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A FIOL E O FUTURO DA BAHIA
A FIOL E O FUTURO DA BAHIA

As lideranças empresariais e políticas da Bahia precisam se mobilizar para garantir que os candidatos à presidente da República coloquem a conclusão da FIOL – Ferrovia Oeste-Leste como prioridade de governo. E não apenas o trecho principal, ligando Ilhéus a Caetité, mas também os trechos 2 e 3 ligando Caetité a Barreiras e depois a Figuerópolis, no Tocantins. Se chegar até Barreiras,  a ferrovia estará a cerca de 400 quilômetros da área de produção agrícola mais nobre do Brasil e próxima da Ferrovia Norte-Sul o que vai permitir que a produção de grãos da região possa sair pelo portos baianos.

Em Figuerópolis, a Fiol, entroncará com a Ferrovia Norte-Sul e a FICO – Ferrovia de Integração Centro-Oeste, assim os portos da Bahia estariam na rota por onde escoará o grosso da produção brasileira de grãos, colhida nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e estimada em mais de 60 milhões de toneladas. Se isso for feito, a Bahia estará integrada totalmente às rotas brasileiras de exportação e a futura ferrovia Biocênica, que mais cedo ou mais tarde será construída.

Dito isso, vale lembrar que a mineradora Vale, para conseguir do governo federal a renovação de suas concessões, está se comprometendo a realizar a construção da FICO – Ferrovia de Integração Centro-Oeste, ligando o Mato Grosso a Goiás na altura de Campinorte, ao custo de R$ 4 bilhões, que serão bancados integralmente pela empresa privada. Ora, cabe de imediato perguntar que critério o governo federal está utilizando para trocar a renovação da concessão da Vale pela construção do trecho que beneficia os estados do Centro Oeste, e por que privilegiou esta ferrovia e não outra como,  por exemplo, a nossa Ferrovia Oeste-Leste?

A Bahia deveria estar esperneando frente a essa permuta, como, aliás, estão esperneando os governos do Pará e do Espírito Santo que, no primeiro caso, pleiteia a conclusão do trecho final da Norte-Sul, e, no segundo, a ligação com o Rio de Janeiro. As obras de construção da FIOL começaram em 2011 e atualmente, sete anos depois, o trecho principal tem apenas 72% concluído, enquanto os demais trechos estão praticamente intocados. Dada a urgência da obra, pois se outros trechos forem construídos antecipadamente se estabelecerão como rotas de exportação, é urgente que os candidatos a governador apresentem seus planos para concluir a obra e mostrem de que maneira vão comprometer os candidatos à presidente com sua conclusão.

Além disso, é preciso que os governantes baianos sejam capazes de enfrentar a poderosa Vale cuja  concessão ferroviária em território baiano – uma ferrovia ligando Salvador a São Paulo e outra ligando Juazeiro a Salvador – estão se degradando ano a ano, sem qualquer investimento de porte. Em resumo: a implantação da Fiol e a recuperação da malha ferrovia administrada pela Vale são ações prioritárias para o futuro da Bahia.

                                           OS ARGENTINOS E O TURISMO

Como registramos na semana passada, mais de 100 mil argentinos visitaram a Bahia no ano passado, o que significa dizer que 65% dos turistas estrangeiros que aportaram aqui são provenientes do país vizinho. Para se ter uma ideia da magnitude do número, basta ver que os turistas provenientes de Portugal foram pouco menos de 12 mil, representando cerca de 7,5% do total,  seguidos dos italianos com 6,1%,  alemães, representando 5%, e espanhóis com 2,3%. A Europa toda participa com 32% do turismo estrangeiro na Bahia.

O Estado pode aumentar o número de argentinos que vem para o nosso estado. Para isso basta promover o destino Bahia naquele país, principalmente com anúncios televisivos, e viabilizar acordos com empresas aéreas, hotelaria e agências de turismo para estimular a vinda para cá dos mais de 2 milhões de argentinos que todo ano vão para o Sul e Sudeste do país de carro. O turista argentino sempre fica em hotel, apenas 25% prefere alugar uma casa, e o gasto médio com lazer é relativamente alto, comparado, por exemplo, com o turista nacional.

                                                  JUTAHY E A CHAPA DO DEM

Há mais mistérios na política baiana do que sonha nossa vã filosofia. Um exemplo foi a declaração do deputado federal Jutahy Magalhães, candidato a senador na chapa do DEM,  que esta semana afirmou em alto e bom som que não quer o Irmão Lázaro como seu companheiro de chapa na candidatura ao Senado. Ora, na Bahia, nas eleições majoritárias para o Senado, tradicionalmente são eleitos dois candidatos da mesma coligação, assim seria bom para o candidato Jutahy Magalhães ter um outro candidato puxador de votos na chapa. Por que então rejeitar o Irmão Lázaro, detentor de forte capital eleitoral? Fonte ligada a esta coluna, garante que existe aí uma estratégia política e que Jutahy, com o apoio do PSB,  estaria apostando na quebra da tradição e investindo na hipótese de, pela primeira vez em muitos anos,  saírem vitoriosos no pleito um candidato do governo, no caso Jaques Wagner, e um candidato da oposição, no caso ele. A hipótese faria com que o outro candidato do governo, Ângelo Coronel, que, segundo a senadora Lídice da Matta e o deputado Marcelo Nilo, não terá o voto do PSB, fosse atropelado pela dobradinha Wagner/Jutahy. E esse cenário, exigiria que o companheiro de chapa do deputado do PSDB na disputa pelo Senado estivesse ali apenas para cumprir tabela. A estratégia parece pouco factível, (seria feita à revelia de Wagner?), sendo mais provável que o veto do candidato do PSDB esteja ligado a princípios ou a estratégias de campanha, mas que dá para ficar com uma pulga atrás da orelha, isso dá.

                                                   WAGNER CANDIDATO

Embora a imprensa do Sudeste do país continue afirmando que ele é o candidato preferido do ex-presidente Lula para substituí-lo em uma disputa presidencial, o ex-governador Jaques Wagner já declarou reiteradas vezes que não é candidato e que pretende disputar uma vaga no Senado pela Bahia. No entanto, todos querem Wagner e José Dirceu, que já não esconde de ninguém que ele é o candidato preferido pela maioria dos militantes do PT, estaria tentando convencê-lo a aceitar a empreitada, mostrando que o candidato indicado por Lula terá pelo menos 20% dos votos, especialmente se ele for do Nordeste, o que é quase uma garantia de estar no segundo turno. Na verdade, o nome de Wagner cresce a cada dia por conta de um movimento anti-Haddad, já que militantes e lideranças do PT sugerem que o ex-prefeito de São Paulo seria uma Dilma melhorada, mas com a mesma rigidez da ex-presidente no que se refere ao trato da política e dos políticos.

                                                     FAKE NEWS

Fake News, essa é a praga do mundo moderno e a luta contra elas não será uma batalha fácil, tamanho é o seu poder deletério. O problema com relação as Fake News é que só se pode fazer alguma coisa contra elas, ex post, após a mentira ter sido jogada na rede. É preciso descobrir uma forma de agir ex ante, afinal, como disse  Winston Churchill,  “ uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”.

LUCASL LEAL- PANORAMA DO MERCADO : COMEÇANDO O SEGUNDO SEMESTRE
LUCASL LEAL- PANORAMA DO MERCADO : COMEÇANDO O SEGUNDO SEMESTRE

 

Estamos de volta com o Panorama!

Tivemos a terceira semana seguida de alta para a bolsa brasileira, o Ibovespa continuou mostrando força e terminou o período com valorização de +2,11%.

No Brasil, com o fim da copa do mundo os holofotes vão se direcionar cada vez mais para a campanha política. A disputa ainda está bastante incerta sem um favorito claro  e será o principal destaque do segundo semestre. O mercado de juros futuro diminuiu um pouco a volatilidade e está projetando somente uma alta de 0,25% na Selic até o final do ano.

No cenário internacional, a China anunciou superávit comercial de U$ 41 bilhões, o resultado alimentou temores de novas sansões por parte do Governo Trump. Nos EUA os dados continuam mostrando que a economia permanece em ritmo forte, as principais bolsas americanas estão voltando para o patamar de máxima histórica.

Na semana que se inicia, no Brasil, teremos a divulgação dos dados de inflação. Nos cenário internacional, o destaque é a reunião de Trump com Putin. Na China, será divulgado o PIB do segundo semestre.

 

Momento do Mercado

Os preços respeitaram o suporte dos 69 mil pontos, montaram um pivot de alta de curto prazo e iniciaram uma alta até a primeira resistência dos 76,8 mil pontos.

Caso a resistência dos 76,8 mil pontos seja rompida, o próximo objetivo de alta estará nos 78,9 mil pontos.

Caos a resistência seja respeitada o alvo da queda estará nos 72,9 mil pontos.

Bons Investimentos,

 

LUCAS LEAL

 

ARMANDO AVENA : BAHIA: A INVASÃO DOS ARGENTINOS
ARMANDO AVENA : BAHIA: A INVASÃO DOS ARGENTINOS

Os argentinos invadiram a Bahia. Em 2017, mais de 100 mil hermanos vieram curtir a beleza e a cultura da nossa terra, um aumento de 42% em relação ao passado, representando 10% do total de residentes daquele país que vieram ao Brasil por via área. O dado impressiona e mostra o potencial turístico do Estado que poderia ser mais explorado tanto pelo trade turístico, quando pelo poder público. O produto Bahia é o melhor do país em termos de turismo internacional e se fosse ampliada a rede de voos internacionais estaria entre os mais visitados destinos do mundo. A Bahia perdeu a oportunidade de sediar vários “hubs” de empresas aéreas, está há muito tempo sem ter um Centro de Convenções, o aeroporto da capital passou anos abandonado e, ainda assim, permanece  como o 3o principal polo receptor de turistas estrangeiros do país por via aérea e porta de entrada dos turistas estrangeiros no Nordeste.

Mesmo com todos esses problemas, a Bahia recebeu 157 mil turistas estrangeiros no ano passado, um aumento de 19% em relação a 2016, praticamente o dobro do fluxo turístico de Pernambuco. O problema é que o fluxo de turistas estrangeiros que se destina a Pernambuco está crescendo mais do que na Bahia e aumentou em 33% no ano passado, como resultado de uma política agressiva de atração de voos internacionais. A Bahia também tenta ampliar suas rotas internacionais e com a privatização do aeroporto de Salvador pode deslanchar esse processo, mas precisa ser mais agressiva. Precisa ser mais agressiva também no turismo marítimo, afinal, ninguém entende por que Pernambuco recebe duas vezes mais turistas estrangeiros por via marítima do que a Bahia.  Além disso, não se pode dar às costas ao turismo de negócios já que, sem o centro de convenções, o Estado, que sediou 27 eventos internacionais em 2007, recebeu apenas 7 no ano passado.

Os dados são do Anuário Estatístico do Ministério do Turismo 2018, divulgados esta semana, e mostram   que a Bahia tem enorme potencial turístico, mas precisa estabelecer políticas e ações efetivas para o setor. Pode-se, por exemplo, ampliar o fluxo de argentinos, atraindo uma parte dos mais de 2 milhões de hermanos que por ano aportam no Sul do país; dobrar o número de turistas europeus, especialmente os portugueses, e recuperar o mercado dos Estados Unidos, cujo fluxo turístico caiu de 2 mil americanos por ano para pouco mais de 150 turistas em 2017. A Bahia é o maior polo de turismo estrangeiro do Nordeste, o 3º maior do país no modal aéreo, mas precisa abandonar o amadorismo e fazer turismo de forma profissional.

O PATRIMONIALISMO E O TCA

Se o leitor quiser assistir a melhor ópera do mundo, no melhor teatro do mundo, na melhor poltrona desse teatro, basta ir ao Lincoln Center em Nova York, na alta temporada, e pagar cerca de 3 mil dólares para sentar na melhor poltrona do local. Mas poderá também, no mesmo teatro, pagar cerca de 30 dólares e sentar no 5º pavimento, atrás de uma coluna, onde muito mal se vê o nariz da soprano. Fica claro que os EUA é um país capitalista e nele é o dinheiro que define os privilégios.  No Brasil é diferente. No Teatro Castro Alves, por exemplo, o melhor lugar da plateia, num patamar alto em frente ao palco, é cercado e não há dinheiro que pague as poltronas que ali estão, pois o local é reservado aos governadores e seus convidados. Fica claro que o Brasil é um país patrimonialista e nele é o poder estatal que define os privilégios, até porque o poder econômico se confunde e se embaralha com o poder do Estado. Não sei o que é melhor ou pior, mas é assim, com certo simplismo e um certo reducionismo, que explico aos meus alunos a diferença entre um país capitalista e um país patrimonialista.

INVESTIMENTO CHINÊS NA BAHIA

O primeiro investimento chinês na Bahia de grande porte não será na Ferrovia Oeste-Leste, nem na Ponte Salvador- Itaparica, mas sim em duas termoelétricas no município de Dias D’Ávila. O grupo chinês Jiangsu Communication Clean Energy Technology (CCETC) vai investir R$ 400 milhões no projeto, mas o retorno é certo e as empresas compradas começam a operar em outubro de 2020. Fica o recado: investidor chinês conversa, conversa, mas só coloca dinheiro em projeto com retorno garantido.

PREFEITURA TEM CRÉDITO

A Prefeitura de Salvador assinou esta semana um contrato de USS 125 milhões com o Banco mundial para as áreas de saúde, educação e assistência social, o primeiro contrato assinado com a tradicional instituição que financia projetos de desenvolvimento.  Antes, já havia assinado dois financiamentos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e  negocia empréstimos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento para a América Latina. Para uma Prefeitura que vivia inadimplente, como ficha suja no cadastro de mau pagadores, e não tomava empréstimos nem nacionais, nem internacionais é um avanço digno de nota, afinal a prefeitura agora tem capacidade de pagamento e de endividamento.  Ponto para o Chefe da Casa Civil da Prefeitura, Luiz Carreira, que com sua larga experiência em negociação de empréstimos nacionais e internacionais, desde a época em que foi secretário de Planejamento do Estado, montou um eficiente sistema de captação de recursos.

OS MENINOS DA TAILÂNDIA

Este cronista, e o Brasil inteiro, ficou comovido com a luta travada pelos meninos da Tailândia para saírem com vida da caverna em que ficaram encarcerados e foi bom ver a solidariedade de pessoas e países para com o drama que eles enfrentaram. Mas alguns neurônios impertinentes ficaram martelando em sua cabeça uma pergunta inoportuna: por que o Brasil se comove tanto ao ver em perigo a vida de 10 crianças no outro lado do mundo e não dá a menor atenção a vida de milhares de crianças da mesma idade que vivem aqui mesmo e cujas vidas se perdem todo dia nas violentas cidades brasileiras?

O  DEPUTADO BAIANO E AS ESTATAIS

Acabou no último dia 30 de junho o prazo previsto na Lei 13.303/2016, denominada Lei das Estatais, para que todos os entes públicos, inclusive os governos estaduais, ajustem suas empresas às novas regras previstas na lei, mas nada foi feito, nem na Bahia, nem na maioria dos Estados. Um dos artigos da lei busca profissionalizar a gestão dessas empresas e proíbe indicações políticas para a diretoria e conselhos de administração. Mas uma emenda do deputado baiano José Carlos Araújo(PR), aprovada nesta quarta-feira em votação simbólica, revogou o artigo. Agora o projeto vai para o Senado e se for aprovado e não tiver o veto do Presidente Michel Temer, tudo voltará a ser como dantes no quartel de Abrantes e o “quem indicou” voltará a ter importância nos currículos dos diretores de estatais baianas e brasileiras.

ADARY OLIVEIRA- AS 7 OBRAS INACABADAS
ADARY OLIVEIRA- AS 7 OBRAS INACABADAS

O número 7 tem significado definido como místico, mágico e metafórico. Desde a citação bíblica dos 7 pecados capitais, das 7 maravilhas do mundo, dos 7 dias da semana e das 7 cores do arco-íris, aos folclóricos 7 vidas do gato, pintar o 7, o 7 é conta de mentiroso,  e no futebol, esquecendo o 7 x 1, das 7 partidas que a seleção precisa jogar na Copa para ser campeão mundial e do cara que toca 7 instrumentos, que o 7 se distingue dos demais algarismos. Isso sem falar da numerologia particular de cada um de nós. Eu, por exemplo, sem esgotar as coincidências, tenho muitos setes em minha vida. Éramos 7 irmãos, morei numa pensão na Av. 7 de setembro 343 (7 ao cubo). Dos nove algarismos arábicos significativos que usamos a regra para saber se um número é múltiplo de sete é a única complicada.

Existem muitas obras que entra governo e sai governo e elas continuam inacabadas. Escolhi as 7 mais importantes e prometo retira-las da lista à medida que forem sendo concluídas. Não que a as suas realizações levem todos os pobres a ascenderem à classe média, mas melhoraria a vida de muita gente e daria outro significado à nossa combalida economia. Segue a relação que escolhi.

  1. Construção da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) – importantíssima para escoamento da produção de minérios e de produtos agrícolas do Oeste do Estado, criando um importante vetor de desenvolvimento para a região;
  2. Instalação do Porto Sul, nas proximidades de Ilhéus – porto offshore na ponta extrema da Fiol, assegurando o escoamento de produtos destinados a outras regiões do país e no exterior, capaz de atrair novos investimentos produtivos;
  3. Ampliação do Porto de Aratu-Candeias – dos três terminais graneleiros, de sólidos, de líquidos e de produtos gasosos, o Terminal de Granéis Líquidos (TGL) é o mais crítico. A lentidão da carga e descarga faz com que os proprietários das mercadorias sejam penalizados com elevadas multas (demurage);
  4. Aumento da capacidade do Terminal de Contêineres (Tecon) do Porto de Salvador – muitos dos bens produzidos na Bahia, a exemplo dos grãos exportados pelo Porto de Paranaguá (PR), das frutas exportadas pelos Portos de Pecém (CE) e Suape (PE), das rochas, pedras ornamentais e celulose, exportados pelos portos do Espírito Santo, por deficiências que tornam o Porto de Salvador menos atrativo do ponto de vista operacional, trazem prejuízos incalculáveis para a Bahia;
  5. Recuperação da Hidrovia do Rio São Francisco – o desenrocamento, a retificação da margens e dragagem dos bancos de areia, entre Pirapora e Juazeiro, trariam de volta ao setor de transporte este importante modal, reduzindo custos, integrando microrregiões e contribuindo para perenização do Rio da Integração Nacional;
  6. Extensão das linhas de transmissão de energia elétrica – o atraso na construção de novas linhas de transmissão de energia elétrica tem retardado a implantação de novos parques de geração eólica e fotovoltaicas;
  7. Construção da Ponte Salvador-Itaparica – recém colocada no papel, tida pelos seus autores como importante eixo de ligação de Salvador com o Baixo-Sul da Bahia, entrou para a lista de projetos inacabáveis e, pelo jeito, deve permanecer aí por algum tempo.

Não se pode deixar de reconhecer os esforços que estão sendo feitos para se obter bom andamento e conclusão dessas obras, como aconteceu com o Metrô de Salvador e ampliação do Aeroporto, que saíram da relação de obras inacabadas. Mas também se permite dizer que a fila de espera persiste, e deve ficar inalterada por muito tempo. Prometo manter a lista atualizada, fazendo inclusões e exclusões, mas mantendo a relação com 7.

 

Adary Oliveira

Presidente da Associação Comercial da Bahia

A. AVENA: NELSON RODRIGUES E A PÁTRIA DE CHUTEIRAS
A. AVENA: NELSON RODRIGUES  E A PÁTRIA DE CHUTEIRAS

O Brasil tem horror aos heróis. Aqui, ao sul do Equador, aquele que se atrever a dar sua alma por um ofício, uma causa ou uma vontade, e com isso tornar-se  brilhante e destacado naquilo que faz, corre o risco de ser avacalhado ao primeiro descuido. E avacalhar é uma expressão bem brasileira que significa diminuir a importância de algo ou alguém, talvez na vã ilusão de que assim todos se igualam.  Nelson Rodrigues percebeu isso com perfeição ao dizer que o brasileiro é “um povo que berra o insulto e sussurra o elogio”.

Nesse momento, por exemplo, o herói brasileiro é Neymar e nos três primeiros jogos o craque foi espezinhado. Berrou-se todo tipo de insulto, desde ofensas à sua masculinidade por conta do cabelo enfeitado, até criticas ao seu caráter, supostamente afeito a quedas e dissimulações, e mesmo à sua capacidade técnica. Na partida contra o México, no entanto, Neymar mostrou toda sua virtuose e aí, sem ter como berrar o insulto, sussurrou-se o elogio. Diferente de outros povos que exaltam exageradamente seus heróis – e tanto Cristiano Ronaldo quanto Messi, apesar de endeusados, tiveram desempenho pífio nessa Copa –, o brasileiro tende a depreciar as qualidades do seu ídolo e destacar sua imperfeição.

Não foi assim com o próprio Nelson Rodrigues, que foi execrado no Brasil por causa de suas posições políticas, embora fosse um dos mais importantes dramaturgos do mundo, digno de estar no pódio ao lado de Tennessee Williams e Eugene O’Neill? Não é assim com Chico Buarque, um dos maiores músicos populares de todos os tempos, e que anda por aí sendo execrado nas ruas e nas redes sociais simplesmente por ter a liberdade política de escolher? Bem diferente de Jorge Luiz Borges, que foi um reacionário empedernido, mas poucos argentinos se prestam a denegrir a imagem daquele que foi um dos maiores escritores de todos os tempos.

E o Brasil é tão curioso que alguns brasileiros desmerecem o esporte em que são os melhores do mundo, alguma coisa próxima a ingleses detestando o críquete  ou americanos amaldiçoando o rugby. E em prol da duvidosa ideia de que  o futebol aliena o povo, muitos torcem contra seleção na vã ilusão de isso terá qualquer efeito político. Mal sabem eles que nosso futebol, como nossa música, nos engrandece e nos põe no mundo como vencedores. Nelson Rodrigues percebeu isso e em 1958, declarou: “O triunfo, na Suécia, em 58, foi para nós tão importante como a Primeira Missa. Começava o Brasil. Nós nos inaugurávamos. Tudo o que ficava para trás era o pré-Brasil. E basta comparar. Até 58, o brasileiro não ganhava nem cuspe à distância. O sujeito dormia enrolado na derrota como num cobertor. Ninguém acreditava no Brasil, nem o Brasil acreditava em si mesmo”.

Nelson tinha razão, ganhar a Copa aumentou a auto-estima do Brasil. E por cinco vezes, o futebol mostrou ao mundo que o Brasil podia ter o destino dos vencedores. Nesta sexta-feira, a seleção brasileira volta a campo e mais uma vez para enfrentar os europeus que, é sempre bom lembrar,  estão muito aquém dos brasileiros quando o assunto é música, futebol, criatividade e festa e isso nos diferencia e torna único nosso povo. É verdade que podemos perder, e até dar um vexame como aquele frente à Alemanha, mas é bom saber que dessa vez foi a poderosa Alemanha que voltou para casa com o rabo entre as pernas.

Além disso, perder faz parte do jogo, faz parte vida. No futebol, como na vida, as vezes a gente perde, as vezes a gente dá vexame, mas as vezes a gente ganha e o grito da vitória ensina tanto quanto o choro da derrota. O Brasil vai entrar em campo nesta sexta-feira e enfrentar a Bélgica e,  perdendo ou ganhando, o escrete canarinho, como Nelson Rodrigues chamava a seleção, é quem abriga nossos heróis por isso a pátria tem de estar de chuteiras, não importa qual seja o resultado da peleja.

                                                      WALDIR PIRES

No último dia 25, ao  chegar ao Jardim da Saudade para despedir-me de Waldir Pires – um herói da política brasileira, forjado num tempo em que ainda havia heróis na política – lembrei-me de Friedrich Hegel. Hegel baseou sua ideia de Estado no binômio razão e liberdade e num corpo de funcionários virtuosos, capaz de colocar o interesse público acima do interesse privado. Waldir Pires foi um político hegeliano que colocou a liberdade acima de tudo e que sempre agiu de modo a que o interesse público estivesse acima do interesse privado. Waldir era um democrata, naquilo que há de mais puro no termo.

E se muitas vezes concordei com ele, outras tantas divergi, mas Waldir permitia o contraditório, só não transigia com os princípios que davam corpo à sua atuação política. Se no trato com a política Waldir foi um modelo de homem público, no âmbito familiar foi um exemplo de pai, marido, avô e bisavô. Mesmo passando por momentos históricos dramáticos, mesmo sofrendo com o exílio, Waldir e Yolanda mostraram que é possível fazer política e ao mesmo tempo consagrar a vida a família. Foi um casal especial na política baiana e ambos terminaram a carreira o mais próximo possível do povo que amavam, exercendo  mandatos de vereador na Câmara Municipal de Salvador. Mas Waldir e Yolanda não morreram,  por sua trajetória, pela luta em prol da Bahia, seguem encantados, brilhando na nossa história.

                                                    CIRO E O DEM

O Prefeito ACM Neto já não esconde de ninguém sua preferência por uma aliança com Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência da República. A alternativa seria apoiar o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mas tanto o ex-governador de São Paulo quanto o seu partido estão definhando em todo país. Há resistências em apoiar Ciro e problemas em estados como Rio de Janeiro e Bahia, onde o PDT apoia o governador Rui Costa, mas nada que não possa ser resolvido com boas conversas. Na Bahia, o apoio do DEM é fundamental para Ciro Gomes, afinal, sem ele, o presidenciável não terá palanque no Estado. Com isso, a eleição na Bahia pode ser com ou sem emoção. Se o DEM pender para Ciro Gomes vai ter emoção, se não…

                                           BAHIA: UM PROGRAMA PARA A ECONOMIA

 Os candidatos à governador precisam apresentar um programa de governo estruturado para a Bahia. A economia baiana vem perdendo dinamicidade nos últimos anos e essa tendência precisa ser revertida. Entre 2006 e 2016, por exemplo, o crescimento acumulado do PIB baiano foi de 20,4%, bem abaixo do crescimento nacional, que foi de 26,6%, segundo dados da SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais. Os candidatos precisam dizer o que vão fazer para retomar o dinamismo da economia baiana. E é sempre bom lembrar que não se faz plano de governo visitando cada município e listando suas demandas. É preciso mais, é preciso definir a meta, escolher a  estratégia e dizer de onde virão os recursos.

MILTON CEDRAZ- A ETERNA CRISE BRASILEIRA
MILTON CEDRAZ- A ETERNA CRISE BRASILEIRA

O Brasil imperial vivia, até certo ponto, em uma maré mansa, de um regime monárquico parlamentarista, governado por um estadista, fornido pela escola austríaca dos Habsburgo, quando, de repente, sofre um mambembe golpe de estado, restrito ao Rio de Janeiro, capitaneado por um punhado de oportunistas, Rui Babosa incluso.

 Em 1840, quando D. Pedro II subiu ao trono, 92% da população brasileira eram de analfabetos. Em 1889, ao ser deposto, legava o feito de tê-la reduzido para 56%. Tudo devido a seu grande incentivo à cultura e à obstinada vontade de tirar o império dessa triste situação, embora para uma nação, em início de formação, fosse perfeitamente compreensível! Para isso, determinou a implantação de numerosas escolas, país a fora, tendo como modelo o excelente colégio Pedro II. Determinou inclusive a implantação de faculdades.

Por sua política de incentivo à implantação de diversos serviços, no campo da infraestrutura básica, o Brasil, já em 1880, galgava a posição de 4ª economia do mundo e o nono maior império. Isso porque, a partir de 1860, a taxa de crescimento do país era de 8,81 em média, ao ano.  Em 1880, o número de impostos era de 14, enquanto hoje é de 98, com taxa de crescimento ridícula. De 1850, até a saída de Pedro II, a média da inflação era de 1,08% a.a. Por volta do ano de 1880, a moeda brasileira tinha o mesmo valor, tanto do dólar quanto da libra esterlina! Enquanto sua marinha atingia o patamar da segunda do mundo.

 Ao lado disso, o Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo do mundo, a partir de 1860 até 1889, a ter ensino especial para deficientes auditivos e visuais.

 Devido aos incentivos proporcionados pela politica econômica adotada pelo imperador Pedro II, o Brasil passou a ser o maior construtor de estradas de ferro do mundo, à época, com mais de 26 mil km implantados. Todos construídos e operados pela iniciativa privada, sem nenhum centavo do setor público!

 A credibilidade, na seriedade e competência da monarquia, era suficiente para que os empresários da época, especialmente os ingleses, continuassem investindo. Com isso, investiram em ferrovias, portos, transporte por cabotagem e urbano, energização das cidades, especialmente em iluminação pública. Até em limpeza pública, quando D. Pedro II incentivou o investidor francês Pedro Aleixo Gari, – daí a designação daqueles que trabalham na varrição das ruas de gari – a implantar um sistema de limpeza pública, no Rio de Janeiro, visto por ele na Europa.

Releve-se ainda que a marca registrada de D. Pedro II era a prática espartana, imposta por ele, em todas as atividades do império, costume, duramente criticado pela imprensa, livremente praticada, fato esse que, republicanamente, foi totalmente abolido pelos governantes que lhes seguiram. Tanto que a farra com dinheiro público tornou-se competitiva entre os poderes!

Se tivéssemos dado continuidade ao seu programa de ferrovias, hoje, seguramente, teríamos uma das maiores malhas ferroviárias do mundo e não teríamos um custo de transporte tão alto e tão ineficiente. Não teríamos, portanto, passado pelo vexame da chamada “greve dos fretes”. Por outro lado, toda a firme e gradual politica econômica praticada pelo império, veio abaixo com a politica econômica, de cunho populista, o “encilhamento”, instituída pelo Ministro da Fazenda da desabro chante república, Rui Barbosa. Resultado, um ano depois estourou a bolha e toda sólida política econômica construída pelo império, veio por agua abaixo.

São politicas econômicas destemperadas desse tipo que têm levado o Brasil aos descaminhos mais absurdos e à eterna pobreza, ignorância e, sobretudo, aos Prêmios Nobel da corrupção. Custos exorbitantes com parlamento, judiciário e, particularmente, com os excrementos produzidos pelos mais abjetos privilégios, num permanente acinte à pobreza por eles produzida, enquanto a caravana passa. Não é atoa que muitos ideólogos defendem um estado grande para permanecerem mamando em suas têtas, como o fazem agora, escorados em altos salários, penduricalhos e aposentadorias milionárias. Por outro lado, nunca se viu nenhum dos que se arvora em defender os pobres e necessitados, uma vez por eles eleitos, subir em tribunas e ir à imprensa, para denunciar o descalabro dessas absurdas e acintosas mordomias, das quais também desfrutam.

 Todos praticando, mansamente, o ditado popular de que “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Todos protegidos por legislações que os resguardam e os diferenciam dos demais. Principalmente aqueles que o Estatuto do Funcionalismo Público cobre com o manto dos privilégios, diferenciando-os dos pobres mortais que podem ser demitidos, ter o ponto cortado, trabalhar oito horas e não poucas horas semanais com salários astronômicos e mil mordomias, pagos com os impostos gerados por quem produz e não se locupleta.

Demonizam os produtores em geral, os rurais em especial. Quem afinal gera emprego sustentável? O governo gera empreguismo, isso sim! Não sustentável, por si próprio, mas sim, pelos impostos gerados pela produção e pelo consumo em geral.

Os próprios defensores do estado total, no final se transformarão em algozes das massas não privilegiadas.

O Brasil jamais crescerá, satisfatoriamente, nas mãos desses parasitas que, além do mais, surrupiam dinheiro público, de todas as formas, e, não satisfeitos com todas as mordomias que se auto atribuem, ainda roubam, descaradamente, com a complacência ou conluio do legislativo e dos tribunais diversos, em especial, das altas cortes do judiciário e dos parlamentos que, queiram ou não, são coniventes por também se enchafurdarem em toda sorte de privilégios e assim, agindo como qualquer indivíduo que compra produtos piratas.

A nossa cultura popular, sem ajuda deles, pelo menos nos levou aos prêmios Nobel do futebol, já que deles esperava-se os incentivos para gerar Nobel, na ciência, na literatura, na tecnologia e quejandos. Pelo contrário, o que se vê é o incentivo ao charlatanismo a partir de faculdades públicas e até universidade, onde sequer se tem corpo docente, devidamente preparado, muito menos recursos para fazê-las funcionar decentemente!

Por outra via, o corpo docente nacional, em sua grande parte, tem se dedicado a introduzir na mente de nossa juventude, não a luta pela ciência e tecnologia, mas sim, a destruição da capacidade de produzir ou mesmo de elevar a produtividade, o que nos impele para a permanente pobreza.

Política econômica e social que se respeita, deve ser medida pela capacidade de gerar emprego sustentável e não empreguismo rasteiro e uma politicagem que descambe em anarquia social. Que se adote valores que priorize o respeito à disciplina, à seriedade, à produtividade do trabalho e decência no comportamento social, sempre em busca de priorizar a meritocracia em todas as instâncias, tal qual praticam, permanentemente, os japoneses, por exemplo!

ARMANDO AVENA:E OS PROJETOS DE GOVERNO?
ARMANDO AVENA:E OS PROJETOS DE GOVERNO?

Faltando cerca de 3 meses para a eleição presidencial, a disputa começa a se afunilar em torno de 6 candidatos. Jair Bolsonaro e o candidato do PT, provavelmente Fernando Haddad ou Jaques Wagner, polarizam os extremos do espectro eleitoral, enquanto 4 candidatos –  Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alkmin e Álvaro Dias – tentam ocupar os espaços de centro mais ou menos à esquerda  ou à direita. O mais interessante é que, apesar de praticamente definidos, os candidatos ainda não deram forma as suas ideias e cada um diz o que quer na imprensa e de acordo com a plateia e o interesse de cada um. A verdade é que, diferente de outros países onde o programa é que faz o candidato, no Brasil só há candidatos e nenhum programa.

Nenhum candidato explicita sua política de segurança pública, num país que a cada ano bate recordes em números de homicídios. Nenhum candidato diz com clareza qual será sua política com relação ao sistema previdenciário, quando se sabe que este será um tema inescapável. Tampouco se fala explicitamente sobre privatizações, desigualdades sociais, habitação, bolsa família e por aí vai. Faltando 3 meses para a disputa presidencial, os brasileiros não conhecem as propostas de governo dos candidatos.

Um exemplo é a questão das disparidades regionais e a pobreza da região Nordeste. Qual o projeto de desenvolvimento que os candidatos vão apresentar para estimular o desenvolvimento social e econômico da região mais pobre do país. É urgente que essa resposta seja dada.  Os candidatos à presidente precisam dizer se e como vão estimular a indústria regional e necessitam definir se haverá algum tipo de prioridade quando o assunto for infraestrutura, rodoviária, portuária e ferroviária. Em relação ao turismo, os candidatos precisam dizer se vão continuar centralizando voos e operações no Sudeste ou se vão estabelecer uma política de céus abertos para a região, estabelecendo um mercado livre para a indústria aérea, desvinculando-a dos acordos bilaterais e acordos específicos, de modo que toda e qualquer empresa área internacional que queira estabelecer uma rota saindo do Nordeste possa ser comtemplada.

E como será a política relativa ao Bolsa Família, projeto indispensável para a região, mas que precisa ter o componente emprego atrelado cada vez mais aos benefícios/ O fato é que os brasileiros estão começando a se perguntar: cadê o programa de governo? E os temas listados aqui são apenas alguns dos que precisam ser objeto de manifestação formal dos candidatos. A hora dos arroubos e das intenções acabou e, já agora, depois da Copa, os candidatos a presidente do Brasil precisam apresentar seus programas de governo e as fontes de onde virão os recursos para viabiliza-los.

                            O PROJETO DE OTTO E O CARTEL DOS POSTOS

Em toda parte, quando o preço de um produto cai, as vendas aumentam e todos ganham, tanto vendedores quantos compradores. E foi com essa intenção que o Senador Otto Alencar conseguiu aprovar no Senado um projeto que permite aos produtores de etanol entregar seu produto diretamente aos postos, aumentando a competição e consequentemente baixando os preços. Mas no Brasil é diferente, aqui é o único país do mundo onde o dono de posto não quer que o preço do combustível caia.  O Sindicato dos Combustíveis da Bahia, por exemplo  é contra a medida, argumentando que a venda direta do produto poderia aumentar a sonegação prejudicando aqueles postos que pagam seus impostos. Ou seja, o sindicato prefere que o preços fiquem altos para ajudar o governo a combater a sonegação, sob a alegação de que se muitos fornecedores não pagarem impostos, os que pagarem  serão prejudicados.

Ora, sonegação é problema do governo, não do sindicato, e se fosse motivo para centralizar a distribuição dos produtos, o Brasil seria um imenso cartel. E aí está a verdade,  a oferta direta de etanol aos postos vai aumentar a competitividade e acabar com o cartel dos postos e das distribuidoras. O projeto do Senador Otto Alencar vai nessa linha e foi aprovado no Senado, mas  terá de passar pela Câmara de Deputados e aí o lobby dos atravessadores e dos cartéis vai atuar. Mas, felizmente, já há juízes concedendo liminar para que usinas  comercializem etanol hidratado diretamente aos postos de combustíveis, sem a necessidade da intermediação de distribuidoras.

                                     O DETERMINISMO DE ELSIMAR

O nosso Elsimar Coutinho deu uma bela entrevista a Mario Kertész esta semana na Rádio Metrópole e resgatou uma tese defendida no distante século XVI.  Como bom polemista, Elsimar defendeu a tese de que o clima é o determinante para o desenvolvimento dos povos. E disse que um povo como o nosso, nascido nos trópicos, é afeito a festa e ao sexo, jamais a pesquisa, que estaria concentrada nos povos dos clima frios, que muitos consideram os povos construtores de civilizações. Essa tese do determinismo climático é a parte ruim dos escritos de Montesquieu, filósofo no século 16, que tornou-se universal por sua obra “O Espírito das Leis”.

Montesquieu, que mais tarde reviu suas ideias climáticas,  dizia que há 3 tipos de povos:  o povo do norte, brutal e impetuoso, mas casto e pudico; o povo do Sul, como os brasileiros, que seriam “lúbricos e astuciosos”, dados ao sexo, ao prazer e as ciência ocultas; e o povo do clima temperado, “menos vigoroso que o Norte” além de ser “mais razoável que o do Sul e não sofrer com a monogamia”. Montesquieu, que também acreditava na influencia dos ventos, argumentava que o ar frio restringe as fibras do corpo, aumentando-lhe a força, e o ar quente agia ao contrário, como se isso explicasse alguma coisa.

Não vamos esquecer que os gregos, que adoram praia, sexo e festas criaram a civilização e não estão exatamente no centro da frieza nórdica e que as grandes civilizações dos Maias e dos Astecas foram erigidas nos trópicos com grandes avanços tecnológicos.  Isso sem falar  em Portugal e Espanha com grande parte do território submetido ao clima árido e que dominaram o planeta sendo responsáveis pelas pesquisas que levaram a descoberta do Novo Mundo. Na verdade, são fatores sociais, religiosos, históricos, econômicos e políticos que definem o destino das nações. O determinismo climático é difícil de ser defendido, mas quem ouviu a entrevista percebeu que a oratória de Elsimar é brilhante, mesmo defendendo uma tese ruim.

                                                A REAÇÃO DE LÍDICE

 A forma como o PSB e a senadora Lídice da Matta reagiram ao anúncio de que ela não irá participar da chapa majoritária com a qual o governador Rui Costa vai concorrer à reeleição extrapolou o limite da convivência entre aliados. Ao afirmar peremptoriamente que não vai apoiar o candidato ao Senado, Angelo Coronel, atual Presidente da Assembleia Legislativa, Lídice e o PSB colocam uma cunha na coligação governamental e levantam uma questão: os candidatos à deputado federal do PSB, que farão parte do chapão do governo, vão recomendar o voto nulo em um dos senadores ou sairão pelo interior apoiando formal ou informalmente outro candidato? Sair candidata avulsa parece pouco provável, pois inviabilizaria o chapão de deputados, mas se isso acontecer Rui ainda continuará aceitando o apoio da senadora, mesmo contra a candidatura de Coronel? A resposta, qualquer que seja ela, não é boa para o PSD, nem para a solidez da chapa majoritária. Ao que parece, o PSB, o governo e o PSD precisam fazer urgentemente uma DR, e discutir a relação, para que não haja divórcio no meio da eleição.

                                                      AS  FAKE NEWS E A POLÍTICA

 Em véspera de eleição  e num momento  em que as fake news se multiplicam,  o leitor deve lembrar sempre de Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha do século XIX, que vaticinava: “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”.

ANA PAULA:REFORMA TRABALHISTA: O QUE OCORREU SEIS MESES DEPOIS?
ANA PAULA:REFORMA TRABALHISTA: O QUE OCORREU SEIS MESES DEPOIS?

Passados seis meses da reforma trabalhista, o cenário ainda é de insegurança, principalmente por conta dos inúmeros questionamentos, ações discutindo a constitucionalidade de alguns pontos e até mesmo contradições entre a CLT e as Convenções Coletivas. Apesar desse cenário, algumas mudanças já podem ser notadas.

O ponto mais debatido como consequência da reforma é a redução do número de ações trabalhistas. De fato, a diminuição foi significativa (houve uma queda de 45% no número de novos processos), principalmente se consideramos que muitos “correram” para ajuizar ações um pouco antes da reforma passar a valer, o que acentuou ainda mais a queda de novos processos. Enquanto uns comemoram a redução sob a justificativa de que isso reflete uma maior flexibilização, outros criticam tais dados como consequência de óbices ao acesso à justiça.

O fato é que a reforma trabalhista – felizmente – desestimulou pedidos “aventureiros”. Antes, o empregado podia propor uma ação fazendo qualquer tipo de pedido e, no máximo, deixaria de ganhar. Era uma espécie de loteria e muitas vezes havia uma tentativa de enriquecimento sem causa. Agora, caso a parte perca em relação a determinado pedido, terá que pagar honorários sucumbenciais, o que, sem dúvidas, implica numa maior consciência na hora de formular os pedidos.

Ainda é necessário um período de adaptação, com a consolidação da jurisprudência. A nova lei gerou muitas dúvidas e continuará gerando, até que existam posicionamentos mais uniformes dos tribunais. A prática e o tempo irão aprimorar ainda mais a nova lei e os entendimentos sobre ela. A expectativa é que o objetivo de aproximar e possibilitar uma maior negociação possa ser incorporado à mentalidade das partes da relação de emprego e dos aplicadores do Direito do Trabalho.

 

Ana Paula Studart

ADARY OLIVEIRA – O ÉTICO E O LEGAL NAS EMPRESAS
ADARY OLIVEIRA - O ÉTICO E O LEGAL NAS EMPRESAS

 

A sobrevivência das empresas requer sintonia com o ambiente externo em busca permanente de atualização dos conhecimentos (tecnologias, inovações), dos hábitos comportamentais dos consumidores (moda, padrões, desejos, humanização, valores culturais e pessoais) e das tendências mundiais (globalização, internacionalização). Contudo, não se pode deixar de adotar condutas que não sejam consideradas éticas e legais, fugindo daquelas tidas como nem éticas nem legais, como também das que sejam éticas, porém não legais e vice-versa.

A responsabilidade principal de uma empresa, do ponto de vista econômico, é o de produzir bens e serviços desejados pela sociedade. Isso sem deixar de ter lucros para atender às expectativas dos sócios, de ter condições de pagar bons salários aos empregados e de proporcionar ganhos aos demais colaboradores. Tal responsabilidade não exclui os encargos legais definidos pela coletividade através de leis e regras comportamentais. Muito menos pode deixar de considerar a necessidade de adotar condutas éticas não cobertas por lei, mesmo quando elas contrariam aos interesses econômicos da empresa. Nada impede também que a corporação seja conduzida pela vontade de desenvolver atividades sociais não requeridas pela lei e pela ética.

A inclusão de demandas sociais da comunidade em seus planos e realizações, muitas vezes esbarra em limites impostos pela própria empresa. Ela pode não querer se complicar com o assunto por motivos políticos, pretextos nocivos à sociedade como um todo, por não identificar precisamente os interesses envolvidos, ou ainda, por excederem seus limites orçamentários.

Com o passar do tempo a organização constrói sua cultura seguindo orientação de seus principais protagonistas, estabelecendo seus ritos peculiares e assimilando seus princípios de ética. A empresa aos poucos vai identificando quais comportamentos são certos ou errados na formatação de seus valores e definição dos códigos éticos.

Os pontos de maior sensibilidade estão relacionados com a obtenção do lucro, a maneira de fazer justiça ou no enfrentamento das competições. A obtenção do lucro é fundamental e imprescindível para a sobrevivência da empresa, mas não deve ser um fator por si só justificável. A prática da justiça é indispensável no campo da ética. A competição deve estar respalda na competência de sua realização. A definição de metas, o conhecimento dos concorrentes e o cumprimento dos objetivos globais da companhia são fatores basilares. Práticas de adulteração, blefe, falsificação, fraude, corrupção, não podem ser incluídas nos manuais de uma empresa digna e merecedora de aprovação pela sociedade.

Dizem que o ladrão começa a roubar escondido. Com algum tempo ele se acostuma e passa a praticar suas desonestidades à vista de todos. Aí vem a polícia e o prende. A sociedade brasileira está vivendo um momento de transição, passando de uma situação onde o exercício da corrupção, da fraude e da propina passou a ser considerado uma coisa normal, para uma de ficha limpa. O desgaste e os prejuízos se estabeleceram de forma crescente para toda a sociedade. Agora que se passa a buscar correção, com paralização de empresas, aplicação de penalidades, prisão dos responsáveis e demissão de um cem número de técnicos e colaboradores, vive-se momentos de grande angústia.

Deve-se ter o cuidado, ao se procurar corrigir tudo de uma só vez, não se ir ao limite de curar a doença matando o paciente. Não se deve simplesmente perdoar os culpados, mas é importante salvar as empresas. Elas perderam muitos de seus valores e, em algumas atividades, como as das empreiteiras, enfrentam o declínio de conhecimentos no campo da engenharia, por exemplo. Embora difícil, é possível a reconstrução praticando-se condutas éticas e legais.

 

Adary Oliveira

Presidente da Associação Comercial da Bahia –

adary347@gmail.com

ARMANDO AVENA :40 ANOS DO POLO:HORA DE SE REINVENTAR
ARMANDO AVENA :40 ANOS DO POLO:HORA DE SE REINVENTAR

O Polo Industrial de Camaçari completa 40 anos no próximo dia 29 e é um orgulho de toda Bahia. É um dos maiores e mais diversificados distritos industriais do mundo e tem perspectivas de crescimento no futuro. Mas para que isso se concretize é urgente que, junto com as comemorações, o Polo enfrente seus desafios, pois se não o fizer continuará a perder competitividade,  afetando toda a economia baiana. Para continuar a perder competitividade, o polo precisa investir em 4 pontos, conforme atestam vários diagnósticos disponíveis: infraestrutura, adensamento da cadeia de produção, redução de custos e tecnologia. Em relação à infraestrutura, a questão rodoviária foi equacionada, mas a questão ferroviária e principalmente portuária se arrasta há anos sem que haja solução à vista.

O Porto de Aratu, principal porto de escoamento do polo e da Bahia,  é o mesmo de 20 anos atrás, com seus terminais de granéis sólidos, gasosos e líquidos e suas estruturas de acesso, aquaviária, rodoviária, ferroviária e dutoviária demandando modernização urgente. Nesses 20 anos, Pernambuco construiu um porto novo, o Porto de Pecém, que hoje é o maior do Nordeste, enquanto na Bahia entra governo e sai governo e nosso maior porto beira a obsolescência. O outro desafio é a lentidão no adensamento das cadeias produtivas do Polo, dificultada pela logística quase obsoleta, mas também pela  distância aos mercados e aos fornecedores.

Infelizmente, na Bahia não há política industrial de longo prazo, apenas ações pontuais. Algumas dessas ações representaram avanços importantes – a exemplo da atração do Complexo Acrílico da Basf e da criação da cadeia de produção de equipamentos de energia eólica –, mas carecem de continuidade e planejamento. A cadeia acrílica atraiu apenas uma empresa de porte,  a Kimberly-Clark, e a cadeia eólica tem problemas para equacionar seus cronogramas por conta das características dos leilões que ampliam áreas para exploração.

A verdade é que  falta política industrial e sobram apostas erradas. O adensamento da cadeia automobilística, por exemplo, cuja  promessa de construção de novas fábricas – como a  JAC Motors e a Foton – consumiu milhões em incentivos e arrastou-se durante quase 10 anos, sem que uma pedra fosse levantada. Em tempo muito menor, Pernambuco implantou a Fiat Chrysler, uma das empresas mais modernas do mundo.  Na área petroquímica, a tão esperada construção da fábrica da alemã Styrolution, tampouco vingou e os problemas da Fafen são conhecidos. São apenas alguns exemplos, mas o fato é que, 40 anos após sua implantção, o polo continua sendo palco de turismo molecular, ou seja, insumos produzidos aqui que viajam para São Paulo e voltam como produto final, gerando emprego lá.

Nas comemorações dos 40 anos, será anunciado mais um infalível plano de adensamento da cadeia produtiva, que novamente ficará no papel. Infelizmente, no mundo moderno, não são estudos acadêmicos, nem burocratas e suas longíssimas viagens ao exterior que atraem investimentos. Isso se faz com empresas especializadas em juntar interesses empresariais comuns, tendo o governo como catalisador. A verdade  é que, no que se refere a logística e adensamento de cadeias, o Polo Industrial de Camaçari tem pouco o que comemorar.

E, como se não bastasse, o preço do gás natural e os custos com energia elétrica ainda são muito altos e reduzem a competitividade do distrito. Há alguns avanços: as práticas sustentáveis com relação ao reuso de água e exploração de águas subterrâneas e a redução de custos com a matriz energética estão se ampliando. E na área de inovação e tecnologia, a construção do novo Cimatec Industrial acende uma luz no campeonato da modernização. Mas o Polo precisa muito mais, precisa se reinventar e encarar o desafio da modernidade

                                                     O FUTURO DE LÍDICE

O caminho que a senadora Lídice da Matta vai tomar nas próximas eleições tornou-se a grande incógnita nesta fase de composição das chapas. Já se sabe que ela não terá lugar na chapa do governador Rui Costa e que, dificilmente, romperia com o governo para sair candidata na chapa da oposição. Então, sobrariam duas alternativas: a suplência de senador na vaga de Jaques Wagner ou a candidatura a deputado federal.

A primeira hipótese tira Lídice do cenário político nacional, a não ser que o candidato do PT ou um seu aliado ganhe a presidência e chame Wagner para a sua equipe. Na segunda, como será muito difícil o PSB eleger 3 deputados –  Marcelo Nilo, Bebeto Galvão e a própria Lídice – um deles teria de ir para o sacrifício da suplência. A hipótese da senadora optar por uma terceira via, se vingasse a aliança entre Ciro Gomes e o PSB poderia também ser avaliada, mas traz riscos. Resta então as compensações que o governo Rui Costa poderá dar, ou a garantia de eleição dos 3 deputados.

                                                     O PLANSERV E A AMB

A AMB – Associação Baiana de Medicina e 12 Sociedades de Especialidades Médicas encaminharam carta a Coordenadora do Planserv , Cristina Cardoso, com cópia para o Governador Rui Costa e para o Ministério Público afirmando que a política de “teto máximo orçamentário” nas despesas mensais adotada pelo plano estaria limitando os serviços médicos prestados e comprometendo a qualidade do atendimento médico. A carta, assinada pelo Presidente da AMB, Robson de Freitas Moura, foi divulgada com exclusividade pelo portal Bahia Econômica e diz textualmente: “A restrição do número de consultas, exames complementares e cirurgias impostas pelo plano tem o potencial de trazer transtornos à população e compromete a qualidade da assistência prestada”.

O Planserv emitiu nota a respeito e  defendeu a política de “teto máximo orçamentário”,  como forma de preservar o equilíbrio e a saúde financeira do Plano,  contestando a carta enviada pela AMB que alega que a política está diminuindo a qualidade do serviço. A questão precisa ser melhor analisada afinal, se é correto estabelecer controles ao plano, não é trivial a manifestação contrária à política adotada pelo Planserv por uma associação do porte da AMB, apoiada por 12 sociedades de especialidades médicas, especialmente quando são constantes as reclamações dos servidores em relação à dificuldade de marcar consultas e até de realizar exames.

                                              O PLANSERV E OS CUSTOS

O grande problema do sistema de cotas implantado pelo Planserv, pois é esse o nome adequado, é que  simplesmente passou para cada credenciado, cada clínica ou hospital, a função de reduzir os atendimentos, estabelecendo  um limite de faturamento mensal pré-estabelecido, quando o  correto seria implantar um sistema de auditagem por amostragem que avaliasse a efetiva necessidade dos atendimentos, evitando cortar de forma linear. O Planserv é uma conquista do servidor público e não pode estar sujeito a sistemas de controles de custos típicos de supermercados e de lojas de material de construção e que não levam em conta a necessidade dos servidores, até porque o plano tem a grande vantagem de ter inadimplência zero.