

A inadimplência de aluguel na Bahia registrou queda em março, com taxa de 6,46%, após 6,84% em fevereiro – variação de 0,38 ponto percentual. No comparativo com o mesmo período de 2025 (4,21%), houve recuo de 2,25 pontos percentuais. A taxa no estado ficou ainda acima da média nacional, que foi de 3,21%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para o mercado do morar.
Apesar da queda na inadimplência no período, o estado da Bahia mantém um dos maiores índices de inadimplência do país, acima inclusive da média da região Nordeste, que liderou o ranking nacional de inadimplência, com taxa de 4,77%, reforçando um cenário de maior pressão no mercado local. Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, “a baixa no estado pode mostrar um alívio pontual no orçamento das famílias, entretanto, é preciso ter cautela, pois variáveis como inflação e juros continuam pressionando os gastos fixos, e qualquer mudança nesses indicadores pode voltar a impactar a capacidade de pagamento dos locatários nos próximos meses.”
A região Norte ficou em segundo lugar no ranking, com 4,29%, redução de 0,32 ponto percentual, ante os 4,61% de fevereiro. A região Centro-Oeste marca o terceiro lugar com 3,17%, um recuo de 0,54 ponto percentual, após os 3,71% do mês anterior. O Sudeste aparece em seguida, com taxa de 3,14% – queda de 0,14 ponto percentual em relação a fevereiro –, e o Sul com 2,77%, mantendo a menor taxa do país, com baixa de 0,10 ponto percentual entre fevereiro e março.
Na região Nordeste, os imóveis comerciais lideram a inadimplência de aluguel, com 7,65% em março, mesmo após queda de 0,28 ponto percentual em relação a fevereiro (7,93%). Em seguida, aparecem as casas, com 4,90% – diminuição de 0,60 ponto percentual frente aos 5,50% do mês anterior – e a inadimplência de apartamentos cresceu de 2,53%, em fevereiro, para 3,14%, em março.
Entre a base nacional analisada, a inadimplência em imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1.000 teve uma queda de 0,21 ponto percentual, de 6,19%, em fevereiro, para 5,98%, em março. Pelo terceiro mês consecutivo, a inadimplência nos imóveis populares superou a do segmento de alta renda, apesar do recuo geral. Os imóveis com aluguel acima de R$ 13.000, que lideraram os atrasos em 2025, agora ocupam o segundo lugar: a taxa caiu para 5,83% em março, ante os 6,01% registrados em fevereiro. Do outro lado, as faixas entre R$ 2.000 e R$ 5.000 mantiveram os menores índices do mercado, com taxas em torno de 1,9%.
“Mesmo com uma queda na inadimplência em nível nacional, a taxa alta na faixa de até R$ 1.000, desde janeiro, reforça uma dificuldade maior entre as famílias de menor renda para manter o aluguel em dia. A inflação e juros elevados têm um efeito desproporcional sobre a inadimplência, neste caso. Isso porque a maior parte do orçamento está concentrada em despesas essenciais, como alimentação e transporte, que costumam ser mais pressionadas pela inflação”, analisa Gonçalves. “Fora isso, dados recentes (Quaest Pesquisa) apontam que essa faixa de renda tem, possivelmente, sofrido para honrar o custo básico de vida em função de um comportamento de apostas digitais. Na tentativa de expandir a renda por meio das bets, no fim das contas, acaba por drená-la.”
Já em relação aos imóveis comerciais, a faixa até R$ 1.000 continua com a maior taxa, de 7,41%, mesmo com uma baixa de 0,57 ponto percentual na comparação com o mês anterior (7,98%). A segunda maior taxa de inadimplência foi em imóveis acima de R$ 13.000, com 5,19%. Já a menor foi na faixa de R$ 2.000 a R$ 3.000, de 3,81%.
Em relação ao tipo de imóvel, as taxas recuaram nas três categorias em março. A inadimplência de apartamentos teve uma leve queda de 0,03 ponto percentual, com 2,30% no período; a de casas ficou em 3,60%, após 3,85% em fevereiro. Já os imóveis comerciais tiveram 4,54% de inadimplência em março – baixa de 0,21 ponto percentual em relação ao mês anterior.
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