domingo, 16 de junho de 2024
Euro 5.7376 Dólar 5.3871

ARMANDO AVENA – A CONEXÃO BAHIA/CHINA

Redação - 19/10/2023 06:30 - Atualizado 20/10/2023

A China é atualmente o maior mercado para os produtos baianos e a Bahia passou a ser um importante espaço de investimento para a China. A conexão Bahia/China vem crescendo de tal modo que atualmente, em termos de expansão de negócios, vale mais aprender mandarim do que inglês.

No que se refere ao comércio exterior, Bahia e China se tornaram grandes parceiros comerciais.  Em 2022, a China foi o destino de 22% das exportações baianas, num montante superior a 2,5 bilhões de dólares. Em 2023, houve redução da demanda mundial, fruto da desaceleração da economia global, os preços das commodities caíram e a Bahia exportou menos. Mas, ainda assim, entre janeiro e setembro, as exportações para a China lideram a pauta e representaram 25% de tudo que a Bahia vendeu para o exterior, algo em torno de US$ 2,1 bilhões.

A Bahia é o estado do Nordeste que mais exporta para a China e está em 10º lugar entre os maiores estados brasileiros que vendem produtos aos chineses. Entre os produtos mais vendidos, destacam-se a soja, o óleo combustível, químicos e petroquímicos, calçados e madeira, mas também constam da pauta o algodão, a carne bovina, o ferro e muitos outros. A Bahia também compra produtos da China, embora em valor bem menor, especialmente máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, químicos e petroquímicos e veículos.

A conexão Bahia /China tem, como se vê, um forte componente comercial, mas tem também um promissor braço de investimentos. O gigante chinês amplia a cada dia os investimentos na Bahia e o movimento mais recente alcançou R$ 3 bilhões, com a BYD iniciando um complexo produtor de carros elétricos.

Estima-se que a Bahia é o 3º estado brasileiro que mais recebeu investimentos chineses nos últimos dois anos e os valores envolvidos superam os R$ 12 bilhões.

Os principais setores de investimento da China na Bahia são o agronegócio, a infraestrutura e a indústria. No agronegócio, a China está interessada na construção de silos e na instalação de plantas de processamento de alimentos. Na infraestrutura,  está investindo na construção de rodovias, pontes, ferrovias e portos. Na indústria, está focada na construção de fábricas de veículos elétricos, de eletroeletrônicos e de produtos químicos.

Não caberia aqui uma lista dos investimentos previstos ou já em andamento, mas haverá empresas e investimentos chineses na Ferrovia de Integração Oeste Leste e no Porto Sul, nos projetos de energia eólica e solar, planos para a produção de hidrogênio verde em larga escala e muitos outros. São apenas alguns exemplos e isso para não falar no projeto da ponte Salvador/Itaparica.

A conexão China /Bahia também chegou na universidade com a instalação do Instituto Confúcio na Universidade Federal da Bahia, inaugurado este ano e que oferece cursos de língua chinesa, cultura chinesa e intercâmbios acadêmicos, além de colaboração em pesquisa e desenvolvimento. Em resumo: é a hora e a vez da conexão Bahia/China.
VENDAS NO VAREJO

As vendas no varejo baiano cresceram quase 5% entre  janeiro a agosto de 2023, em relação a igual período do ano anterior. Na Bahia, o varejo cresce mais que no Brasil, que registra incremento nas vendas de apenas 1,6%. A Bahia registrou o sexto melhor desempenho entre os estados brasileiros e as vendas cresceram nos oito primeiros meses de 2023. O crescimento é maior em segmentos como combustíveis e lubrificantes, eletrodomésticos, farmácias e outros. Hipermercados e supermercados cresceram cerca de 3%.  Enquanto isso, as vendas de veículos ainda não deslancharam, bem como vestuário e calçados. Mas tudo indica que 2023 será um bom ano para o comércio na Bahia.

                                        REGIONALISMO NO VAREJO

O regionalismo é uma marca no varejo brasileiro. É representado por redes de empresas que operam em apenas um estado ou uma região e não tem interesse em expandir para outras áreas. Essas lojas são fortes localmente, pois conhecem a fundo as preferências e os problemas dos seus clientes. Não crescer é uma estratégia de posicionamento no mercado. A rede Atakarejo é um exemplo desse regionalismo, cresceu fortemente na RMS e só agora, após ser adquirida por um fundo de investimento, vai focar em outros estados. Vários supermercados em Salvador estão seguindo a mesma estratégia e algumas lojas de eletroeletrônicos e móveis. É uma boa estratégia, mas só funciona se for devagar com o endividamento.

Publicado no jornal A Tarde em 19/10/203

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.