ADARY OLIVEIRA- O GARIMPO DA RIQUEZA

ADARY OLIVEIRA- O GARIMPO DA RIQUEZA

Mesmo em tempos da desastrosa pandemia do novo coronavírus é possível encontrar extraordinários elementos de geração de riqueza, como os cinco que procuro descrever neste artigo. A Bahia parece abençoada pelos deuses e seu povo não pode nunca perder a esperança de ver um dia as coisas melhorarem.
O primeiro bloco de acontecimentos vem da Baía de Todos os Santos quando ressurge das cinzas o estaleiro construído na Enseada do Paraguaçu. Ele foi recentemente contratado para a montagem de dois navios de grande porte. Isso é de um valor imenso para os técnicos que trabalharam na sua edificação e para as populações de Nazaré e Maragogipe, os principais beneficiários diretos com o retorno de suas atividades. Mais do que isso, realimentam a esperança que temos de um dia ver as águas calmas, profundas e abrigadas da nossa baía serem mostradas para o mundo como local propício à expansão do diligente negócio de construção e reparo naval.
Essa notícia vem acompanhada do uso do seu terminal portuário para embarque de minério de ferro, extraído em Piatã, e da possibilidade de sua utilização pela Bamin. Junte-se a isso a ampliação do terminal de contêineres do Porto de Salvador e da movimentação de granéis líquidos por terceiros do Temadre, provavelmente sob a nova direção do Mubadala. Além do seu potencial turístico a maior baía tropical do mundo começa agora a ser cultivada como fonte geradora de outros empregos.
No segundo grupo, coloco a reativação do projeto da Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL), anunciado pelo Governo Federal. A importância dessa ferrovia não fica restrita ao empreendimento físico que liga o sertão ao mar, viabilizando a exploração e produção de minérios por onde passa, reduzindo os custos do escoamento da produção agrícola do rico oeste do Rio Francisco e da força vigorosa que dará à expansão espacial agrícola pelo serrado afora, mas especialmente por abrir na Bahia novo vetor de desenvolvimento econômico no sentido Leste-Oeste, retirando da Região Metropolitana de Salvador a primazia de concentração das atividades econômicas do estado.
O terceiro elemento, que considero do maior relevo, é a diligente e alvissareira instalação de unidades geradoras de energia renováveis e limpas, de incomensurável potencial, tendo como fonte o vento e a luz solar. A operação dessas usinas de energia eólica e solar fotovoltaica na Bahia já está gerando mais eletricidade do que todo o complexo da usina de Paulo Afonso e lidera esse tipo de transformação no Brasil. Se antes o Sol era apenas fonte de agravamento do flagelo das secas, e os ventos das alturas para pouco serviam, as coisas agora mudaram e essas forças passam a ser usadas como fonte de riqueza.
Reservo o quarto lugar para o já citado acontecimento de troca de dono da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em Mataripe. Nos últimos dias a Petrobras informou, que após dois grandes conglomerados internacionais apresentarem propostas para compra dessa refinaria de petróleo, avaliada em US$ 2,5 bilhões, foi aprovado início da fase de negociação dos contratos com a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi dos Emirados Árabes. Além da RLAM estão sendo vendidos os terminais localizados em Candeias, Itabua, Jequié e Madre de Deus, e cerca de 700 km da rede de dutos. Não podemos dizer que estamos insatisfeitos com a presença da Petrobras na Bahia, terra onde ela nasceu e prosperou, mas sua inércia aqui, sua opção pelo Sudeste, nos cria muita preocupação e desalento. Que os árabes sejam benvindos e que tragam forças para se unirem a nós brasileiros da Bahia.
Para completar os cinco blocos, não poderia deixar de citar a pujança do agronegócio. O aumento da produção de grãos, notadamente soja e milho, a firmeza do algodão de fibra longa, o plantio viçoso da fruticultura irrigada e, o potencial de expansão da produção de cana-de-açúcar nas terras planas das beiradas do rio, com a revolucionária técnica de gotejamento subterrâneo, alimentam com força todo nosso otimismo. Sei que os esteios do nosso desenvolvimento não se resumem aos cinco grupos aqui descritos, mas me sinto bem em destacá-los dentre outros tantos.
Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – adary347@gmail.com