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COLUNA NO JORNAL A TARDE: OS JUROS E O CENÁRIO CRÍTICO PARA EMPRESAS E FAMÍLIAS – ARMANDO AVENA

Redação - 25/05/2023 08:54

O cenário financeiro para as famílias e para as empresas no Brasil é crítico. E o principal motivo é a taxa de juros, que subiu de 2% em 2020 para 13,75% em agosto de 2022.

Há nove meses os juros estão no mesmo patamar, mas a inflação, que era  8,7% ao ano, caiu para 4,1% agora em abril. E isso significa que o Banco Central está aumentando o juro real todos os meses, mesmo com a inflação em queda.

Os juros altos, a perda do poder aquisitivo e o desemprego endividaram grande parte das famílias  brasileiras, que passaram a recorrer aos empréstimos mais caros do mercado. Entre janeiro e março de 2023, a concessão de empréstimos no cheque especial – que tem juros de 130% ao ano – teve um aumento de cerca de 13%. No mesmo período, a concessão do crédito rotativo do cartão de crédito – com juros escorchantes de 430% ao ano – subiu quase 20%. O resultado é que a inadimplência atingiu 70 milhões de brasileiros em março de 2023, segundo a Serasa.

Em relação às empresas, não é diferente.  Como a queda no faturamento por conta da redução do consumo – já que a compra financiada  tornou-se impraticável – as empresas estão enfrentando um cenário financeiro inimaginável, caracterizado pelo alto custo dos empréstimos e pelo travamento do mercado bancário. As empresas não estão conseguindo captar recursos para capital de giro e quando conseguem é a um custo exorbitante. O crédito bancário no país caiu ao patamar mais baixo desde 2016. Mas porque os bancos estão restringindo seus empréstimos?  É que com juros em níveis exorbitantes o custo de captação aumentou, obrigando os bancos a aumentar o spread. E assim o  alto nível de inadimplência dos tomadores de empréstimos se elevou muito. Expostos a um risco maior, os bancos restringiram os empréstimos, tornaram-se seletivos exigindo spreads mais altos e maiores, contrapartidas e garantias. E o medo do calote, que antes estava concentrado nas pequenas empresas, disseminou-se com o efeito Americanas e hoje atinge grandes nomes do setor empresarial como Light, Oi, Grupo Petrópolis, CVC, Renner, Tok&Stok e outros. “O problema é que uma taxa de juros elevada demais começa a ser inviável até para os bancos”, diz José Gomes da Costa, ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil. E ele tem razão, afinal, se a inflação recua a cada mês e a Selic permanece a mesma, isso significa que a taxa de juros real está aumentando mensalmente e o endividamento dos tomadores também. Mas Gomes diz que o que está ocorrendo é um freio de arrumação no mercado de crédito e que, com a aprovação do arcabouço fiscal, a taxa Selic deve dar sinais de queda, pelo menos no 2º semestre. Que Deus, ou Roberto Campos Neto, o ouça!

Por enquanto o que se vê são economistas ligados ao setor produtivo, como Mendonça de Barros, clamando pelo início do ciclo de queda nos juros e aqueles ligados ao setor financeiro – não necessariamente aos bancos –, como Armínio Fraga ou o próprio Campos, admitindo aumentar todos os meses o juro real, mesmo que isso asfixie a economia.

MAS O BRASIL PODE DESLANCHAR

Esta semana a Câmara de Deputados aprovou o arcabouço fiscal com ampla maioria e, com a aprovação no Senado, isso poderá ser a senha para o início do ciclo de queda nos juros. Não, que uma coisa seja determinante da outra, mas o ambiente fiscal vai se estabilizar, mostrando que há espaço para a redução dos juros. Até porque o Congresso melhorou o projeto obrigando o governo a contingenciar despesas discricionárias em até 25%, caso haja frustração de receitas. E o governo só vai poder utilizar 70% do crescimento da receita até o limite de 2,5%. Se o projeto da reforma tributária também for aprovado, o país estará pronto para iniciar um ciclo virtuoso de crescimento econômico.

DE  LUÍS EDUARDO A BARREIRAS

O Secretário Especial do Programa de Parcerias de Investimentos, o baiano Marcus Cavalcanti, afirmou que o  BNDES estuda o financiamento para a construção de 3 mil km de estradas, boa parte no Nordeste. É uma boa medida, já que tradicionalmente o banco destina a maior parte dos seus recursos para a região Sudeste. Cavalcanti disse também que o Ministério dos Transportes está estudando a duplicação de um trecho da rodovia ligando Luís Eduardo Magalhães a Barreiras, cujo projeto pode sair através de uma Parceria Público Privada. Já não era sem tempo, um estudo feito pelo próprio BNDES apontou um fluxo crescente de caminhões na ligação, detectando que a tendência é de aumentar ainda mais.

Publicado no jornal A Tarde em 25/05/2023

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