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ADARY OLIVEIRA- A NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM
ADARY OLIVEIRA- A NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM

Apesar da costa marítima brasileira ser dotada de dimensões continentais, com cerca de 8 mil quilômetros de extensão, toda ela navegável, o transporte de mercadorias por este modal nunca foi considerado prioritário no país. A recente greve dos caminhoneiros expôs a vulnerabilidade do transporte rodoviário quando provocou o desabastecimento de víveres nas cidades ou de matérias primas nas unidades produtivas. A solução de curto prazo adotado pelas grandes empresas, de adquirirem frota própria de caminhões, foi acompanhada do aumento da navegação de cabotagem, como forma de escapar do problema.

O transporte por via marítima, de um ponto a outro da costa brasileira, merece ser melhor estudado para que suas vantagens sejam identificadas e aumentadas e as desvantagens mostradas e reduzidas. As vantagens estão relacionadas à capacidade de carga, baixo consumo de energia, baixa agressividade ao meio ambiente, segurança e benefícios sociais. As desvantagens são os preços dos combustíveis, vagarosidade, limitação das rotas e restrição ao capital estrangeiro.

Comentando as vantagens, aludo o uso dos contêineres, os chamados cofres de carga, que revolucionou o transporte marítimo no quesito alta capacidade de movimentação e integração com o transporte rodoviário. Os navios são capazes de transportar maior volume do que os caminhões e o carregamento e descarregamento são mais rápidos se as mercadorias são acondicionadas em contêineres. Com os contêineres o transporte continua sendo porta a porta; os combustíveis dos navios, chamados de bunker, entre eles o diesel naval, tem elevada eficiência energética, sendo reduzido o consumo por movimentação de unidade de carga. Os cuidados com a diminuição do teor de enxofre na fabricação do bunker contribuem com a redução do potencial de agressão ao meio ambiente, colaborando com a conservação da natureza, diminuindo a poluição e os riscos de acidentes; em relação à segurança das cargas, o transporte marítimo expõe menos as mercadorias reduzindo os riscos de assaltos e roubos de cargas; finalmente, maior uso da cabotagem reduz o número de caminhões nas estradas, atenuando os engarrafamentos, diminuindo os custos de manutenção das rodovias, restringindo o número de acidentes, otimizando, assim, os benefícios sociais.

Anotando as desvantagens, cito o preço dos combustíveis dos navios, por não gozarem das isenções fiscais dos de longo curso nem dos subsídios do diesel dos caminhões; a vagarosidade dos navios e a entrega porta a porta dos caminhões representa desvantagem para o transporte por cabotagem, sendo crucial quando os prazos de entrega são pequenos; a limitação das rotas é decorrente da falta de investimentos no setor portuário, tornando deficiente, também, a integração com outros modais de transporte; por fim, a exigência de que a atividade seja realizada por embarcações com bandeira nacional é uma barreira ao ingresso de capital estrangeiro nesse tipo de navegação.

Uma das providências que se poderia tomar para incentivar a navegação de cabotagem, seria a da isenção do ICMS, como acontece com a navegação de longo curso, caso em que o bunker é considerado produto de exportação e isento de impostos. O governo federal isentou o bunker dos impostos federais (PIS, Cofins) na cabotagem, mas os governos estaduais insistem em manter a cobrança daquele tributo. O problema fica mais grave quando se considera que o custo do combustível de um navio pode representar até 60% de seu custo operacional, sendo item importante na sua planilha de resultado. No Estado da Bahia a alíquota de ICMS é fixada em 28%, imposto cobrado por dentro, equivalente a 38,9% se o cálculo fosse feito por fora, para usar uma linguagem dos auditores fiscais. A isenção do ICMS do bunker poderia ser obtida através de uma resolução do Conselho Nacional de Política Fazendária – Confaz, órgão que congrega as secretarias estaduais da fazenda.

Fica aqui uma sugestão importantíssima para redução do frete e da vulnerabilidade existente no setor de transporte de cargas, revelada com maior clareza pela greve dos caminhoneiros.

 

Adary Oliveira é presidente da Associação Comercial da Bahia

E-mail: adary347@gmail.com

O DESAFIO DE RUI E ZÉ RONALDO     
O DESAFIO DE RUI E ZÉ RONALDO     

O governador Ruy Costa, candidato a reeleição, tem um desafio pela frente: ganhar a eleição no primeiro turno. Se, como indicam as pesquisas, conseguir seu intento sairá do pleito como uma das maiores lideranças politicas da Bahia, qualquer que seja o resultado da disputa pela presidência da República. O candidato José Ronaldo, da coligação liderada pelo DEM, também tem um desafio: conseguir chegar ao 2º turno, forçando uma nova disputa pelo governo do Estado. Se conseguir seu intento, a eleição na Bahia ficará mais emocionante e ACM Neto, junto com o candidato do DEM,  vai se contrapor fortemente à liderança de Rui e Wagner.

Supondo, por exemplo, que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, já está definido como um dos postulantes na disputa do 2º turno, e que, como indicam as pesquisas, seu adversário será definido entre três postulantes – Ciro Gomes, Fernando Haddad ou Geraldo Alckmin – a possibilidade de ter ou não ter 2º turno na eleição para governador será fundamental para definir o tamanho de cada força política na Bahia. Vale dizer, desde logo, que se Rui Costa ganhar no primeiro turno terá papel de destaque na disputa presidencial, não importa quem seja o adversário de Bolsonaro. Se for Fernando Haddad ou Ciro Gomes tanto melhor, pois nesse caso, já eleito governador da Bahia, Rui será o principal cabo eleitoral  tanto do candidato do PT, como do candidato do PDT, e na campanha vai ampliar seu cacife politico.  Apenas no caso de ser Geraldo Alckmin o adversário de Bolsonaro no 2º turno,  a importância eleitoral e política de Rui seria menor já que ele não apoiaria nenhum candidato, e o prefeito ACM Neto se destacaria no apoio ao candidato do PSDB.

O cenário muda completamente se Zé Ronaldo chegar ao segundo turno, hipótese em que a eleição para o governo estadual embolaria, qualquer que fosse o postulante que chegasse ao 2º turno para disputar com Jair Bolsonaro. Se fosse Fernando Haddad ou Ciro Gomes o adversário de Bolsonaro, Zé Ronaldo teria obrigatoriamente de pender para o candidato do PSL e aí estaria posta uma disputa pelo governo do Estado que embolaria com a disputa presidencial. Já se o adversário de Bolsonaro fosse Geraldo Alckmin, aí Zé Ronaldo o apoiaria integralmente, e quem estaria em mau lençóis seria o governador Rui Costa que iria para disputa do governo do Estado sem candidato a presidente. Como se vê, o governador Rui Costa deve estar jogando todo o seu cacife na possibilidade de ganhar no primeiro turno, enquanto Zé Ronaldo deve estar lutando desesperadamente para chegar ao segundo turno.

Que o leitor não se entusiasme com a narrativa que, embora lógica, tem muitos senões. Em primeiro lugar, e até a próxima pesquisa estabelecer uma tendência, não se sabe se há efetivamente a possibilidade do candidato do DEM chegar ao segundo turno e, ao que parece, o governador Rui Costa, pois com mais recursos e mais tempo de televisão, pode aumentar a distância atual. Em segundo lugar, a hipótese de Bolsonaro chegar ao segundo turno, embora concreta, pode não se realizar. Como se vê, tudo ainda está muito indefinido em se tratando de eleição presidencial, mas, no caso da Bahia, o que importa mesmo é saber se Rui conseguirá ganhar no primeiro turno ou, se assim preferir o leitor,  se Zé Ronaldo vai chegar ao 2o turno.

                                        HADDAD É LULA. OU NÃO?

Fernando Haddad finalmente foi ungido candidato a Presidente da República e a propaganda política passou imediatamente a veicular que Haddad é Lula, identificando-o com o ex-presidente. Mas de Lula, Haddad não tem nada. Diferente do ex-presidente, um operário nordestino sem curso superior, Fernando Haddad é um típico intelectual de classe média, e pode ser considerado um pequeno burguês tradicional.  Nascido em São Paulo, é professor de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em direito e doutor em filosofia. O candidato do PT mora no Paraíso, um bairro nobre da capital paulista, e sua esposa Ana Estela Haddad é dentista com doutorado pela USP, onde estudam seus dois filhos. O perfil do candidato do PT não é definitivamente aquele que empolga o eleitor nordestino e não vai ser fácil Haddad falar como Lula nos grotões do Brasil.

                                                           O DOLAR E A ELEIÇÃO

A desvalorização do real atinge patamares mais altos do que o esperado e, apesar disso, o cenário acena para aumentos maiores na cotação do dólar. No entanto, a crise dos emergentes não explica a alta, afinal com um superávit expressivo na balança comercial, inflação em baixa e reservas superiores a US$ 400 bilhões não há hipótese de crise cambial ou moratória no Brasil. E o impacto da alta dos juros americanos é pequeno para explicar  uma alta de quase 30% na cotação do dólar. Ou seja, a alta do dólar é pura especulação eleitoral, afinal nenhum dos principias candidatos está falando em moratória e as diferenças entre eles são muito mais políticas do que econômicas.

                                                                  NOVO RESORT

A rede portuguesa de hotéis Vila Galé vai construir um novo resort na Bahia, com 450 quartos, representando um investimento de R$ 150 milhões. O resort deverá ser construído na cidade de Una, ao sul de Ilhéus. Com isso, a Costa do Cacau terá  dois resorts de alto luxo a cerca de 30 quilômetros de Ilhéus; um ao norte, o Transamérica Resort Comandatuba, e outro ao Sul, cujo nome deverá ser Vila Galé Costa do Cacau. A Vila Galé já opera dois empreendimentos na Bahia, um em Guarajuba e outro em Salvador.

                                                               SEMINÁRIO DE LOGÍSTICA

A Tecon Salvador vai realizar em outubro a 7ª edição do  Seminário de Logística tendo como tema a “gestão de pessoas como estratégia corporativa”. Reunindo empresas de diversos setores da cadeia produtiva e logística do país, o seminário vai debater soluções e inovações para a cadeia logística brasileira.  Além da experiência da  Wilson Sons e do terminal de cargas baiano, serão relatadas experiências de empresas Startups, segmento que vem se destacando no setor.

                                                                DANTE E AS ELEICÕES

Em um 14 de setembro como esse, há quase 700 anos atrás, morria Dante Alighieri, o grande poeta italiano que brindou o mundo com sua Divina Comédia. O livro trata dos vícios e das virtudes humanas e em um dos seus cantos o genial fiorentino vaticina:  “No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.  A máxima serve como uma luva para essa eleição que registra a intenção de quase 30% dos brasileiros de votar branco ou nulo.

                                                      RECESSO

Deixo a agradável convivência com os leitores pelas próximas duas semanas, período em que esta coluna não será publicada por conta das férias do colunista.

JOSÉ MACIEL: O AGRONEGÓCIO E OS PRESIDENCIÁVEIS
JOSÉ MACIEL: O AGRONEGÓCIO E OS PRESIDENCIÁVEIS

Com a proximidade da eleição presidencial , os candidatos lançam e registram seus programas  de governo junto à justiçaeleitoral, e os os coordenadores econômicos têm explicitado suas análises e propostas em diversas oportunidades, como os programas da Globo News apresentados recentemente. A marca maior é a escassa sinalização presente nas políticas setoriais , a exemplo da indústria e do agronegócio .

Nessa linha , e no plano das expectativas, em relação ao candidato do PT, que deve ser o Fernando Haddad, pouco  se deve esperar a  mais na comparação com as propostas implantadas nos governos Lula e Dilma, ou seja, deve prevalecer a ênfase no anúncio de maior oferta de crédito, com destaque para os aportes destinados à agricultura familiar.

Do candidato Ciro Gomes , do PDT,  pouco se sabe em relação ao proposto para  o setor, já que o destaque tem se concentrado nas obras de saneamento e retomada de obras inacabadas, para a geração de empregos, e na proposta de redução do contingente  de endividados junto ao SPC.

A candidata Marina Silva, da  REDE, deve dar destaque ao viés do meio ambiente, mas certamente será cobrada para dar celeridade aos licenciamentos ambientais  para grandes obras de infraestrutura e energia,  objeto de menção por parte  de alguns analistas.

O economista Paulo Guedes , que assessora o candidato Jair Bolsonaro, parece inclinado a cortar subsídios de forma generalizada. Aqui cabe esclarecer que a agricultura brasileira , juntamente com Austrália, Nova Zelândia e Chile, é das menos subsidiadas do mundo, com cerca de 4% a 5%  da receita bruta setorial sendo contabilizados  como  subsídio, conforme  dados da OCDE , ante 8% e  19% para os EUA  e União  Europeia, respectivamente. Deve, a nosso juízo , ser preservada de cortes.

José Roberto Mendonça de Barros, que assessora o candidato Geraldo Alkmin, do PSDB, detalhou recentemente as propostas para um eventual governo tucano, centrando esforços no seguro rural, com mais recursos e o Fundo de  Catástrofes;  defesa sanitária, com a presença dos setores privado e público; plano safra plurianual ; e num  maior esforço para buscar mais mercados via novos acordos comerciais.

Na nossa perspectiva,  esses pontos citados pelo Professor Mendonça de Barros  são bem relevantes. Apenas, gostaríamos de acrescentar o reforço dos recursos para a EMBRAPA e o incentivo para parcerias desta estatal com o setor privado,  agilização das análises das indicações geográficas e dos registros de novos defensivos agrícolas, alvos de muita burocracia, dentre outros.

José Maciel

Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP.

E-mail:  jose.macielsantos@hotmail.com

ARMANDO AVENA: UM PROJETO PARA A BAHIA
ARMANDO AVENA: UM PROJETO PARA A BAHIA

 

A Bahia precisa de um novo projeto econômico, pois está perdendo peso relativo em relação ao resto do Brasil, crescendo menos que a economia nacional. Entre 2006 e 2016, por exemplo, o crescimento acumulado do PIB baiano foi de 20,4%, bem abaixo do crescimento nacional, que foi de 26,6%, segundo dados da SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais. O baixo crescimento da economia estadual no período fez com que a Bahia, que era o 6º maior PIB do pais, perdesse a posição para Santa Catarina e, se nada for feito, cairemos nos próximos 2 ou 3 anos para o 8º lugar no ranking nacional perdendo posição para o Distrito Federal. No Nordeste, a participação do PIB estadual no PIB nordestino caiu de 30,4% para 27,8% no mesmo período. Os números servem de alerta aos candidatos e desaguam em uma constatação: a Bahia precisa de um novo projeto de desenvolvimento.

O crescimento econômico do nosso Estado se deu, tradicionalmente, através de ciclos e, nos últimos cinquenta anos, esses ciclos foram construídos através do processo de planejamento e da ação política. Foi assim com a implantação da Refinaria Landulfo Alves, que fundou o setor industrial baiano e  com o Centro Industrial de Aratu e o Pólo Petroquímico de Camaçari. Todas essa iniciativas foram resultantes de ação política e estratégica do governo do Estado e o mesmo aconteceu quando da implantação do complexo automobilístico da Ford e de outras cadeias produtivas, como a de calçados, pneumáticos e papel e celulose. Mesmo na área agrícola, foi o governo do estado que criou o ambiente propício a agricultura moderna com a implantação do programa de desenvolvimento do Oeste baiano.

Aliás, o ex-governador Antônio Carlos Magalhães, que na última terça-feira estaria completando 91 anos e com seu tino administrativo sabia como ninguém que os estados do Nordeste só conseguem superar o crescimento nacional quando o governo estadual assume a liderança de projetos estruturantes, foi quem liderou todas essas ações. O que Bahia fez no passado, Pernambuco está fazendo atualmente com o governo local viabilizando um polo automobilístico, investindo maciamente num porto moderno, atraindo indústrias e investindo em infraestrutura.  A Bahia precisa fazer o mesmo. A economia baiana sempre cresceu fundada em projetos estruturantes e na criação de infraestrutura, por isso, precisamos de um novo programa econômico e de agilizar a construção da infraestrutura que vai estimular esse avanço da economia. É verdade que houve algumas ações importantes como a criação do parque eólico e a implantação da Basf, mas a anunciada vinda da JAC Motors e Foton  não vingou, a implantação da Bamin Mineração está em compasso de espera; o porto de Aratu permanece sem modernização, a ferrovia Oeste Leste arrasta-se lentamente e o porto Sul sequer começou.

É preciso, portanto,  construir um novo projeto para a Bahia que contemple formas de agilizar essas ações e foque o desenvolvimento em outras áreas, estimulando por exemplo, a integração e adensamento do parque industrial existente, a atração  e s montagem de um novo parque industrial da chamada indústria 4.0. Em resumo: precisamos de um novo projeto de desenvolvimento para a Bahia e os candidatos ao governo do Estado precisam parar de se auto elogiar e  apresentar propostas efetivas no horário eleitoral.

                                             O ESTALEIRO PODE VOLTAR

O estaleiro Enseada, que chegou a empregar 5 mil pessoas na região de Maragogipe, se reestruturou em termos operacionais e financeiros e está pronto para retomar as atividades. Além de estar participando do chamamento público para a construção de navios de guerra para a Marinha brasileira, um investimento de US$ 1,6 bilhão, a empresa vai começar a operar um terminal de granéis líquidos que já está licenciado pelo Inema e tem capacidade para 50 mil metros cúbicos, constituindo-se em uma alternativa para quem utiliza o Porto de Aratu.

                                       ELEICÕES 2018: COMEÇA A DEFINIÇÃO

A Pesquisa Ibope, contratada pela TV Globo e divulgada na última quarta-feira indica que a eleição afunilou, com Jair Bolsonaro provavelmente presente no segundo turno e a segunda vaga sendo disputada entre Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e Fernando Haddad. Segundo a pesquisa, no segundo turno Jair Bolsonaro perderia para qualquer um deles a exceção de Fernando Haddad com quem aparece tecnicamente empatado. Mas, atenção,  segundo turno zera tudo.

                                              A BAHIA EM SÃO PAULO

Mais uma empresa com sotaque baiano está fazendo sucesso em São Paulo. Trata-se da Opening – Comunicação Integrada, que tem como sócio o baiano Fausto Franco, que durante 16 anos trabalhou na gestão de marca e carreira da banda Chiclete com Banana. Especializada em estratégia de marca, gestão de imagem e em produção e execução de eventos e empresa mostra que em se tratando de comunicação baiano é mestre.

                                                     CENTRO DE CONVENÇÕES

Começou na última quinta-feira a construção do Centro de Convenções pela Prefeitura de Salvador. Em forma de pomba, com duas fachadas, uma para praia e outra para a avenida, e com espaço para shows, o novo centro vai permitir que Salvador volte a liderar o turismo de negócios no Nordeste. Mas vale lembrar que o atual Centro de Convenções, um patrimônio arquitetônico da Bahia, único no Brasil, precisa ser preservado e em hipótese alguma pode ser derrubado para dar lugar as torres horríveis de um megaprojeto imobiliário hoje em estudo.

                                                     MAIS VENDIDOS

Quero agradecer a quase uma centena e meia de amigos que me deram a satisfação de estar presentes no lançamento do meu livro: Maria Madalena – O Evangelho Segundo Maria (A História Contada pelas Mulheres). O livro está entre mais vendidos em Salvador e São Paulo.

 

ADARY OLIVEIRA: AS ELEIÇÕES E AS NECESSIDADES DE CADA UM
ADARY OLIVEIRA: AS ELEIÇÕES E AS NECESSIDADES DE CADA UM

O psicólogo americano Abraham Maslow (1908-1970) foi quem propôs “A teoria da motivação humana” onde procura descrever a hierarquia das necessidades retratada em forma de uma pirâmide. As necessidades fundamentais são colocadas na parte inferior e as necessidades de autorrealização e autotranscedência no topo. As necessidades fundamentais que o homem procura suprir são citadas nesta ordem: respiração, água, comida, dormir, vestuário e abrigo. Em seguida vem as necessidades de segurança (pessoal, emocional, financeira, saúde e bem-estar), agrupamento social, estima, autorrealização e autotranscendência.

Assim, segundo essa teoria, o trabalhador depois de usufruir dos meios de sobrevivência, podendo respirar, beber água e se alimentar, é que procura dormir e conseguir uma casa para morar, própria ou alugada. Depois disso é que ele pensa em segurança, principalmente a financeira, trazida por um bom emprego, e a de saúde. Depois de conseguir viver bem, é que ele vai atrás de participar de comunidades e buscar outras realizações, sempre procurando consolidar cada uma das conquistas, para si e para sua família.

Os empresários, ainda segundo a teoria de Maslow, depois de estabelecidos, para verem seus negócios prosperarem, crescerem, e eternizarem-se, lutam permanentemente contra todas as adversidades. Para manter a competitividade precisam reduzir custos e ser mais produtivos; para ser mais produtivos precisam absorver novas tecnologias; para dispor de novas tecnologias precisam de inovações; para as inovações precisam de invenções, e por aí vai. Dentre os stakeholdersque sorvem os recursos gerados pelas empresas o governo está em primeiro lugar. Daí a necessidade de eles estarem permanentemente vigilantes, não permitindo que os impostos sejam majorados. Para otimizar a movimentação externa dos bens produzidos, devem buscar melhorias nas obras de infraestrutura logística, principalmente rodovias, ferrovias, hidrovias, dutovias, armazéns, portos, aeroportos, geralmente supridas pelos governos ou pela iniciativa privada em regime de concessão.

Os políticos, durante uma campanha eleitoral, têm como tarefa principal conquistar os votos que assegurem a sua eleição. Um político amigo meu, dizia que haveria um dia de inventarem uma balança que ao invés de acusar o peso da pessoa em quilogramas, indicasse quantos votos ela poderia ter. O serviço de conseguir votos não é uma empreitada fácil. O pleiteante tem de prometer projetos estruturantes para os empresários e saúde, educação e segurança para os empregados e desempregados. Entretanto, depois do político apoderar-se do cargo almejado, a sua necessidade fundamental muda de posição na hierarquia delas. Um outro amigo, também político, costumava repetir: quem está no poder tem duas obrigações: primeiro, exercer o poder; segundo permanecer no poder. Essas injunções tomam o lugar do imperativo de conquistar votos, próprio dos períodos de campanha.

Em relação aos políticos, apesar das considerações acima ser regra geral, felizmente existem exceções. Muito poucas, mas existem. O que está difícil nas eleições deste ano é a identificação dessas exceções. Não por falta de políticos qualificados, mas pela dificuldade que terão de cumprirem suas promessas. Qualquer que sejam os governadores estaduais eleitos, qualquer que seja o presidente da República eleito, as dificuldades impostas pela limitação dos recursos financeiros e das regras orçamentárias vão ser de tal ordem que algo inusitado terá de acontecer. Infelizmente todos estão sabendo da não recuperação da economia e do crescimento do desemprego, mas continuam aumentando despesas, como o dos salários de servidores públicos, sem identificação de novas fontes de recursos. O pior para o ser humano não é ficar impossibilitado de subir um degrau a mais na vida, é ter de retroceder para o degrau inferior, e esta ameaça existe para os brasileiros.

Adary Oliveira é presidente da Associação Comercial da Bahia – adary347@gmail.com

ARMANDO AVENA: O TIRO DE BOLSONARO PODE ACERTAR O BRASIL
ARMANDO AVENA: O TIRO DE BOLSONARO PODE ACERTAR O BRASIL

A entrevista de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional esta semana mostrou que o candidato do PSL à Presidência da República entra na luta eleitoral disposto a atirar para matar. A declaração pode ser tomada literalmente, afinal, o capitão do exército disse na entrevista que no seu governo a polícia poderá entrar nas áreas de conflito e “matar 10, 15 ou 20 com 10 ou 30 tiros” e deve ser condecorado. Mas o que impressiona é a metáfora, ou seja, na defesa de suas ideias Bolsonaro parece disposto a enfrentar qualquer um,  seja a imprensa,  os partidos, as mulheres, os negros ou homossexuais.

A melhor defesa é o ataque parece ser o lema do candidato, assim, questionado sobre o uso do auxílio moradia, ele respondeu atacando os jornalistas que recebem como pessoa jurídica, frente a questão de igualdade de remuneração entre homens e mulheres, contestou colocando a situação pessoal da apresentadora, e ao ser arguido sobre seu apoio a ditadura militar respondeu atacando a posição da rede de televisão à época. É um script conhecido, o mesmo utilizado por Donald Trump para chegar a presidência do Estado Unidos, que traz enormes preocupações aos brasileiros, pois anuncia, se ele chegar a Presidência da República, um período político tão conturbado como o que atualmente enfrenta nosso vizinho do Norte, caracterizado por ataques constantes a imprensa, bravatas de todo tipo e políticas retrógadas que vão contra os consenso da civilização relacionados com o meio-ambiente, os direitos individuais e a maior igualdade entre os povos.

Mas há uma diferença fundamental: a democracia americana é sólida e a estrutura do sistema governamental impede que arroubos e bravatas dos presidentes se tornem politica efetivas. Bem diferente da infante democracia brasileira tão frágil e tão sujeita a retrocessos. E então surge a primeira e fundamental pergunta: qual o compromisso de Jair Bolsonaro com a democracia? E o que faria, por exemplo, se o Congresso Nacional, onde não terá maioria, não aceitar suas propostas, impedindo-o de governar?  Há quem acredite que, com sua pouca paciência para com a democracia e sua declarada admiração pelo golpe militar de 1964, o capitão do exército ficaria tentado, após ter nomeado todos os chefes das forças armadas, a partir para cima do adversário atirando para matar na débil democracia brasileira. Poder ser que não, afinal, muitos políticos tradicionais se aproximarão do candidato, mas, não vamos esquecer, que muitos políticos tradicionais se aproximaram dos militares em 1964 e eles, que prometiam ficar pouco tempo, cassaram a todos e condenaram o Brasil a 25 anos de ditadura militar.

Mas, dirão alguns,  o Bolsonaro de hoje é outro e estaria longe do perfil estatizante e nacionalista dos defensores do militarismo, pois já definiu que seu Ministro da Fazenda será o economista reconhecida tendência liberal. Novamente é preciso cautela, afinal ministro é demissível ad nutum  e Guedes pode ser apenas um escudo liberal. Na entrevista ao Jornal Nacional, por exemplo, o candidato Jair Bolsonaro tinha escrito à caneta na mão, como se não quisesse jamais esquecer, o  slogan:  “Deus, Família e Brasil”, lema muito parecido com o ostentado na marcha Família com Deus pela Liberdade”, que precedeu o golpe de 1964 e semelhante aquele  usado pela antiga Ação Integralista Brasileira (AIB) “Deus, Pátria e Família” pregando um Brasil potência nacionalista, estatizante e centralizador.  E basta olha para o histórico de votos de Bolsonaro para perceber seu histórico estatizante, afinal, ele votou contra a quebra do monopólio das telecomunicações, contra a quebra do monopólio estatal do petróleo, contra a reforma administrativa. E aqui surge uma enorme diferença entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, já que o primeiro teve  o trunfo de ser um empresário de sucesso e o segundo viveu todo sua vida como funcionário público no exército e na política.

O Brasil já caiu no conto do  “salvador da pátria” de nome Fernando Collor que prometeu matar a inflação com um golpe, por isso precisa ter cuidado para não embarcar na canoa de outro “salvador da pátria” que promete acabar os problemas brasileiros com um tiro.

                                                         BOLSONARO NA BAHIA

Na Bahia, ninguém pongou ainda na popularidade crescente de Jair Bolsonaro.  A rejeição do candidato João Henrique é tão grande que nem o capitão do exército conseguirá alavanca-lo. E entre os demais candidatos  até o momento, apenas o candidato a Senador Irmão Lázaro, declarou seu voto e ainda terá vídeo gravado pelo candidato do PSL. No interior a maioria dos eleitores acredita que Lula é candidato, mas já há quem diga que vai votar em Rui para governador e Bolsonaro para presidente.

                                                      CIRO E O REFIS DOS POBRES

A proposta do candidato Ciro Gomes de fazer o refinanciamento das dívidas dos devedores inscritos no SPC é bastante razoável, especialmente para as dívidas menores, que representam a maioria absoluta dos endividados. O candidato tem razão quando afirma que já bancos oferecendo deságio para viabilizar o pagamento e o refinanciamento a juros menores poderia ser viabilizado pelo governo a custo relativamente baixo.  A medida pode trazer de volta ao mercado muitos consumidores, desde que eles não estejam desempregados, e pode aquecer um pouco mais o comércio que continua andando de lado.

                                                         SECA NA BAHIA

A seca voltou a afetar quase metade dos municípios baianos. Mais de 3 milhões de pessoas estão em situação precária e os prejuízos econômicos são grandes. Os candidatos a governador do estado precisam dizer se vão continuar empurrando o problema com a barriga, com medidas emergenciais e paliativas ou se vão apresentar aos baianos um plano de convivência com a seca.  São várias as alternativas  econômicas para o semiárido a exemplo da caprinocultura, das lavouras de sequeiro, da irrigação através de aquíferos, da geração de energia renovável e muitas outras.  É necessário, contudo, um plano integrado de ação que estabeleça ações relativas à crédito, financiamento, fornecimento de insumos, extensão rural e por aí vai. Um grande programa apoio à produção econômica  no sertão da Bahia terá custo menor do que dois pilares da ponte Salvador/Itaparica e vai custar muito menos do que R$ 50 milhões, o custo mensal da Assembleia Legislativa de Salvador.

ADARY OLIVEIRA: COMO SAIR DA CRISE ECONÔMICA
ADARY OLIVEIRA: COMO SAIR DA CRISE ECONÔMICA

 

A crise econômica na qual estamos mergulhados está demorando de passar. Apesar dos índices econômicos, tais como índice de inflação, taxa de juros e PIB indicarem melhora, o desemprego continua alto e não dá sinal de evolução no curto prazo. A queda nas vendas do comércio varejista e a consequente redução da produção e elevação dos estoques, termina por atingir o governo que passa a arrecadar menos impostos. Se cada um dos agentes econômicos quiser resolver seu problema individualmente, sem se importar com o que vai acontecer com os demais, o sistema termina se comportando como uma corda de caranguejo, cada um puxa para seu lado e o conjunto não sai do lugar.

São muitos os exemplos de comportamento dos governos que desejam resolver seu problema de queda de arrecadação aumentando os impostos ou criando impostos novos. Aqui na Bahia, para citar alguns exemplos, o fisco municipal de Salvador pressiona a rede hoteleira cobrando um ISS atrasado que antes era considerado indevido; o poder estadual institui novas taxas para os distritos industriais e majora o ICMS de alguns produtos; a administração federal não atualiza a tabela do IR da pessoa física onerando a todos os contribuintes. Resultado, a crise patina e todos saem perdendo.

Em economia, para homenagear o economista italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), criou-se o conceito de Ótimo de Pareto. Quando num sistema econômico a situação de pelo menos uma parte melhora, sem que a situação de nenhuma das outras partes piore, diz-se que houve uma melhoria paretiana, ou uma melhoria de Pareto. Entretanto, se em uma dada situação não é mais possível melhorar a posição de uma parte sem piorar a de outra, diz-se que esta situação é um ótimo de Pareto, significando que, ganhos de eficiência para o sistema não são mais possíveis. Se o sistema econômico está imerso numa crise, o aumento dos tributos por parte do governo, poderá eventualmente melhorar o lado do governo, mas irá piorar a situação do lado dos agentes produtivos e dos consumidores. Daí eles serão contra.

O matemático norte-americano John Forbes Nash Jr. (1928–2015), prêmio Nobel de economia de 1994, conhecido por ter a vida retratada no filme Uma Mente Brilhante, vencedor de quatro Óscars, também foi homenageado com o que se chama de Equilíbrio de Nash. O conceito de equilíbrio de Nash exige que cada jogador individualmente, neste caso parte do sistema econômico, adote a melhor resposta às estratégias dos demais jogadores, sem que isso implique que a situação resultante das decisões conjuntas dos jogadores, ou das partes, será a melhor possível. O equilíbrio de Nash nada tem a ver com a noção de ótimo de Pareto, pois, se as partes estão adotando as melhores respostas das escolhas dos demais, não significa, basicamente, que suas decisões, quando tomadas em conjunto, resultam na melhor situação possível. Se o governo para aumentar a arrecadação aumenta os impostos, os empresários podem não obter a compensação com aumento dos preços, limitados pelas condições de mercado. Se aumentarem os preços as vendas cairão e todos sairão perdendo, governo, empresários, classe operária e consumidores.

Na relação entre governo, consumidores e classes produtoras de bens e serviços, o conceito de equilíbrio de Nash exige que cada parte adote a melhor resposta em relação às demais, sem investigar a natureza da interação resultante – não há por que esperar que o resultado seja um ótimo de Pareto. Tudo irá depender da natureza da interação entre as partes.

Para que se possa sair da crise econômica as partes que compõem o todo da economia, governo, produtores e consumidores, devem agir como elementos constitutivos de um mesmo sistema. Uma parte não pode adotar decisões que prejudique as demais partes. O conjunto só quebrará a inércia da corda de caranguejos se todos caminharem numa mesma direção e sentido, para que todos saiam ganhando.

Adary Oliveira é presidente da Associação Comercial da Bahia – adary347@gmail.com

ARMANDO AVENA: BAHIA E A CONCENTRAÇÃO ECONOMICA E DEMOGRÁFICA
ARMANDO AVENA: BAHIA E A CONCENTRAÇÃO ECONOMICA E DEMOGRÁFICA

Apenas 35 municípios concentram 50,4% da população baiana, segundo as estimativa divulgadas pelo IBGE. A outra face dessa mesma estatística indica que metade dos munícipios estaduais abriga apenas 15% da população. Isso significa que existe uma Bahia que se adensa e toma escala demográfica e outra que míngua e, gradualmente, se torna um deserto de pessoas.  O dado é extremamente preocupante e mostra a necessidade de uma nova política urbana e econômica para o Estado. Essa deveria ser uma preocupação dos candidatos à governador do Estado, afinal, são fatores econômicos e sociais que estão determinando o crescente êxodo de baianos que saem de seus municípios em busca de oportunidades de emprego, renda educação e saúde em outros municípios.

A economia é, sem dúvida, o fator determinante, tanto do adensamento de determinadas áreas quanto do seu despovoamento. Os 35 maiores municípios respondem por quase 70% do PIB estadual, um nível de concentração econômica extremamente alto e que faz desses municípios um verdadeiro imã a atrair os jovens.  Mas a concentração econômica na Bahia é maior do que se imagina e apenas 10 municípios detém 51% do PIB e destes 5 estão na  Região Metropolitana de Salvador. Sozinha, a RMS é responsável por 40% da formação do PIB baiano, assim não é de estranhar que a população se mobilize para essa região e seu entorno.  Do outro lado, metade dos municípios baianos são responsáveis por menos de 4% a geração do PIB. Nesses municípios, não há qualquer atividade econômica significativa e a economia local tem como fonte de renda apenas o Bolsa Família e as aposentadorias do INSS. A maioria absoluta desses munícipios sofrem anualmente com a seca. Neste momento, por exemplo, 195 municípios baianos  estão em estado de emergência por conta do fenômeno climático. Na Bahia, entra governo e sai governo e nada de novo se faz em relação a questão da seca, embora a economia do semiárido  já seja rentável e sustentável quando o governo estabelece programas, viabiliza crédito e extensão rural.

Mas o problema econômico da Bahia se enrosca com a questão urbana. Como isso jamais foi viabilizado, a Bahia tornou-se um estado em que 1 em cada 5 pessoas – representando 23,4% da população ou cerca de 3,6 milhões de baianos –  vive nas duas maiores cidades estaduais: Salvador e Feira de Santana, as únicas com mais de 500 mil habitantes. Sem metrópoles médias no interior, não há como estabelecer uma rede integrada de cidades e articular a malha econômica local, e isso para não falar na infraestrutura.  Essas são apenas algumas das razões que explicam porque os jovens estão abandonando as pequenas cidades do interior baiano e porque a concentração econômica e demográfica está aumentando, mas, analisando melhor, a principal razão é uma só: o sertão nunca foi prioridade para os governos da Bahia.

ELEIÇÃO 2018: POR ENQUANTO, A POLARIZAÇÃO É OUTRA
ELEIÇÃO 2018: POR ENQUANTO, A POLARIZAÇÃO É OUTRA

Os políticos precisam cultuar a arte do autoengano, afinal necessitam acreditar nos seus candidatos, mesmo quando as pesquisas indicam que são poucas suas possibilidades de êxito. Entre os políticos do PT e do PSDB, o autoengano do momento tem o nome de horário eleitoral gratuito. O PSDB e seu candidato Geraldo Alckmin, por exemplo, apostam todas as suas fichas no programa eleitoral, mas nada está a indicar que o tempo de televisão alavancará um candidato cuja trajetória nas pesquisas não dá sinais de crescimento e que enfrenta dificuldades nos seus dois principais redutos eleitorais, o Sul e o Sudeste do país. No Nordeste, monopolizado pelo PT, não há televisão que alavanque o candidato do PSDB e no Sul, antigo reduto do partido, Bolsonaro lidera com 30% e Álvaro Dias sangrou os votos de Alckmin.

Não vamos esquecer que faltando um mês para a eleição de 2014 Aécio Neves já tinha 15% das intenções de votos, ao passo que Alckmin não consegue chegar aos dois dígitos.  Do lado do PT, a televisão também é fundamental para transformar Fernando Haddad em Lula, mas nada parece indicar que isso seja possível. Pesquisa Datafolha mostra que caso Lula não seja candidato, apenas 17% dos eleitores dele aceitam votar em Haddad. E na pesquisa Ibope a situação é pior: 60% dos eleitores dizem que não votará em Haddad de jeito nenhum se Lula for impedido de concorrer. Para completar, Haddad só é conhecido por 59% dos brasileiros, o que significa que o programa de televisão teria de fazer o milagre de fazê-lo conhecido e  transformá-lo em Lula em pouco mais de um mês.

Programa de televisão não tem poderes divinos, especialmente se o produto não empolga e tanto Alckmin quanto Haddad, sem o molho de Lula, tem gosto de chuchu no meio da salada. Enquanto isso, o famigerado Jair Bolsonaro crava 15% de intenções de votos em pesquisa espontânea, quando não se apresenta nomes ao eleitor, e está crescendo ao passo que Alckmin e Haddad patinam em 2% ou menos. É impressionante a incompetência dos dois maiores partidos brasileiros, já que, no momento em que o povo brasileiro anseia pelo novo, o PSDB aposta num político tradicional e sem carisma e o PT faz campanha no Brasil inteiro por um candidato que não vai disputar as eleições. Nesse cenário é cada vez mais provável que Jair Bolsonaro esteja presente no segundo turno, mas isso não significa que o Brasil terá de aturar suas ideias extravagantes e retrógadas, pois sua taxa de rejeição é superior a 37% e as pesquisas indicam que ele perderia as eleições, qualquer que fosse seu adversário. E aí surge a grande incógnita do processo eleitoral: consolidado Bolsonaro, quem irá enfrentá-lo no segundo turno? Pouco se pode dizer quanto a isso.

Embora superestimado, o programa eleitoral pode influenciar os eleitores, especialmente os indecisos, as redes sociais vão mostrar se tem força eleitoral , os debates podem ser decisivos  e 22% dos eleitores dizem que vão votar branco ou nulo. Tudo isso indica que a eleição está completamente indefinida. Mas no atual cenário, a anunciada polarização entre PT e PSDB está longe de acontecer, até aqui a polarização é outra e, segundo o Datafolha, está dada entre Bolsonaro com 22% das intenções de votos e Marina com 16%  que, vale segundo a pesquisa,  terá 10% dos votos dos eleitores de Lula se ele não for candidato.  Os analistas se apressarão em dizer que Marina e Bolsonaro tem menos de 10 segundos no horário eleitoral, mas o problema é que nesses tempos bicudos e com  uma população indignada ninguém garante que o eleitor dê crédito aquele chatíssimo programa que invade suas casas sem permissão. Muita água ainda vai rolar nas eleições de 2018, mas por enquanto a polarização é outra.

                                             O BRASIL PRÉ-CAPITALISTA

Quando o leitor entrar em uma loja em Nova York, Londres ou Xangai para comprar um produto, a única coisa que o vendedor vai querer saber é se ele tem dinheiro. No Brasil não, aqui todos querem saber seu nome, filiação, data de nascimento, etc, ou seja, todas as lojas brasileiras querem fazer o seu “cadastro”. O famigerado cadastro é uma forma de fugir da competição de mercado, de modo a que todas as lojas pratiquem preços semelhantes e se diferenciem nas promoções, incentivos, etc. Só no Brasil, remédio baixa de preço quando se tem cadastro e médico ganha brinde quando passa receita. Esses são  alguns exemplos para demonstrar que a burocracia não está apenas no governo e que a vontade de levar vantagem em tudo não está apenas nos políticos, mas também nos agentes econômicos. E o artigo seria pequeno para listar como os postos de gasolina preferem o cartel, ao invés da competição; como nos bancos os juros são sempre altos e não há competição; como as lojas continuam vendendo “sem juros”, quando todos sabem que isso é uma mentira e por aí vai. As artimanhas pré-capitalistas estão em toda à parte, especialmente nos mercados onde não existe competição externa. E assim fica difícil ser competitivo.

                                                     O DÓLAR E A ELEIÇÃO

O mercado quer estabilidade e em ano eleitoral ele reflete isso na cotação do dólar e da bolsa de valores. Por isso a moeda americana está em alta e no fechamento desta coluna girava em torno de 4,10 reais, e o dólar turismo em quase em 4,30. O problema é que, para o mercado,  Geraldo Alckmin representa a estabilidade e como o candidato do PSDB não está decolando, o dólar decola. Há também a preocupação no mercado quanto a possibilidade de um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, já que alguns analistas superestimam a capacidade de Lula transferir seus votos. Se essa previsão se confirmar, não será apenas o mercado que vai entrar em polvorosa, muito eleitor também vai ficar baratinado.

                                                 PESQUISA NA BAHIA

A pesquisa Ibope de intenções de voto sobre as eleições na Bahia não trouxe novidades na disputa pelo governo do Estado, e o governador Rui Costa lidera com  50% dos votos. Mas a disputa pelo Senado, especialmente a segunda vaga parece que vai ser com emoção. Chama atenção o fato de que os eleitores que ainda não sabem ou não responderam em quem vão votar nas duas vagas atinge 36%, percentual maior do que o do ex-governador Jaques Wagner, da ordem de 34%. Além disso, no que se refere à segunda vaga, 35% dos eleitores afirmam que vão votar branco ou nulo, contra 25% no caso da primeira vaga. E a diferença de intenção de votos entre os candidatos é grande.  O Irmão Lázaro do PSC registra mais que o triplo de intenções de votos do candidato do PSD, Ângelo Coronel,  que tem apenas 7% das intenções de voto, metade do escore de Jutahy Magalhães, do PSDB. Na Bahia, tradicionalmente, os candidatos eleitos para o Senado são da mesma coligação que elege o governador, mas com o pouco tempo que resta de campanha a coligação de Rui Costa vão precisar trabalhar dobrado para eleger Coronel.

ARMANDO AVENA: A INTERNET  À SERVIÇO DO CAPITALISMO
ARMANDO AVENA: A INTERNET  À SERVIÇO DO CAPITALISMO

 

A internet e as redes sociais estão à serviço do capitalismo. É simples assim. E não poderia ser de outra maneira, afinal, embora tenha sido criada como uma rede acadêmica de pesquisa, foi sob a égide do capitalismo que a internet se desenvolveu e hoje é usada por mais de 4 bilhões de pessoas. Estar à serviço do capitalismo não é um mal em si mesmo, pelo contrário, o próprio Karl Marx, no Manifesto do Partido Comunista, reconheceu a capacidade inovadora do sistema capitalista ao dizer que ele “realizou maravilhas que ultrapassam em muito as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas” e a internet é, sem dúvida, o maior avanço da humanidade no século XX. Mas ao usar esse maravilhoso instrumento é mister não esquecer que o capitalismo, como também afirma o velho Marx, estabele entre os homens o “frio interesse do dinheiro vivo”.

Há anjos e demônios na web e é preciso saber que muitos deles são movidos por dinheiro. Assim, ao acessar a rede e  encontrar uma menina meiga falando das vantagens deste ou daquele produto,  um especialista elogiando este ou aquele serviço, a resenha de um livro especial e otras cositas más,  o internauta pode ter certeza que provavelmente ali tem alguém ganhando dinheiro.  As editoras já gastam fortunas contratando blogueiros para resenhar livros, as empresas gastam outro tanto para youtubers filmarem tutoriais elogiando seus produtos e os políticos gastam fábulas contratando equipes que propagam notícias, muitas vezes falsas, e as espalham nas redes sociais.

Nada contra ganhar dinheiro com a internet, mas é preciso cuidado com as fake news e ter consciência de que algumas postagens ou comentários podem não ser uma cândida expressão de opinião, mas apenas “conteúdo patrocinado”.  Nesse sentido, o mais correto é cobrar pelo acesso ao conteúdo, como já vem fazendo os grandes jornais do país, ou deixar claro o caráter econômico da postagem na internet. Aliás, mesmo as acaloradas discussões políticas travadas no Facebook podem estar marcadas por um vício de origem, afinal, o ideal seria saber este ou aquele internauta que defende acaloradamente este ou aquele partido está fazendo isso por uma crença ideológica pura, ou porque detém um cargo em comissão no governo ou na cúpula do partido, pois, se assim for, ele estará apenas defendendo seu bolso.

Queríamos ou não a web e as redes sociais estão à serviço do capitalismo e o incauto internauta que demonstrar interesse em comprar um produto ou serviço no Google, no mesmo dia estará recebendo uma enxurrada de oferta deste ou daquele vendedor, pois só o fato de ter acessado a rede já permitiu aos algoritmos do Big Brother do século XXI identificá-lo, saber o que ele gosta, o que repudia, o que consome, o que gostaria de consumir. Quão longe estamos do tempo de Marx e dos economistas clássicos que defendiam o liberalismo supondo a existência de milhares de compradores e milhares de vendedores sem que nenhum deles soubesse exatamente o que o outro queria. A web mudou o mundo e hoje alguns gigantes com seus supercomputadores detém a informação exata, ou quase, sobre cada um de nós.

Dificilmente será possível deter o caráter capitalista da internet e ela reproduz a mesma forma monopólica ou oligopólica do capitalismo moderno, mas de maneira muito mais avassaladora, tão avassaladora que se torna improvável novas formas de organização social, mesmo estatizantes, nesse mundo virtual. Só resta então o estabelecimento de regras de convivência e proteção, como fazem as democracias modernas e desenvolvidas, e a capacidade do internauta de reconhecer em cada postagem ou informação quem é quem, o que quer e o que faz nas tortuosas searas da rede mundial de computadores.

                                                ELEIÇÕES: ALGUMAS QUESTÕES

Com o término do registro de candidaturas, tem início a disputa pela Presidência da República. O cenário atual é imprevisível, mas  é possível levantar alguns pontos.  O primeiro é o alto número de eleitores indecisos ou que dizem não votar em nenhum dos candidatos, que varia entre 30% e 33% do eleitorado. Esse contingente pode se pulverizar, mas pode também optar por uma candidato determinado e aí eleição fica imprevisível. Outro ponto diz respeito a Jair Bolsonaro que registrou na última pesquisa do Instituto Paraná 24% das intenções de voto.

Será difícil o candidato do PSL ampliar essa pontuação, já que terá tempo ínfimo na TV, mas, por outro lado, essa pontuação parece cristalizada e para cair será necessário desconstruir a figura do famigerado capitão do exército. Se mantiver essa pontuação, Bolsonaro provavelmente estará no segundo turno, mas aí perde em qualquer cenário, já que seu índice de rejeição supera os 50%. Com relação ao PT, no seu maior reduto, o Nordeste, ninguém conhece Fernando Haddad e quanto mais Lula demora em indicar oficialmente seu nome, mas as coisas ficam confusas para o eleitor. Semana que vem Haddad começa viagem pela região e vai ter de se apresentar como  “o candidato a vice do candidato que pode não ser candidato” ou como “o candidato de Lula se Lula não puder ser candidato”. O sertanejo vai estranhar.

                              TEMER, O CORTE DE VERBAS E O REITOR

Infelizmente, o futuro do país ainda vai estar na mão do governo Temer e deste Congresso Nacional. É que eles serão os responsáveis pela elaboração do orçamento de 2019 sob cuja égide estará submetido o próximo presidente da república. Os primeiros movimentos consubstanciados na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias já apontou para a redução de recursos em vários setores, mas felizmente a proposta que reduzia os recursos para a educação foi vetada e os recursos da pasta serão, pelo menos, corrigidos pela inflação.

Não se sabe, no entanto, se os recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, órgãos responsáveis pelo investimento em pesquisa no país, serão preservados. No inicio deste mês a Capes informou que  pode ficar sem dinheiro para pagar quase 200 mil bolsistas a partir de agosto de 2019 se forem mantidos os cortes previstos para seu orçamento. O reitor João Carlos Salles que, após ser eleito,  foi confirmado no cargo de reitor da UFBA através de decreto presidencial no último dia 14,  vem prestando um serviço ao país ao denunciar os cortes e a redução de recursos para as universidades públicas.

                                                               CONVITE

Quero convidar os leitores desta coluna – amigos, empresários, intelectuais, professores e a sociedade baiana – para o lançamento do meu livro “Maria Madalena: O Evangelho Segundo Maria”, que ocorre na próxima quarta-feira, das 17 até às 21:30 horas, na Livraria Cultura do Shopping Salvador. O livro, escrito na 1a pessoa por Maria e Maria Madalena, é a história de Jesus Cristo contada pelas mulheres e foi um dos mais vendidos na 2ª Feira Internacional do Livro – Flipelô.