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2026: O ANO NÃO NOMEADO – ARMANDO AVENA

Redação - 09/01/2026 10:00 - Atualizado 09/01/2026

Escrevo a primeira crônica do ano com a intenção de brindar o leitor com um pouco de otimismo e nomear o ano de 2026 como o ano da esperança ou da paz.  E para isso valho-me de toda e qualquer divinação ou oracularidade.

Começo com a numerologia e logo percebo que a soma dos números de 2026 leva-me ao Ano 1, que indica inícios, lideranças e rupturas, o que não significa absolutamente nada, a não ser que este é um ano de portas entreabertas, no qual tudo pode acontecer.

De pouca valia foi a numerologia, por isso recorro à astrologia que informa, sem pestanejar, ser 2026 marcado por Saturno e Plutão, mas logo percebo que esses arquétipos, quando juntos, não garantem clareza automática, pelo contrário, podem até ser contraditórios. Valha-me Deus!  E a Ele procuro para saber a que santo 2026 será dedicado. A Igreja Católica não é dada a soluções fáceis e logo descubro que o ano que nasce não é oficialmente dedicado a um santo específico, mas apenas à conclusão do Jubileu da Esperança. E depois converte-se em um ano sem nome, sem padroeiro, sem eixo simbólico próprio.

Busco, então, refúgio nas religiões de matriz africana, para saber qual orixá vai reger o ano de 2026. Mas aqui também há controvérsias,  pois alguns terreiros garantem ser o ano de  Oxalá e Oxóssi e outros que será regido por Ogum e Iansã.

Cheio de dúvidas, volto-me para o Oriente, para a China, que tudo sabe e tudo pode, e descubro então que  2026 é o ano do Cavalo de Fogo, que representa um período de muita energia, movimentos e desafios. Em outras palavras, no ano do Cavalo de Fogo pode acontecer tudo ou nada.

Compreendo, então, que não é necessário recorrer a divinações para perceber que 2026 está nas mãos dos homens, mais especificamente de três titereiros, todos ávidos por poder e dinheiro, e que movem os armamentos e os militares de suas grandes nações para montar um teatro de marionetes macabro, em que países são invadidos e homens, mulheres e crianças são mortos, tudo em prol da geopolítica. E, assim, mal se passaram três dias do novo ano, e o titereiro-mor invadiu a Venezuela para montar uma ópera-bufa, na qual se prende o ditador, mas, ao mesmo tempo, se mantém a ditadura. E isso ao tempo em que se prepara um novo espetáculo na Groenlândia. Enquanto isso, o titereiro-cossaco, que há quatro anos montou uma sangrenta ópera de marionetes na Ucrânia, recusa-se a negociar um acordo de paz justo. O titereiro-chino, por sua vez, faz exercícios de guerra avisando que em breve começará a manipular os bonecos do seu espetáculo de morte no estreito de Taiwan.

Pois é, meu caro leitor, infelizmente o ano de 2026 não será um ano de esperança, tampouco de paz, será um ano que ainda não pode ser nomeado, no qual os titereiros das grandes potências resolvem que vão dividir entre eles o teatro do mundo.

Publicado no jornal A Tarde em 09/01/2025

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