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BURNOUT SILENCIOSO: SINAIS NO CÉREBRO INDICAM QUANDO O CORPO JÁ PASSOU DO LIMITE

João Paulo - 13/04/2026 14:40

O avanço do burnout tem acendido um alerta entre especialistas em saúde mental, especialmente por conta de sua manifestação silenciosa e progressiva. Cada vez mais pessoas relatam sintomas como cansaço constante, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento físico e emocional, sem reconhecer que já estão em um quadro de adoecimento.

Segundo a psicanalista Ana Chaves, um dos principais desafios é justamente identificar os sinais precoces. “O burnout não surge de um dia para o outro. Ele vai se instalando de forma silenciosa, e o corpo começa a dar sinais antes mesmo de a pessoa perceber. Alterações no sono, irritabilidade, dificuldade de foco e sensação constante de sobrecarga são alguns dos primeiros alertas”, explica.

Diferente do estresse pontual, o burnout se desenvolve ao longo do tempo, muitas vezes mascarado pela rotina intensa e pela naturalização do excesso de demandas. No cérebro, esse processo pode afetar funções cognitivas importantes, prejudicando a memória, a atenção e a tomada de decisões, além de impactar diretamente o equilíbrio emocional.

Entre as principais causas estão a sobrecarga de trabalho, a pressão por resultados, a falta de pausas e a dificuldade em estabelecer limites. Ambientes profissionais tóxicos e a hiperconectividade também contribuem para o agravamento do quadro, mantendo o indivíduo em estado contínuo de alerta.

Os impactos vão além do emocional. O burnout pode desencadear sintomas físicos como dores de cabeça frequentes, tensão muscular, alterações no apetite e queda da imunidade. “Quando o corpo ultrapassa o limite, ele cobra. Ignorar esses sinais pode levar a quadros mais graves de ansiedade e depressão”, alerta Ana.

Além do contexto adulto e profissional, estudos recentes também chamam atenção para o chamado burnout infantil ou burnout escolar, um fenômeno que tem crescido de forma preocupante. De acordo com Ana Chaves, esse quadro não surge de forma isolada, mas como resultado de múltiplos fatores. “As pesquisas científicas mais recentes indicam que o burnout infantil não surge de uma única causa, mas de uma combinação de fatores de estresse crônico ligados ao ambiente escolar, social e familiar”, afirma.

Entre os principais gatilhos estão a pressão acadêmica intensa, o excesso de atividades extracurriculares e a falta de tempo para descanso e lazer. “Crianças com agendas muito cheias acabam perdendo elementos essenciais para a regulação emocional, como o brincar e o tempo livre”, pontua. Outros fatores relevantes incluem ambientes escolares competitivos, episódios de bullying e expectativas familiares elevadas. “Essas condições ampliam a sensação de inadequação e podem levar a quadros de ansiedade, depressão e dificuldades emocionais”, destaca.

O tratamento do burnout, tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes, exige uma abordagem ampla. A psicoterapia é uma das principais ferramentas, especialmente quando há sintomas persistentes de exaustão emocional, ansiedade e desmotivação. “Abordagens como a terapia cognitivo-comportamental ajudam a desenvolver estratégias de enfrentamento do estresse, além de trabalhar questões como perfeccionismo e autocrítica”, explica Ana.

Além do acompanhamento psicológico, mudanças no estilo de vida são fundamentais para a recuperação, como a prática regular de atividade física, a melhoria da qualidade do sono e a construção de uma rede de apoio.

Foto: Freepik

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