Tudo pode acontecer no cenário eleitoral que se desenha para Presidência da República em 2022. Os políticos do Centrão, ou a maioria deles, estão apostando em uma eleição polarizada entre Lula e Bolsonaro, que terminaria gerando um segundo turno de forte conteúdo ideológico, num embate entre direita e esquerda. Ambos parecem não perceber que nada seguirá os trâmites normais nesta eleição e que tudo pode acontecer, afinal está no poder um presidente imprevisível, dado a rompantes e a decisões intempestivas.
Deixando de lado, porém, as loucuras que Bolsonaro pode fazer contra a democracia e o processo eleitoral, há uma decisão que cabe só a ele e que vem sendo disseminada em vários grupos de WhatsApp como se fosse uma ação já pensada por Bolsonaro. que ele poderia tomar em prol da sua segurança e da própria família.
Essa decisão, que é o sonho de consumo dos adeptos da terceira via, seria a de Bolsonaro não concorrer à Presidência da República, ao constatar o crescimento da candidatura de Lula, optando por uma candidatura ao Senado. Essa hipótese estaria fundada na difícil situação jurídica de Bolsonaro caso perca a eleição, já que existem dezenas de processos contra ele em andamento e, na eventualidade de um governo do PT, a possibilidade de sua prisão e de seus filhos seria grande.
Nesse sentido, a candidatura ao Senado lhe garantiria o foro privilegiado. Essa hipótese passa pela cabeça de Bolsonaro, mas ela tem um problema: os ocupantes de cargo no Poder Executivo (presidente da República, governador de estado ou do Distrito Federal e prefeito municipal), para se candidatar a cargo diferente do que já ocupa precisam renunciar a seus mandatos até seis meses antes da eleição. Ou seja, não há possibilidade de Bolsonaro concorrer ao Senado, a não ser que estivesse disposto a fechar um acordo para que o vice-presidente assumisse o poder, para assim ele se descompatibilizar já em abril de 2022.
Dificilmente Bolsonaro faria isso, o mais provável é que o presidente seja irresponsável o suficiente para tentar outras saídas, inclusive fora da legalidade, ou seguindo os rumos equivocados de Trump. (EP- 07/02/2022)