JOSÉ MACIEL- INDICAÇÃO GEOGRÁFICA, BANANA E BOM JESUS DA LAPA

JOSÉ MACIEL- INDICAÇÃO GEOGRÁFICA, BANANA E BOM JESUS DA LAPA
No último artigo , destacamos,  após o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) como um importante fator de agregação de valor no agronegócio, que a ideia básica era e é acelerar os estudos num universo de produtos que se afiguram com maiores chances de alcançar o selo de IG na Bahia. A primeira escolha, objeto da coluna passada , recaiu nos produtos carne de bode e cabrito,  e doces , geleias e derivados de umbu, ambos associados à região de Uauá e  áreas do entorno. Hoje, a nossa pauta é a produção de banana , associada ao município de Bom Jesus da Lapa, Bahia.
Com as plantações localizadas no interior do Projeto de Irrigação Formoso , Bom Jesus da Lapa é, individualmente , o maior produtor de banana do Brasil, com uma área plantada de cerca de 9 mil hectares e uma produção entre 180 mil toneladas e 200 mil toneladas anuais,  das variedades Prata e Nanica, conduzida com elevados padrões tecnológicos. Em seguida, vem a região de Jaíba, Minas Gerais , e Corupá, em Santa Catarina. Há outros polos de produção no Brasil, como São Paulo, Ceará e Rio Grande do Norte.
Reconhecida regional e nacionalmente, os produtores locais querem dar um passo a mais para agregar  valor à sua produção, e os estudos e esforços para fundamentar o sonhado pleito da IG estão em andamento, com o envolvimento e assessoramento do Sebrae e a participação de associações de produtores do perímetro irrigado. São, como já dissemos, 9 mil hectares de plantios irrigados, produção acima de 180 mil toneladas anuais, e inúmeros produtores de diversos tamanhos, tendo lotes familiares, médios e lotes empresariais, produzindo um produto com alguns atributos e diferenciais importantes, valorizados pelos mercados. Os produtores são bem organizados em associações, receptivos e antenados com as novas tecnologias, interagindo frequentemente com órgãos de pesquisa e extensão,  e têm o suporte de órgãos de pesquisa, como a EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA,   localizada em Cruz das Almas, e outras instituições.
A região catarinense de Corupá já obteve o selo de IG,  com o argumento , na visão deles, de sediarem a produção de  bananas (do subgrupo Cavendish, tipo Nanica ou Caturra) mais doces do país. A doçura, medida por grau Brix (quanto maior o Brix, maior a doçura), alcança valores entre 20 e 23,67 graus Brix, segundo estudos de Cesar Luiz Dias Filho e Aparecido Lima da Silva, pesquisadores da Universidade de Santa Catarina. Isso é associado às características  particulares de clima , solo e relevo, dentre outros fatores.
A produção baiana tem várias vantagens que também a credenciam à obtenção do selo de IG. No caso da bananicultura de Bom Jesus da Lapa, um dos argumentos invocados nos estudos é o de que o produto obtido no Projeto Formoso, da CODEVASF, é o “mais saudável” do nosso país, mercê do baixo número de aplicações  de pesticidas , entre 3 e 4 aplicações  anuais, ante cerca de  12 aplicações em outros estados. Por seu turno, a região em tela está localizada no vale do São Francisco, com elevadas temperaturas e luminosidade, e baixa umidade, o que permite  a obtenção de frutos com maiores teores de açúcar e baixa acidez, e, no caso da baixa umidade, há reduzida incidência e disseminação de fungos, doenças que causam pesadas perdas de produção, chegando em alguns casos a 50% de perdas. Em termos de doçura, os valores Brix são muito próximos aos observados em Corupá, entre 22,3 e 23, 31 graus Brix, em algumas áreas,  e acima de 23 graus Brix em zonas do submédio São Francisco, segundo dados de estudos de Marlon Rodrigues, Valtemir Gonçalves Ribeiro e outros autores da Universidade Estadual da Bahia. A EMBRAPA, em Cruz das Almas, tem, em seu banco de germoplasma, variedades Prata Anã com 26,2  graus Brix,  e de  banana Nanica com 24,2 graus Brix. Portanto, há muito espaço no melhoramento genético para ampliar ainda mais a doçura do produto de Bom Jesus da Lapa. O processo produtivo também inclui a colocação de sacos plásticos  em  volta dos cachos, ainda no pé, o que contribui para evitar sol excessivo, e proteção dos cachos contra doenças e ventos fortes.
Finalmente, as informações disponíveis dão  conta de que os estudos e produção de documentos exigidos pelo INPI encontram-se em fase adiantada, o que permite antever para breve o envio do pleito para análise órgão citado acima.
(1) Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP.  E-mail;  jose.macielsantos@hotmail.com