JOSÉ MACIEL- INFORMAÇÕES E PROJEÇÕES PARA O AGRONEGÓCIO

JOSÉ MACIEL- INFORMAÇÕES E PROJEÇÕES PARA O AGRONEGÓCIO
Apesar do atual contexto da pandemia,  das pressões de investidores estrangeiros aceca da política ambiental e do desmatamento , mormente na Amazônia, e de ameaças de boicotes por parte de empresas importadoras e de varejo, mais concentradas na Europa, as informações, cenários e projeções concernentes ao nosso agronegócio parecem animadoras, ao menos no presente e no horizonte de curto e médio prazos. Devemos antecipar , contudo,  que isso não autoriza uma atitude de subestimação das pressões acima nem de baixar a guarda na definição de medidas destinadas ao combate ao desmatamento ilegal.
Em matérias publicadas recentemente no Valor Econômico, podemos constatar informações interessantes acerca da evolução recente e perspectivas setoriais mais a frente
 No plano das exportações no corrente ano, a ABIOVE- Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, que congregas as principais Tradings agrícolas, prevê exportações  de 80 milhões de toneladas de soja, um acréscimo de 8% ante o registrado no ano passado (que foi de 74 milhões de toneladas ) e de mais 500 mil toneladas frente a projeção anterior para 2020, cravada em 79,5 milhões de toneladas. O impulso da forte demanda chinesa aqui é destacado na análise da ABIOVE. A  entidade acima citada estima ainda que a produção da oleaginosa na próxima safra (2020/21) alcançará uma marca de 130, 5 milhões de toneladas , ante 125, 5 milhões de toneladas na temporada atual, DE 2019/20. Algumas informações dão conta  também  de que metade da próxima safra , a ser colhida no primeiro semestre do próximo ano, já foi vendida , aproveitando a alta do dólar, e, no caso de Mato Grosso, já há registros de vendas de pequena parcela da safra  a ser colhida em  2022, num movimento inusitado de antecipação de vendas da produção , a ser plantada no segundo semestre de 2021.
Por outro lado, um estudo divulgado pelo Ministério da Agricultura/EMBRAPA também no referido jornal, prevê um cenário promissor de crescimento da produção de grãos de cerca de 30% nesta década, para algo próximo a 320 milhões de toneladas, sendo que a maior contribuição para o incremento virá do aumento da “produtividade total dos fatores”, que deverá crescer a taxa de 2,93% ao ano. O estudo dá conta ainda de um aumento de 16% na produção de carne bovina, de 27% na produção de carne suína e 28% para a carne de frango.
No caso da carne bovina, o Rio Grande do Sul, está perto de obter o status de zona “livre de febre aftosa sem vacinação”, se juntando até aqui a Santa Catarina, o único Estado brasileiro detentor desse título. Outros estados tendem a ir no mesmo caminho e a Bahia não deverá ficar de fora. Com isso , mercados mais exigentes poderão ser acessados pelo Brasil, a médio prazo.
Não obstante, esses cenários e projeções alvissareiras (se confirmadas, claro), as pressões sobre o desmatamento, especialmente na Amazônia,  seguem crescendo, e não convém, como se disse antes, subestimá-las, porque temos um bom ordenamento legal a ser cumprido e respeitado, especialmente o Código Florestal, e também porque teremos a ganhar em matéria de exportações, comércio exterior e reputação.
Nesse sentido, se afigura importante a adoção de algumas providências, como a suspensão imediata  de queimadas , sobretudo no bioma referido, por pelo menos 120 dias , o reforço  das estruturas de fiscalização dos órgãos ambientais, e a conclusão do CADASTRO AMBIENTAL RURAL, que será útil para se conhecer os imóveis em situação legal,  em termos de preservação dos coeficientes de florestas mantidas dentro dos preceitos do Código Florestal, e aqueles em situação presentemente irregular, mas que podem entrar nos programas de regularização  ambiental, previstos no aludido diploma legal , legalizando sua situação, além de subsidiar as informações acerca das cadeias de fornecedores das tradings agrícolas e frigoríficos, aumentando a sua confiança e a dos mercados e adicionando argumentos sólidos ante as acusações, em boa parte dos casos improcedentes,  de certas empresas estrangeiras importadoras , segundo as quais parte de nossas exportações provem de áreas ilegalmente desmatadas. Mas, o dever de casa não se encerra aí, mas passa também por outras medidas e  por outra postura do governo federal e do Ministro Ricardo Sales, tendo mais cuidado com certas declarações.
(1) Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP. E-mail:  jose.macielsantos@hotmail.com