O QUE VAI ACONTECER COM O DÓLAR – ARMANDO AVENA

O QUE VAI ACONTECER COM O DÓLAR - ARMANDO AVENA

Indagam-me sobre a queda da cotação do dólar e as perspectivas para os próximos meses. Antes de mais nada, vale lembrar que o dólar é uma mercadoria sujeita à lei da oferta e da procura, embora o governo possa influenciar o mercado comprando ou vendendo a moeda estrangeira. Esta semana a cotação do dólar caiu abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde o fim de junho de 2020 e isso aconteceu porque têm dólar sobrando no mercado. Dois motivos explicam a enxurrada de dólares: a disparada dos preços das commodities e a alta da taxa de juros.

A guerra na Ucrânia fez com que 70% das exportações brasileiras ficassem mais caras, além disso reduziu a oferta de produtos que o Brasil vende no mercado internacional. Os preços de commodities como milho, petróleo, minério de ferro e outras dispararam desde o início da guerra e muitos países que compravam commodities na Rússia e Ucrânia passaram a buscar outros fornecedores, inclusive o Brasil. Ou seja, há mais procura pelos produtos brasileiros e eles estão mais caros,  o que faz o fluxo de dólares em direção ao país aumentar.

 Por outro lado, a taxa de juros básicos, a Selic, que em março do ano passado estava em 2% ao ano, pulou para 11,75% e isso atraiu mais dólares, pois a diferença entre os juros internos e externos faz com que os investidores, que teriam rentabilidade em suas aplicações entre 0,25% e 0,5% nos EUA e em outros países, venham para o Brasil e ganhem vinte vezes mais aplicando aqui. E ainda há o chamado carry trade, ou seja, o aplicador toma dinheiro emprestado em seu país, a taxas de 1% ao ano, e aplica aqui ganhando 12% ao ano.

 Em 2022, a desvalorização da moeda norte-americana já é de cerca de 12%, e a valorização do real é a maior entre 30 países pesquisados.  Até aí é fácil, mas vem a pergunta: o dólar vai continuar se depreciando? No curtíssimo prazo, dois meses ou menos, pode ser que sim, afinal, a taxa de juros vai seguir aumentando e o próprio Banco Central já anunciou uma nova elevação de 1%.

Os preços das commodities vão continuar elevados, pois a guerra deve demorar e mesmo após o seu fim ainda levará algum tempo para a normalização do mercado e para reduzir a inflação mundial, que, focada nas commodities, beneficia os produtos brasileiros. Para completar, o dinheiro estrangeiro voltou à bolsa de valores, pois as ações das empresas brasileiras estão baratas. Mas atenção, essas são previsões de curtíssimo prazo e mesmo assim nada é garantido em relação ao dólar.

No caso do Brasil, as eleições e os desarranjos fiscais do governo podem fazer a cotação voltar a crescer. E, no mundo, a elevação mais acelerada dos juros americanos, uma desaceleração da economia chinesa ou o aumento da tensão entre Rússia, Europa e EUA, tudo isso e muito mais, pode fazer a cotação do dólar subir novamente.

                                        A BAHIA ENTRE OS 100 MAIORES

 A Bahia tem três municípios entre os 10 maiores PIBs do país: Salvador, em 7º lugar, Camaçari e Feira de Santana. E esses municípios são também os três maiores PIBs do setor de serviços, com Salvador ocupando a 10a posição e a segunda no Nordeste. Quando o assunto é agropecuária, a Bahia tem 8 municípios entre os 100 maiores PIBs do país, com destaque para São Desidério, que ocupa o 1º lugar, seguido de Formosa do Rio Preto, Barreiras, Luís Eduardo e outros da região Oeste. Na indústria, a Bahia tem três municípios entre os 100 maiores: Camaçari (que era o 12º e hoje é o 16º), Salvador e São Francisco do Conde, por causa da Refinaria. São informações do IBGE e referem-se a 2019.

                                                          CRONOGRAMA DA PONTE

 O cronograma para a construção da Ponte Salvador-Itaparica está definido. Já foram concluídos a batimetria, a geofísica e estudos ambientais, sociais e culturais. A próxima etapa será a dragagem do Porto de Salvador e a sondagem da Baía de Todos os Santos, previstos para ter início no segundo semestre deste ano. Concluído esse passo, a concessionária vai em busca da emissão da licença ambiental de instalação e a aprovação de todos os órgãos envolvidos, para então instalar o canteiro de obras. Serão três canteiros: em Salvador, Vera Cruz e no Estaleiro São Roque, em Maragogipe, onde serão fabricados os pré-moldados. Os municípios já têm conhecimento do projeto e das desapropriações.