

Em entrevista à Rádio Metropole, o ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT), criticou o que classificou como a permanência de estruturas oligárquicas na política brasileira, com maior incidência no Nordeste. “Se tem algo que está envelhecido no Brasil é esse conceito de oligarquia, de famílias que se perpetuam no poder e transferem poder por herança”, afirmou.
Na avaliação de Rui Costa, esse modelo se sustenta, entre outros fatores, pelo controle de meios de comunicação por grupos políticos tradicionais. “As oligarquias do Nordeste são donas de rádios e TVs”, disse, ao apontar a influência dessas estruturas na manutenção de poder ao longo das gerações.
Ao abordar a realidade de Salvador, o ex-governador recuperou promessas de campanhas anteriores do ex-prefeito ACM Neto (União) e confrontou com os indicadores atuais. “Fui ver e Salvador está entre as piores capitais em mortalidade infantil”, declarou. Segundo ele, o cenário reflete deficiências na atenção básica e na assistência pré-natal, com dificuldade de atingir o número mínimo de consultas recomendado.
Rui Costa também questionou a política de venda de terrenos públicos como alternativa de arrecadação. “Venderam, e quem comprou foram os amigos de sempre. Mas o dinheiro foi para onde?”, afirmou, ao cobrar transparência na destinação dos recursos.
O ex-ministro ainda criticou a situação da educação e o acesso à saúde na capital baiana. “40% da população não tem posto de saúde para atender”, disse. Ele mencionou ainda a ausência de equipamentos prometidos, como hospital em Pau da Lima e unidades de pronto atendimento em regiões como Cajazeiras. Rui Costa também afirmou que tentou repassar policlínicas para administração municipal, mas não houve interesse na época.
Foto: Samanta Leite/Metropress