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A GUILDA PÓS-MODERNA OU AS REDES SOCIAIS DA ERA DIGITAL – LOURENÇO MULLER

Redação - 21/07/2023 08:52 - Atualizado 21/07/2023

O que Ubiratan Castro , o simpático e culto Bira ‘Gordo’, previu para a Baía de Todos os Santos (BTS) no sec.21, foi  um sistema geo-histórico.

Penso que essa baía, ou Kirimure no seu batismo original, indígena, poderia se comportar como um sistema de cidades, algo além da compreensão turística, socioeconômica ou simbólica, algo que transcende, que pode ser autossustentável…ou não. Ele é formado por 57 ilhas e um litoral continental onde a mais bela cidade do Brasil com seu céu de Brigadeiro e seu mar de Almirante está a cavaleiro da enorme baía.

Falemos das guildas. No clássico livro de Lewis Mumford,“A cultura das cidades”, ele define a guilda como uma estrutura de associativismo possível no século onze e como única forma de sobreviver ao banditismo medieval fora da Igreja: “… não havia segurança a não ser na associação, nem liberdade que não reconhecesse as obrigações de uma vida corporativa”.

Apenas uma única guilda sobreviveu, a mais importante instituição isolada medieval e aumentou gigantescamente o seu poder:“[…] o nome dessa organização foi[…] universitas. Como outras formas de guildas de ofícios, o objetivo da universidade era preparar para a prática de uma vocação e regular as condições sob as quais os seus membros realizavam seu trabalho. Cada uma das grandes escolas que inicialmente se formaram na universidade – de jurisprudência, de medicina e de teologia – era de caráter profissional”.

Pergunta-se porquê, de todas as guildas medievais, a única que sobreviveu e cresceu espetacularmente foi a universidade. A resposta é: foi um sistema organizado de conhecimento, um método científico independente em que o sistema era mais importante do que a coisa em si.

Eu comparo Universidade com Cibernética. Em ambas, a atualização sempre foi uma prioridade. E foi o ‘inventor’ da Cibernética, Samuel Wiener, que a batizou assim, a partir do nome grego ‘kibernetes’ que significa timão, o velho timão que corrige e atualiza o rumo da embarcação; e vejam que tudo tem a ver com navegação, com náutica e, agora, com internáutica. E claro, com sistemas.

Mas cada dia surge uma nova situação produzida por mais recente aplicativo que desmonta o passado: são novas plataformas, novos algoritmos, novos programas, criados por cabeças muito jovens, entretanto, ainda por cabeças humanas. Mas até isso vai mudar diante da inteligência artificial(IA):os algoritmos se construirão a si mesmos?

Organizamos uma rede ‘zap’e avançamos para um modelo de ‘networking’ que vem se transformando em busca permanente de algo: não sabemos ainda o quê a não ser que existe, na mente de cada internauta deste cibergrupo chamado Kirimure,um desejo de compreensão e resposta ao grande mar interior dos Tupinambá e suas complexidades  escondidas e insólitas. O diálogo entre o mar e o continente está longe de ser bem equacionado e os estudos que existem demonstram incompletudes.

Não seria um objetivo maior planejar esse sistema?

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