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PROGRAMA INDÚSTRIA VERDE FORTALECE CADEIAS PRODUTIVAS SUSTENTÁVEIS E IMPULSIONA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NA BAHIA

João - 20/05/2026 10:59

A Bahia avança na consolidação de uma nova economia industrial baseada em sustentabilidade, inovação e baixo carbono. Com foco em bioeconomia, descarbonização e transição energética, o Programa Indústria Verde, coordenado pelo Sistema FIEB, vai apoiar o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, uma nova vertente de crescimento para o estado.

Atualmente, a Bahia concentra R$ 78 bilhões em investimentos verdes previstos, o equivalente a 59% do total de investimentos industriais mapeados no estado. Os projetos estão concentrados, principalmente, em energias renováveis — eólica e solar — biocombustíveis e veículos elétricos.

“O programa vai atuar, de forma integrada, no desenvolvimento de cadeias produtivas descarbonizadas e da bioeconomia, mobilizando todas as entidades do Sistema FIEB em torno de uma agenda comum voltada ao desenvolvimento industrial sustentável”, afirma o superintendente da FIEB, Vladson Menezes.

A iniciativa contempla ações de adensamento de cadeias produtivas, capacitação da força de trabalho, atração de investimentos, desenvolvimento tecnológico e articulação regional entre municípios, empresas âncoras, governo e instituições parceiras.

Para apoiar essa transformação industrial, as entidades do Sistema FIEB vão atuar de forma coordenada em diferentes frentes: FIEB oferece assessoria ambiental, financeira e internacional, além de articulação institucional e defesa de interesses junto ao poder público. Já o SENAI está preparado para oferecer formação técnica e profissional voltada às novas demandas da indústria verde. O SENAI Cimatec irá desenvolver soluções tecnológicas, automação industrial e projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. E o SESI entrará com serviços de saúde e segurança do trabalho, enquanto o IEL atua na qualificação e certificação de fornecedores locais.

Cooperação técnica fortalece agenda sustentável

Durante o Fórum de Grandes Indústrias, realizado no INDEX, a FIEB, no dia 6 de maio, Braskem, Casa dos Ventos e Acelen assinaram um acordo de cooperação técnica para fortalecer iniciativas voltadas à bioeconomia, às cadeias produtivas sustentáveis e à descarbonização da indústria baiana, no âmbito do Programa Indústria Verde.

O acordo foi assinado pelo presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos; pelo superintendente da FIEB, Vladson Menezes; pelo presidente da CDV Desenvolvimento, Clécio Eloy; pelo diretor de Relações Institucionais da Acelen, Bernardo Araújo; e pelo diretor Industrial da Braskem, Carlos de Freitas Alfano Neto.

Segundo Carlos Henrique Passos, o programa representa uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento industrial da Bahia.“É uma iniciativa estratégica para o futuro da indústria do nosso estado, voltada especificamente para o fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis, a descarbonização e também a promoção da bioeconomia”, afirmou.

Para o diretor Industrial da Braskem, Carlos Alfano, a iniciativa conecta desenvolvimento econômico e sustentabilidade, fortalecendo a competitividade da indústria baiana diante das novas demandas globais.

“Trata-se de uma iniciativa estratégica que conecta desenvolvimento econômico à sustentabilidade, algo que hoje não é mais uma escolha, mas uma necessidade para a competitividade no cenário global. Vejo esse movimento como um passo concreto na direção de uma indústria mais moderna, eficiente e alinhada às demandas ambientais, permitindo que a transição energética e a descarbonização ocorram de forma consistente e inclusiva”, afirmou.

Já Clécio Eloy, da Casa dos Ventos, destacou que a transição energética representa uma oportunidade de transformação econômica baseada em inovação, recursos renováveis e descarbonização industrial. “Este compromisso vai além da geração de energia limpa; trata-se de arquitetar soluções de inovação que garantam competitividade global à indústria baiana, provando que o desenvolvimento sustentável é o único caminho possível para um futuro próspero, resiliente e de baixo carbono.”

Bernardo Araújo, diretor de Relações Institucional da Acelen, ressaltou que a cooperação entre indústria e instituições será fundamental para acelerar a transição energética de forma consistente e inclusiva. “Essa é uma pauta ambiental e necessária para promover o desenvolvimento econômico e impactar positivamente a sociedade baiana. Acreditamos que a cooperação entre indústria e instituições é essencial para acelerar essa transformação de forma consistente e inclusiva”, declarou Bernardo Araújo.

Além da Acelen, o Programa Indústria Verde reúne outras iniciativas consideradas estratégicas para a economia de baixo carbono da Bahia. A Impasa, por exemplo, prevê investimentos de R$ 2 bilhões na produção de etanol a partir de milho e sorgo; a BYD é o maior player de mercado no fortalecimento da cadeia de veículos elétricos e híbridos; e a Oleoplan atua na produção de biodiesel à base de óleo de soja. O levantamento aponta ainda uma forte tendência de interiorização da economia, já que 83% dos investimentos estão localizados fora da capital.

“Visualizamos que outro eixo prioritário do programa poderá ser o desenvolvimento da cadeia do plástico verde. A Bahia possui condições estratégicas para estruturar uma cadeia sustentável completa, desde a mineração de insumos até a produção de materiais de baixo carbono e alto valor agregado”, explica Danilo Peres, economista do Observatório da Indústria da Bahia da FIEB.

O projeto da Acelen: biocombustíveis a partir da macaúba

Entre os principais projetos estratégicos vinculados à agenda de transição energética está a atuação da Acelen Renováveis, que desenvolve um dos maiores projetos de combustíveis renováveis do país. A empresa prevê investimentos de aproximadamente US$ 3 bilhões para estruturar uma cadeia integrada de produção de SAF (combustível sustentável de aviação) e diesel renovável a partir da macaúba.

O cultivo da macaúba será realizado em 180 mil hectares de pastagens degradadas na Bahia e em Minas Gerais, com potencial de capturar cerca de 60 milhões de toneladas de CO₂ e gerar 80% menos emissões em comparação aos combustíveis fósseis. Além disso, 20% das áreas cultivadas serão conduzidas em parceria com agricultores familiares e pequenos produtores, promovendo inclusão produtiva e desenvolvimento regional.

A meta da Acelen Renováveis é alcançar capacidade de produção de 1 bilhão de litros por ano de combustíveis renováveis, com início das operações previsto para 2029.

Crédito: KW Stúdio/Felipe Castellari/Acelen Renováveis.

Foto: Divulgação Acelen Renováveis.

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