

As tratativas para o aporte de até US$ 300 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão, do Banco Mundial (Bird) ao Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), avançaram nesta quarta-feira (22), com a visita de uma missão técnica à Autarquia. Os recursos fazem parte de um pacote mais amplo discutido com o BID, que pode alcançar US$ 500 milhões para as superintendências regionais de desenvolvimento. A expectativa é de que as primeiras liberações possam ocorrer ainda neste ano.
“Estamos construindo uma parceria sólida com o Banco Mundial que amplia significativamente a capacidade de investimento da Sudene, através do FDNE, e abre caminho para projetos transformadores, com impacto direto na geração de empregos e no desenvolvimento sustentável do Nordeste”, afirmou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre.
Durante a agenda, técnicos da Sudene apresentaram o portfólio de projetos prioritários, com foco em áreas estratégicas como infraestrutura, especialmente na área de saneamento, transição energética, bioeconomia, conservação ambiental. A iniciativa busca atrair investimentos capazes de gerar emprego, renda e melhorar a competitividade do Nordeste.
De acordo com o diretor de Gestão de Fundos e Incentivos da Sudene, Wandemberg Almeida, a captação de recursos para o FDNE junto ao Banco Mundial ajuda a fortalecer o fundo. “Nós estamos vivendo um momento importante para a nossa Região, com muitas demandas do setor produtivo. Só na Chamada Nordeste foram aprovados 189 projetos com demanda de R$ 113 bilhões em investimentos”, exemplificou.
A visita também teve como objetivo alinhar aspectos técnicos e operacionais para a negociação da alavancagem do recurso. O cronograma prevê a consolidação das propostas e definição do escopo final da cooperação internacional.
O FDNE é um dos principais instrumentos de financiamento da Sudene e tem sido responsável por viabilizar grandes empreendimentos na Região, a exemplo da Ferrovia Transnordestina e do polo automotivo em Goiana (PE). Com o novo aporte, a expectativa é ampliar o alcance do fundo e diversificar ainda mais os setores beneficiados.
Além do Banco Mundial, a Sudene mantém negociações com outras instituições multilaterais, como o New Development Bank (NDB) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), em uma estratégia integrada para fortalecer a base financeira dos fundos regionais.
A entrada de recursos externos será operacionalizada pelo Tesouro Nacional, com posterior descentralização para o FDNE, garantindo maior capacidade de investimento e execução de projetos estruturantes no Nordeste. Para a captação desses recursos, é necessária também a autorização do Senado.
Foto: Elvis Aleluia/ Sudene