

A política não para, nem no Carnaval. Pelo contrário, o carnaval é um bom período para tentar negociar nos bastidores novas posições nas eleições de 2026.
Na Bahia, a grande pergunta que está na cabeça de todo mundo é: Quem será o candidato a vice? Tanto no governo quanto na oposição essa é a pergunta que não quer calar? E o carnaval pode ser um bom momento para estratégias e negociações.
Excluindo-se a possibilidade de mudanças de última hora, a chapa majoritária do governo e da oposição está fechada. No que se refere à coligação governista, a tomada de posição do senador Ângelo Coronel facilitou as coisas para a montagem da chapa.
O senador se auto limou, ou seja, impacientou-se, sem dar tempo a que a coligação governista buscasse uma saída menos traumática. Ou foi uma atitude pensada, ao que parece mais de acordo com o pensamento político de Coronel, mais próximo do União Brasil do que do PT; ou foi um ato impulsivo e a impulsividade muitas vezes tem volta e arrependimento. Mas não parece ser o caso.
Assim, com a saída de Coronel, as três principais posições da chapa governista estão definidas, com Jerônimo Rodrigues candidato à reeleição e Jaques Wagner e Rui Costa, candidatos ao Senado. Dito isso, vem a pergunta que não quer calar: quem será o candidato a vice?
Ora, no cenário atual, as probabilidades apontam para dois partidos, o MDB e o PSD, como candidatos a indicar o nome para a vaga de vice. O MDB, que estava quieto aceitando inclusive que algum componente da família Coronel assumisse a condição de candidato a vice, alvoroçou-se quando a vaga não foi aceita e passou a pleitear abertamente o cargo.
Mas, ao mesmo tempo, uma indagação paira no ar: o PSD, maior partido da Bahia com mais de uma centena de prefeitos e meia centena de ex-prefeitos, deputados federais e estaduais, vai ficar fora da chapa? Até que é possível, pois o senador Otto Alencar está disposto a manter seu apoio ao presidente Lula e ao governador Jerônimo Rodrigues e já declarou isso, mas muita água ainda vai rolar nesse riacho.
De todo modo, tudo indica que o vice da coligação governista será do MDB ou PSD, a não ser que um movimento inesperado traga uma novidade que possa contrabalançar a saída de Ângelo Coronel do grupo. Assim, ao que parece, vai ter muita conversa sobre o vice nas hostes governistas no carnaval.
No lado da oposição, a chapa também está montada e, tudo indica, que o ex-prefeito ACM Neto será o candidato a governador, tendo Ângelo Coronel e João Roma como candidatos ao Senado. E aí vem de novo a pergunta? Quem será o candidato a vice?
Os movimentos nessa área também são muitos, com o Republicanos pleiteando o lugar e o ex-deputado Marcelo Nilo fazendo muito barulho, ainda que tenha poucas possibilidades de êxito.
Na verdade, na chapa da oposição, o ideal seria um nome de maior peso, com maior densidade eleitoral e, se possível, força política no interior. Há, ainda, a questão da interface com o candidato à presidente, com Roma representando Flávio Bolsonaro, o que aproximaria Neto do PL, mas isso fica para uma outra análise.
Por enquanto a pergunta que não quer calar é: Quem será o candidato a vice? E esse será o assunto das conversas dos políticos no carnaval da Bahia. (EP – 09/02/2026)