

Estamos mais uma vez vivendo um ano de grande mobilização nacional com a realização das eleições para a escolha do presidente da república, governadores, senadores e deputados. Como muitos candidatos elaboram planos de campanha, com a promessa de transformá-los em planos de governo, e o planejamento contribui, de uma forma ou de outra, para uma boa realização, procuro dar aqui algumas sugestões para os que vão organizar esses documentos.
Segundo o economista polonês Michal Kalecki (1899–1970) o principal problema de uma economia capitalista desenvolvida é a adequação da demanda efetiva. Como nessas economias o equipamento de capital se equipara à força de trabalho existente, o problema crucial é de obtenção do pleno emprego, ou seja, fazer com que todos os trabalhadores estejam ocupados e que não haja ociosidade relevante nos postos de trabalho.
Ao contrário das economias capitalistas desenvolvidas, nas economias capitalistas subdesenvolvidas, mesmo se o equipamento de capital fosse totalmente utilizado, ele não seria capaz de absorver toda a força de trabalho disponível. O principal problema passaria a ser a deficiência da capacidade produtiva.
Pensando assim, pode-se dizer que devemos nos preocupar primordialmente com o aumento de produção de bens e serviços. Isso contribuiria para aumentar a oferta de empregos, renda e arrecadação de tributos. Considerando os investimentos atuais e as tendências de mercado na Bahia, relaciono aqui alguns setores que são capazes de atrair capitais para promoção do desenvolvimento econômico e social:
Agronegócio – A Bahia é um dos maiores produtores de grãos, frutas e outros produtos agrícolas do Brasil, existindo grande potencial para investimentos em tecnologia agrícola, irrigação e logística que podem aumentar a produtividade e a exportação;
Turismo – Com suas praias, cultura rica e patrimônio histórico, a Bahia é um destino turístico importante, indicando a expansão de infraestrutura turística e promoção do turismo sustentável, o que pode gerar empregos e renda local;
Energia Renovável – A Bahia possui grande potencial para energia solar e eólica. Investimentos em energia limpa podem diversificar a matriz energética e criar oportunidades de geração de empregos;
Tecnologia e Inovação – O setor de tecnologia está em crescimento, especialmente em hubs de inovação. Incentivos para startups e parcerias com universidades podem desenvolver novos produtos e serviços, aumentando a competitividade;
Saúde – A demanda por serviços e produtos de saúde está em alta, especialmente com o envelhecimento da população. Investir em saúde pública e privada pode melhorar a qualidade de vida e criar empregos na área da saúde;
Infraestrutura – Melhorias em transporte e logística são cruciais para o desenvolvimento. Investimentos em estradas, portos e aeroportos podem facilitar o comércio e atrair novos negócios.
Além do que foi dito para os setores estratégicos a indústria química e petroquímica, particularmente concentrada no Polo Industrial de Camaçari, desempenha um papel crucial na economia da Bahia e enfrenta desafios significativos que impactam seu desenvolvimento merecendo atenção especial. Os principais desafios são decorrentes da queda de produção, concorrência internacional e capacidade instalada das unidades de produção. Sugerimos aqui algumas providências para enfrentar esses desafios:
Políticas de Incentivo: A implementação de políticas que incentivem a produção, como a isenção de impostos sobre insumos e a criação de programas de apoio;
Inovação e Sustentabilidade: Há uma tendência crescente em direção à produção de petroquímicos verdes, que pode ser uma oportunidade de mercado;
Integração: Aumentar a inter-relação entre a indústria química e os setores de petróleo e gás o que pode potencialmente fortalecer todo o ambiente industrial da Bahia.
Embora a indústria química e petroquímica na Bahia enfrente uma série de desafios, ela continua sendo uma parte essencial da economia do estado. Com investimentos estratégicos e uma abordagem focada em inovação e competitividade, o setor pode contribuir significativamente para o desenvolvimento econômico e social da Bahia. A disponibilidade de matérias primas diversas e a existência de mão de obra especializada representam um forte atrativo para capitais de investimento.
Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)