis pelo sistema já foram realizadas, porém sem acordo. O sindicato faz várias reivindicações, mas a campanha salarial se baseia, principalmente, em cinco pilares:
Entre os principais pontos da campanha salarial está o reajuste dos salários. Os rodoviários pedem a reposição integral da inflação do período, além de 5% de ganho real.
Segundo Daniel Mota, a reivindicação segue um modelo adotado historicamente pela categoria durante as negociações coletivas, já que o reajuste costuma acompanhar a inflação anual acrescida de algum percentual adicional.
“A gente está pedindo o que der a inflação mais 5% de ganho real. Todo ano a inflação é calculada próximo da data-base e geralmente vem acompanhada de algum percentual acima”, explicou.
Outro ponto central da pauta é o ticket alimentação. Atualmente, os rodoviários recebem 26 tickets no valor de R$ 28 cada. A proposta apresentada pelo sindicato prevê aumento tanto no valor unitário quanto na quantidade mensal. A categoria pede 30 tickets mensais de R$ 35.
Segundo o dirigente sindical, o valor atual já não cobre adequadamente os custos básicos de alimentação dos trabalhadores, principalmente para quem passa o dia inteiro fora de casa.
“O prato de comida raramente sai nesse valor hoje. Muitas vezes o trabalhador precisa usar o ticket para comprar comida para dentro de casa também”, disse.
Atualmente, os rodoviários cumprem jornada de sete horas, mas o sindicato pede a redução para seis horas diárias.
“A escala está adoecendo os trabalhadores. Os motoristas passam horas sob pressão, no calor, no trânsito pesado e ainda fazendo hora extra praticamente todos os finais de semana”, afirmou.
O dirigente sindical reconhece que a redução formal da jornada é uma discussão mais ampla, que também acontece nacionalmente em torno do fim da escala 6×1, mas afirma que medidas locais já poderiam minimizar os impactos.
Um dos temas que mais geram reclamações entre os trabalhadores, segundo o sindicato, é a chamada “carta horária”, responsável pela organização dos horários e escalas do sistema de ônibus.
A entidade afirma que os profissionais vêm enfrentando jornadas consideradas desgastantes, sobretudo aos finais de semana, quando há ampliação da carga de trabalho.
Daniel Mota afirmou que o sindicato vem realizando plantões nas garagens para orientar trabalhadores a encerrarem a operação após o cumprimento das sete horas previstas.
“A gente tem diretores nas garagens justamente para evitar que os trabalhadores ultrapassem jornadas absurdas. Isso está adoecendo muita gente”, declarou.
Segundo ele, as escalas são organizadas pela prefeitura e pelo setor responsável pela operação do transporte público. O sindicato pede uma “carta horária mais digna”, com melhor distribuição das jornadas, menos horas extras e maior respeito aos limites físicos dos profissionais.
Além das questões salariais, os rodoviários também reivindicam melhorias estruturais nas condições de trabalho.
A categoria relata desgaste físico, pressão psicológica, excesso de horas trabalhadas e falta de condições adequadas durante as operações diárias.
Segundo o sindicato, os cinco principais pontos apresentados neste momento são considerados prioritários justamente por impactarem diretamente a saúde física, mental e financeira dos trabalhadores.
Veja outras reivindicações
Foto: Denisse Salazar/ Ag. A TARDE