

No final dos anos 80, estive na Região Oeste da Bahia e fiquei impressionado com a movimentação de caminhões em um posto de gasolina chamado Mimoso do Oeste, que ficava a cerca de 90 km da cidade de Barreiras. Na época, o povoado do mesmo nome foi elevado à categoria de distrito de Barreiras e, em 2000, foi emancipado, tornando-se o município de Mimoso do Oeste, mais tarde rebatizado com o nome de Luís Eduardo Magalhães.
Desde então, o crescimento da região foi exponencial. E o símbolo desse crescimento é a 20ª edição da Bahia Farm Show, que será realizada em Luís Eduardo Magalhães, entre 9 e 14 de junho, e se constitui na mais importante feira do agronegócio do Norte e Nordeste e uma das maiores feiras do Brasil. Em três décadas, uma área historicamente periférica, chamada de Além São Francisco, transformou-se em uma das mais dinâmicas fronteiras agrícolas do país. E, de tal modo, que apenas 20 anos após sua primeira edição, a Bahia Farm Show, lançada nesta segunda-feira (27), tornou-se um símbolo da pujança do agronegócio na Bahia.
A Região Oeste gera cerca de 35% das exportações baianas, representa mais de 25% do PIB do agronegócio do estado e é responsável por mais de 35% do valor da produção do polo do Matopiba, a nova fronteira agrícola do Brasil, composta pelos cerrados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Além disso, a Região Oeste responde por algo entre 60% e 70% das exportações do agronegócio baiano.
E mais: entre os 100 maiores municípios agrícolas do país, em termos de valor da produção, oito estão na Bahia e sete são da Região Oeste. São eles: São Desidério, o 2º maior PIB agrícola do Brasil; Formosa do Rio Preto, Barreiras, Correntina, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves e Jaborandi. O município de Juazeiro, único fora da região, completa o ranking.
A Bahia é o 2º maior produtor de algodão do país e está em sexto lugar na produção de soja. No Oeste, porém, a diversificação é o foco, com grandes áreas plantadas de milho, feijão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca, fruticultura irrigada e outros produtos.
A Bahia Farm Show é um símbolo da pujança do Oeste baiano. É também um símbolo da importância do planejamento, pois foram o planejamento estatal e os investimentos em infraestrutura, o avanço tecnológico da produção no Cerrado, viabilizado pela Embrapa, e a migração de agricultores do Sul do país que transformaram, em poucas décadas, o distante Além São Francisco em uma das mais dinâmicas fronteiras agrícolas do país, com impacto direto sobre a balança comercial, o crescimento regional e a estrutura produtiva do estado.
É a força econômica da Região Oeste que explica a importância da Bahia Farm Show. Organizada por uma associação privada, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a feira traz o que há de mais moderno em inovação, tecnologia e conhecimento. São dezenas de empresas nacionais e internacionais que apresentam máquinas, equipamentos, insumos e soluções tecnológicas voltadas para o aumento da produtividade agrícola. A movimentação financeira cresce a cada ano, com a geração de grandes oportunidades de negócios.
A Bahia Farm Show é um símbolo da Região Oeste, o coração do agronegócio da Bahia, além de ser líder na produção do Matopiba, que representa a expansão do agronegócio para o cerrado nordestino.
A BAMIN, A FIOL E A PONTE
A multinacional portuguesa Mota-Engil avançou no termo de compra da Bamin, atual controladora e responsável pela construção do trecho ferroviário da Fiol, que liga Ilhéus a Caetité. A Mota-Engil tem como principal acionista a estatal China Communications Construction Company, uma das empresas que formam o consórcio responsável pela construção da Ponte Salvador-Itaparica. Segundo o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Marcus Cavalcanti, a fase de due diligence, espécie de auditoria que precede a compra, está em vias de ser finalizada e a compra da Bamin deve ser fechada em maio. Depois é trabalhar junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para retomar a obra.
GALÍPOLO E OS JUROS
Escrevo está nota antes da decisão do comitê do Banco Central sobre a taxa de juros. E afirmo que a decisão tomada será um corte de 0,25%, reduzindo a taxa Selic para 14,5%. E será mais um erro do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, pois, frente a guerra do Oriente Médio e o repique da inflação no Brasil, os juros deveriam ter sido mantidos. Será a constatação do erro de Galípolo, que já deveria ter reduzido os juros desde setembro do ano passado, mas, para satisfazer o mercado, manteve a taxa nas alturas, submetendo o país a um sacrifício desnecessário. Se tivesse reduzido as taxas antes, estaria confortável para aumentá-la agora. Sabedoria demais sempre dá erro.