terça, 06 de janeiro de 2026
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ECONOMISTA ARMANDO AVENA – AS PERSPECTIVAS DO BRASIL E DA BAHIA EM 2026

Redação - 05/01/2026 07:51 - Atualizado 05/01/2026

Bahia Econômica: Como o Sr. Analisa o desempenho da economia brasileira em 2025?

Armando Avena: Todos os indicadores disponíveis registraram um desempenho extremamente positivo, com exceção da restrição fiscal, mas, ainda assim, muito melhor que o esperado. O PIB brasileiro deve crescer em torno de 2,4% em 2025, um resultado expressivo, levando em conta que a taxa de juros está 15% ao ano.  Com isso, no período 2023/2025 a taxa de crescimento médio anual será de 3%, a melhor média anual em cerca de 20 anos. Em 2025, PIB per capita vai crescer cerca de 1,7%, o que significa que, no período 2023/2025, o crescimento de 2,3% ao ano, que é também o melhor das duas últimas décadas. Por outro lado, a taxa de desemprego é a menor desde que começou a ser calculada e a inflação em 2025, medida pelo IPCA, deve ser de de 4,3%, ou seja, abaixo do teto da meta. Nos dois últimos trimestres, o PIB desacelerou por conta do aumento nos juros, mas o desempenho é muito bom. E, veja, esses são dados reais, um desempenho medido por organismos confiáveis. Pode ser analisado politicamente de acordo com o gosto do freguês, mas são reais, estamos falando de fatos, não de opinião. Foi um bom desempenho, mas tem a questão fiscal.

BE: Muitos analistas afirmam que a questão fiscal é a questão crucial.

Armando Avena: Aqui é preciso dizer que a questão fiscal é fundamental, mas descaracterizar a forma como o mercado financeiro vem colocando a questão. Esse mercado financeiro passou todo o primeiro semestre de 2025 dizendo que o país estava à beira de uma crise fiscal sem precedentes. Toda a imprensa caiu nesta balela e eu coloquei em muitos artigos aqui e no jornal A Tarde, que não havia nada parecido com isso. Como não houve. Chegamos ao final de 2025, sem passar perto de qualquer crise fiscal. Esse é o primeiro ponto. Não se pode acreditar  no que afirma os economistas ligados ao mercado financeiro, eles têm interesses definidos pelos interesses das corporações financeiras. Mas, ao mesmo tempo, é preciso dizer que a situação fiscal se deteriorou e que o arcabouço fiscal criado pelo Ministério da Fazenda já não dá conta da questão fiscal, pois bilhões de reais foram excepcionalizados e retirados do déficit público. O governo precisa de uma nova política fiscal, com foco no corte de gastos e no corte de subsídios, e isso terá de ser feito.

BE: Isso pode ser feito em 2026?

Armando Avena: A resposta é um rotundo não. A questão fiscal terá de ser revista e será preciso agir para cortar despesas constitucionais obrigatórias. Será preciso também enfrentar os grandes segmentos que capturaram o estado e hoje detém bilhões e bilhões de recursos oriundos de subsídios e renúncia fiscal. Mas isso não poderá ser feito em 2026, um ano de eleição. Para fazer a reforma fiscal que o Brasil precisa será necessário mexer na Constituição e acabar com muitas vinculações orçamentárias e despesas constitucionais obrigatórias e isso não se consegue com um Congresso polarizado e mais preocupado com as eleições. Por outro lado, será preciso enfrentar a Faria Lima e os empresários que não abrem mão de seus subsídios. Em outras palavras: em 2026 o governo vai ter de fazer remendos no arcabouço fiscal e conviver com ele, se possível evitando gastos eleitorais. É possível fazer isso e não há perigo de explosão da dívida ou de crise fiscal até 2027. Mas, seja qual for o presidente eleito, ele, legitimado por sua votação, terá de enfrentar a reforma fiscal.

BE: E a dívida pública não corre o risco de ficar inadministrável?

Armando Avena: Por enquanto, não. A relação Dívida Bruta/PIB, que foi de 76,5% em 2024, vai fechar em 2025 em torno de 78%. É perfeitamente administrável.

BE: Quais as perspectivas econômicas para economia brasileira em 2026?

Armando Avena: A perspectiva é de crescimento do Produto Interno Bruto – PIB em níveis superiores ao verificado em 2025, que vai registrar um incremento da ordem de 2,4%. Isso vai acontecer porque o Banco Central deve iniciar o ciclo de queda nas taxas de juros já na primeira reunião do Copom, o que, ao longo do ano, vai destravar alguns setores e estimular segmentos mais afetados pelo juros, como o comércio e a construção civil. Por outro lado, o emprego permanece em alta e vai estimular o aquecimento da economia. Agora, o governo tem de administrar o componente fiscal, para não passar um recibo de descontrole nos gastos em ano eleitoral. E, veja, é bom que o país cresça em 2026, pois assim, o presidente eleito terá mais flexibilidade ao assumir e mais facilidade de implementar as reformas.

BE: E a Bahia? Como será o crescimento do PIB? 

Armando Avena: Segundo a SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, o PIB da Bahia deve crescer mais que o do Brasil, em torno de 3% ou até 3,2%, sendo puxado pelo Agronegócio e pelo setor industrial, que foi bem este ano e deve crescer em torno de 5%.

BE: Quais os desafios econômicos do nosso Estado?

Armando Avena: A Bahia precisa destravar os projetos estratégicos de infraestrutura, que são fundamentais para o seu desenvolvimento. Refiro-me a projetos como a Ferrovia Oeste Leste, a renovação da concessão da FCA, a concessão da BR-324/116 e outros. No caso da Fiol I é preciso ver se a Bamin Mineração tem condições de manter-se como concessionária ou se o caminho é outro. A Fiol II, entre  Caetité-Barreiras, é obra da estatal Infra que deverá estar pronta em dois anos ou menos. E a BR-324/116 tem o leilão de concessão previsto para o segundo trimestre deste ano. Essas obras têm de estar equacionadas em 2026. Aliás, o governo deveria ter um executivo em tempo integral negociando com empresas e governo federal esses projetos.

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