

A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do país e a disparada dos preços do petróleo, em decorrência da guerra no Oriente Médio, fez o preço das commodities registrar em abril a maior alta mensal em mais de dois anos na bolsa de Nova York.
Os contratos do algodão encerraram abril em alta de 13,3% em Nova York, com um valor médio de 77,39 centavos de dólar por libra-peso. Com oferta estável e demanda debilitada no mercado internacional, uma variação tão expressiva não era registrada na bolsa desde fevereiro de 2024.
Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, o petróleo já subiu mais de 58%. E o algodão se valoriza pois o mercado entende que a alta do fóssil aumentará o custo dos tecidos sintéticos, produzidos com derivados do petróleo. Com isso, a demanda do setor têxtil tende a migrar para fibras naturais – como o algodão. Hoje, o poliéster, feito a partir do petróleo, representa mais da metade da produção global de fibras para tecidos, segundo a organização Textile Exchange.
O petróleo, quando sobe muito, cria um ambiente de concorrência que permite o aumento de preços em toda a cadeia do algodão.
Receios quanto à oferta de algodão devido ao clima adverso nos EUA também contribuíram para a alta, pois os americanos enfrentam a pior seca da história nas lavouras de algodão. O plantio chegou a 15% do esperado, mas 98% das áreas enfrentam algum nível de seca.
Os preços da soja também estão registrando valorização na Bolsa de Chicago. E nesta segunda-feira, superou o patamar simbólico de US$ 12 por bushel nos contratos mais relevantes.
O avanço do preço da soja está diretamente ligado à valorização superior a 4% do petróleo, tanto no WTI quanto no Brent, verificado nesta segunda-feira (04) (VE).