

O pagamento antecipado de precatórios, dívidas da União com sentenças judiciais definitivas, pressionou as contas públicas e levou o governo central a registrar um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).
O resultado é o pior já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
O déficit representa uma forte deterioração frente a março do ano passado, quando houve superávit de R$ 1,527 bilhão. De acordo com o Tesouro, a principal explicação está na mudança do calendário de pagamento dos precatórios, que em 2026 se concentraram em março. Em 2025, a maior parte dessas despesas foi paga em julho.
O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, desconsiderando os juros da dívida pública.
Despesas
As despesas totais dispararam no período, impulsionadas principalmente pelos gastos com decisões judiciais e seus efeitos indiretos sobre outras rubricas do orçamento.
Principais números de março:
Déficit primário: R$ 73,783 bilhões;
Despesas totais: R$ 269,881 bilhões (49,2% acima da inflação em relação a março do ano passado);
Receita líquida: R$ 196,1 bilhões (7,5% acima da inflação).
Maiores aumentos de gastos:
Sentenças judiciais e precatórios (custeio e investimento): R$ 34,903 bilhões
Benefícios previdenciários: R$ 28,615 bilhões, dos quais R$ 23,982 bilhões em precatórios;
Pessoal e encargos sociais: R$ 11,258 bilhões, dos quais R$ 8,786 em precatórios.
Segundo o Tesouro, os precatórios também influenciaram o aumento de gastos com Previdência e folha de pagamento, já que parte dessas despesas está vinculada a decisões judiciais.
Apesar da piora no resultado fiscal, a arrecadação apresentou crescimento, impulsionada pelo desempenho da economia e por medidas tributárias recentes.
Entre os destaques:
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): R$ 2,8 bilhões em relação a março do ano passado;
Imposto de Importação: R$ 2,3 bilhões;
Imposto de Renda: R$ 2,3 bilhões;
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): R$ 1,4 bilhão;
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins): R$ 1,5 bilhão.
Ainda assim, o avanço das receitas foi insuficiente para compensar o salto das despesas.
foto: Joédson Alves/Agência Brasil