

A nova pesquisa Genial/Quaest sobre a disputa pelo governo da Bahia traz informações preciosas sobre a disputa eleitoral entre o governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, e o ex-prefeito ACM Neto.
A pesquisa é um retrato do momento, mas traz dados estruturais importantes. O primeiro deles é que a avaliação do governador Jerônimo Rodrigues, com 56% de aprovação e 33% de desaprovação, é um patamar confortável e relativamente favorável, especialmente num eleitorado majoritariamente alinhado ao campo lulista, 47% dos eleitores preferem votar num candidato aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um percentual de aprovação de 56% para quem detém a máquina estadual é um indicativo de forte competitividade. Vale destacar que a aprovação de Jerônimo é maior do que a intenção de voto, o que demonstra, provavelmente, a força de Lula junto ao eleitorado baiano.
Ainda assim, a eleição permanece aberta, afinal, no cenário de segundo turno, ACM Neto aparece com 41% contra 38% de Jerônimo, ou seja, empate técnico. E, vale ressaltar, ACM Neto tem rejeição menor (32%), do que 42% de rejeição registrada por Jerônimo.
Nesse cenário será imprescindível a cada candidato ampliar sua base. E aqui vem um dado importante. A pesquisa mostra um nível expressivo de eleitores que não pretendem participar do processo eleitoral. São 21%, a soma de 12% indecisos mais 9% que pretendem votar branco ou nulo. Ou seja: um em cada cinco eleitores estão fora da eleição, o que significa algo como 2,4 milhões de eleitores. Parte dos 9% de branco/nulo tende a migrar no final e eles, e principalmente os 12% de indecisos, são um campo direto de disputa
A segmentação dos dados é outro indicador importante. No quesito renda, Jerônimo tem vantagem robusta entre os eleitores de baixa renda, onde políticas sociais e a identificação com o governo federal pesam mais. Já ACM Neto cresce na classe média e alta renda.
Por sexo, há uma leve tendência de melhor desempenho de Jerônimo entre mulheres, enquanto ACM Neto costuma ter vantagem entre homens, uma diferença que os reforça perfis distintos.
No quesito escolaridade, o padrão se repete: Jerônimo é mais forte entre eleitores com menor nível de instrução, enquanto ACM Neto está melhor com ensino médio e superior.
Por religião, a divisão é clara: Jerônimo performa melhor entre católicos, enquanto ACM Neto tem vantagem entre os evangélicos.
O retrato final da pesquisa é de equilíbrio. No plano político mais amplo, os eleitores independentes e o grau de vinculação à disputa nacional vão ser importantes. Estamos, portanto, em empate técnico e a campanha vai ser um elemento fundamental. (EP- 04/05/2026)



