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ENTREVISTA COM ALEXANDRE BALDY, CONSELHEIRO ESPECIAL DA BYD NO BRASIL

João Paulo - 30/10/2023 06:00 - Atualizado 30/10/2023

Bahia Econômica – A prorrogação dos incentivos fiscais para as montadoras localizadas no Nordeste ainda não foi aprovada, embora deva ser incluída no projeto que tramita no Senado. Como a BYD vês esse processo?

Alexandre Baldy – Estamos otimistas com a visão de re industrialização e sustentabilidade do governo atual, que conversa diretamente com os objetivos e estratégias de curto, médio e longo prazo da companhia. Todo o programa que incentive o desenvolvimento regional e gere empregos é positivo. Uma reforma tributária justa não pode desconsiderar as desigualdades regionais e a necessidade de dar condições para que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possam atrair mais investimentos. Quanto mais incentivos do governo, mais a BYD vai investir no mercado brasileiro.

Bahia Econômica- Quais os carros que a BYD pretende produzir inicialmente. A isenção do IPVA será um atrativo para os baianos comprarem mais carros da BYD?

Alexandre Baldy – Na primeira fase das fábricas em Camaçari, vamos produzir o BYD Dolphin, modelo 100% elétrico que revolucionou o mercado de veículos elétricos no Brasil com mais de 5.000 unidades vendidas em apenas 3 meses; o BYD Song Plus, nosso híbrido plug-in que tem autonomia de mais de mil quilômetros e o BYD Yuan Plus, nosso SUV moderno, tecnológico e também 100% elétrico. Todo incentivo é importante e a isenção de IPVA serve como um atrativo para os consumidores que desejam veículos de alta tecnologia e que não poluem.

Bahia Econômica – A BYD lançou a pedra fundamental das suas instalações no site da antiga Ford. Como será a montagem da fábrica. Virão máquinas, equipamentos e robôs da China ou serão adquiridos no mercado brasileiro?

Alexandre Baldy – A fábrica de Camaçari será inspirada na fábrica da BYD em Changzhou, na China. Nossa equipe de engenharia está trabalhando no projeto de instalação e em breve teremos mais detalhes. Os equipamentos que puderem ser encontrados no Brasil, serão comprados aqui e o restante será importado. O objetivo da BYD é contar com a melhores mais moderna tecnologia na linha de montagem. Além disso, com objetivo de tornar a região o Vale do Silício brasileiro, a companhia vai investir em um centro de pesquisa e desenvolvimento em Salvador, que terá como um dos principais objetivos desenvolver tecnologia de um motor híbrido flex, para combinar o etanol com o motor elétrico.

Bahia Econômica – Em relação aos fornecedores, a BYD pretende trabalhar com fornecedores locais? Na área de peças e serviços?

Alexandre Baldy – O novo complexo trará Camaçari de volta aos holofotes da indústria brasileira, transformando a cidade baiana em um polo de atração de fornecedores diversos ligados a toda cadeia produtiva, desde peças e acessórios até prestadores de serviços. Uns dos compromissos da BYD é contribuir diretamente como desenvolvimento regional, dando prioridade a fornecedores locais.

Bahia Econômica – A Stellantis de Pernambuco aventou a hipótese de montar um polo de Fornecedores no Nordeste para atender as empresas. Isso seria interessante para BYD?

Alexandre Baldy – Naturalmente, o Nordeste se tornará um polo de atração de fornecedores diversos ligados a toda cadeia produtiva, desde peças e acessórios até prestadores de serviços. Esse movimento é favorável tanto às indústrias que poderão contar com uma alta gama de parceiros locais, o que também diminui custos, quanto para o desenvolvimento econômico regional.

Bahia Econômica-Em relação à mão-de-obra, quanto trabalhadores  serão contratados? A mão-de-obra baiana será aproveitada. E quem anteriormente trabalhou na Ford, pode ser aproveitado?

Alexandre Baldy – Contribuindo para o fomento econômico do estado baiano, o novo complexo deve gerar 5 mil empregos e promoverá treinamento e capacitação de mão-de-obra especializada, prioritariamente local. Trabalhadores com experiência no setor poderão ser aproveitados de acordo com as vagas existentes.

Bahia Econômica – A criação de um Centro de Pesquisa e Tecnologia na Bahia e a possibilidade de um novo projeto de carro hibrido com etanol é uma decisão tomada pela empresa. Existe um prazo para dar início a esse projeto?

Alexandre Baldy – O Centro de pesquisa é uma das prioridades da BYD e em breve anunciaremos o calendário de implantação.

Bahia Econômica- Comenta-se que a BYD faria da Bahia uma espécie de HUB exportador de carros para a América Latina? Isso está nos planos da empresa?

Alexandre Baldy – Sim. Além do Brasil, os veículos fabricados aqui também poderão ser exportados para os países vizinhos. Ao implantar o seu primeiro complexo industrial no país, a BYD Brasil se preocupa em manter premissas que direcionam sua atuação no exterior: criar produtos que não emitam poluentes, projetados e executados com tecnologia de ponta e alto investimento em pesquisa e desenvolvimento, sempre em um ambiente de trabalho agradável e aconchegante para funcionários, fornecedores e visitantes.

Bahia Econômica – O Terminal Miguel Oliveira, conhecido como Porto da Ford, já foi dado em concessão a BYD. Quais os planos da empresa para esse porto? Ele será exclusivo para automóveis ou será um porto de carga geral?

Alexandre Baldy – O porto será um importante ponto para o recebimento de matérias primas para o escoamento da produção dos veículos que serão produzidos em Camaçari.

Bahia Econômica – A BYD já teria um cronograma de implantação das outras duas unidades previstas?

Alexandre Baldy – As equipes da BYD estão focadas no planejamento das unidades do complexo de Camaçari e o cronograma de implementação será divulgado oportunamente.

 

Foto: Acerto BYD

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