ENTREVISTA – JORGE KHOURY PRESIDENTE DO SEBRAE-BA

ENTREVISTA - JORGE KHOURY PRESIDENTE DO SEBRAE-BA

Bahia Econômmica – Como o senhor avalia o longo período que o comércio foi obrigado a fechar as portas por causa da pandemia?

Jorge Khoury – Entendemos que as medidas restritivas determinadas pelo poder público foram necessárias em meio a um contexto de pandemia. A preservação da vida sempre deve estar em primeiro lugar e, por isso, esse foi um remédio amargo, mas necessário para evitar uma tragédia ainda maior. É claro que temos plena consciência das consequências econômicas que essas medidas trariam. Fundamental é que, nesse momento, governos, instituições, órgãos competentes e a sociedade como um todo se una para que os impactos da crise possam ser atenuados. No que cabe ao Sebrae, mantivemos nosso total apoio aos pequenos negócios, que estão sendo duramente afetados pela crise. Nosso conteúdo vem sendo direcionado para que eles encontrem alternativas para superar esse momento, ao tempo que também possam se preparar para um novo contexto no cenário pós-pandemia.

BE- O senhor acredita que os bancos públicos e particulares disponibilizaram credito suficiente para as empresas sobreviverem nesse período?

JK- A dificuldade de acesso das micro e pequenas empresas ao crédito não é nenhuma novidade. O que esperamos, antes mesmo de se falar em recursos, é que, num cenário tão adverso como o atual, os donos de pequenos negócios pudessem encontrar formas mais facilitadas de obter financiamentos. Até porque, pesquisas realizadas pelo Sebrae mostram que os empresários apontam o crédito como uma alternativa para manterem as portas abertas. Ou seja, para muitos, ter acesso ao recurso é uma forma de sobreviver, mas muitos empresários seguem recebendo respostas negativas. A grande questão é que a velocidade da resposta não acompanhou a urgência da demanda. O Pronampe talvez tenha sido uma das respostas mais efetivas para as micro e pequenas empresas com relação ao crédito. No entanto, para se ter uma ideia dessa urgência, os recursos do Banco do Brasil e da Caixa destinados ao programa, que somados chegavam a quase R$ 7 bilhões, já se esgotaram. As duas instituições informaram que injetarão mais recursos. Por outro lado, os bancos privados ainda não ofertaram crédito por meio do Pronampe. Então, acreditamos que é primordial superar os entraves que dificultam o acesso dos pequenos ao crédito.

BE- o Sebrae vai realizar um grande evento on-line voltado ao micro e pequeno empresário. Como o senhor acredita que essas ações podem ajudar ao empresário?

JK –A Semana Sebrae de Capacitação Empresarial que, tradicionalmente, é realizada em grandes espaços, sempre com uma presença significativa de público, dessa vez, vai acontecer num formato totalmente online, em função da pandemia. É um evento que o empreendedor baiano já está bastante familiarizado. Este ano, os conteúdos foram preparados para, justamente, auxiliar os empresários na retomada de seus negócios, considerando todas as mudanças impostas nesse período, que, inclusive, podem permanecer no cenário pós-pandemia. Por exemplo, a presença digital, que até então tratávamos como uma forte tendência, durante a pandemia tornou-se uma necessidade de sobrevivência das empresas. Os donos de pequenos negócios terão que se adequar a uma nova realidade e a Semana Sebrae, que acontece de 27 a 31 de julho, vem intensificar os conteúdos com os quais já estamos trabalhando desde março, para preparar os empresários a, primeiro, terem estratégias para superar a crise e, com isso, retomarem o caminho do desenvolvimento dos seus negócios.

BE- Qual a sua opinião sobre o fato de governo e prefeitura adiarem muito a isenção de impostos para os empresários que tiveram suas portas fechadas nesse período de pandemia?

JK- As instituições públicas, assim como toda a sociedade, foram desafiadas a encontrar respostas e dar soluções de forma inesperada, num contexto sem precedentes para as nossas gerações. Acredito que os esforços, planejamentos, adaptações e alternativas foram sendo implementadas pelos gestores na medida que o cenário se delineou, não permitindo uma generalização. Para o Sebrae, a defesa de um ambiente de negócios mais favorável tem sido um trabalho constante junto aos governos e se intensificou com a chegada da pandemia.

BE- Na sua opinião o trabalho home-office deve crescer no período pós pandemia?

JK – A tendência é que, não apenas o trabalho home office, como também o atendimento remoto, com vendas online e serviços de delivery, continuem crescendo no período pós-pandemia. Esse é um dos aspectos principais que tratamos com os empresários. É necessário adequar-se a novos hábitos de consumo, que se intensificaram durante a pandemia, a exemplo das compras online. Observamos que algumas dessas mudanças impostas pela pandemia vieram para ficar e os empreendedores precisam se adaptar agora para se preparem ao que vem depois, no momento em que as atividades forem plenamente retomadas.

Foto: divulgação