

A cidade de Salvador ganha um novo marco na arte pública e convida moradores e visitantes a vivenciarem o Pilares da Cidade, um amplo circuito de arte urbana instalado ao longo do corredor do Metrô Bonocô. Com mais de 2 km de extensão e mais de 3.000 m² de pinturas, o projeto se consolida como uma das maiores iniciativas de arte urbana do Brasil.
Realizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, com curadoria artística e execução da Trevo Produções, o projeto transforma pilares urbanos em grandes telas verticais, criando um percurso artístico acessível, democrático e integrado ao cotidiano da cidade.
Mais do que intervenções visuais, os murais se afirmam como dispositivos de memória, identidade e reflexão sobre Salvador. Cada obra foi concebida a partir de investigações poéticas e simbólicas que dialogam com temas como ancestralidade, resistência, cotidiano, espiritualidade e pertencimento — eixos fundamentais para compreender a complexidade cultural soteropolitana.
Integram o projeto os artistas como Isabela Seifarth, Nila Carneiro, Jess Vieira, TarcioV, Éder Muniz, Cabuloso, Julia Zogbi, One Kbça, Alaído, Raiana Brito, Faraó, Thiago Tupinambá, Isa Muriá, Nativa, Ludimila Lima, Denissena, Samuca Santos e Rask, com curadoria da jornalista e produtora cultural Vanessa Vieira, da Trevo Produções e Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre. A diversidade do grupo reforça o compromisso do projeto com a pluralidade de vozes e estéticas, transformando cada pilar em um marco cultural vivo, conectado ao território onde está inserido.
O artista Éder Muniz apresenta Portal do Retorno, uma obra que propõe uma travessia simbólica entre passado e presente. Inspirado na diáspora africana, o mural ressignifica o histórico “Portal do Não Retorno” ao criar um espaço de reconexão com as ancestralidades africanas e indígenas. A composição reúne símbolos, grafismos e figuras que evocam espiritualidade, música e resistência, transformando o pilar em um marco de memória e dignidade.
Já TarcioV, com a obra Cidade que Canta: Ritmo, Cotidiano e Memória nos Pilares Urbanos, traduz visualmente a pulsação da cidade. A partir de personagens como o percussionista e a mulher com criança, o artista articula elementos do som, do cuidado e da vivência cotidiana, evidenciando a musicalidade e a força das relações humanas como estruturas fundamentais da identidade local.
A artista Nativa, em Bonocô, o que corre por baixo do asfalto, investiga a ancestralidade como base invisível que sustenta a cidade. Sua obra traz o caboclo como entidade simbólica de conexão entre natureza, espiritualidade e território, destacando saberes tradicionais que resistem à urbanização e permanecem essenciais para o equilíbrio coletivo.
Outros trabalhos reforçam essa pluralidade de narrativas. Nila Carneiro, com Alegria e Alimento, transforma os pilares em guardiões do futuro ao representar os Ibejis — símbolo da infância, da esperança e da continuidade da vida. Já Raiana Britto, em IGUNNUKÔ VIVE, celebra práticas de cuidado e identidade da cultura negra, conectando o presente às tradições ancestrais por meio de rituais cotidianos e símbolos como o Sankofa.
A presença indígena também se afirma no projeto com a obra Salvador é Terra Indígena, de Thiago Tupinambá e Isa Muriá, que reivindica a memória e a permanência dos povos originários na construção da cidade.
Outros artistas ampliam o repertório simbólico do circuito:
Ao ocupar um dos principais corredores urbanos de Salvador, o projeto transforma áreas de passagem em espaços de contemplação, convivência e lazer. Os pilares deixam de ser apenas estruturas de concreto e passam a sustentar histórias, afetos e identidades.
Com essa diversidade de linguagens e abordagens, Pilares da Cidade reafirma o papel da arte pública como ferramenta de transformação social, democratização cultural e valorização da memória coletiva, consolidando Salvador como um território vivo de criação e resistência.



