

O livro A Modernidade Caiu na Rede, do escritor e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) economista Armando Avena, está causando polêmica entre os intelectuais, pois o autor afirma que a Inteligência Artificial pode destruir a autoria.
Avena afirma que há um risco elevado de não ser mais possível separar o que é criação humana do que é sugestão de um algoritmo. E lembra que no âmbito das artes a IA já faz tudo: escreve livros, pinta, lê partituras, faz música e muito mais. E está se aperfeiçoando, sendo capaz de copiar o estilo de qualquer escritor e de misturá-los.
A pergunta é se a autoria não está em risco, já que a IA escreve com base na obra de milhares de artistas. E, por isso, talvez possa ser mais original.
O livro traz outras afirmações surpreendentes. Segundo ele, a humanidade não percebeu que a Inteligência Artificial nada mais é do que o conhecimento da humanidade acumulado por séculos e que foi apropriado por umas poucas empresas, as big techs. E que Karl Marx, o famoso filósofo comunista chegou a prever sua existência.
Marx a chamou de general intellect, ou seja, o conhecimento social geral, o saber e a história coletiva da humanidade.
Avena destaca também a ascensão de uma nova burguesia, que ele chama de burguesia digital, que foi capaz de transformar a vida das pessoas em mercadoria.
“É o último estágio do capitalismo. Pagamos para ouvir música, para ver filmes, para armazenar nossas próprias fotos, para guardar nossos arquivos, para ter notícias, para encontrar parceiros, para trair nossos parceiros, para editar imagens, para não ouvir anúncios, tudo mediado pelas big techs. A sensação é que estamos num mundo narcisista, cujo mediador é o algoritmo e o objetivo final é business”, afirma ele. O livro já está à venda na Amazon.