

O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) fez críticas ao que chamou de “sistema” durante a cerimônia que concedeu a Comenda Dois de Julho, postumamente, ao empresário Clériston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. O evento foi realizado na tarde desta quinta-feira (9), na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), em Salvador.
Ao discursar, o parlamentar afirmou que a homenagem também representa um posicionamento diante do que classificou como “injustiças”. “É com grande satisfação que realizamos este evento na Assembleia Legislativa. A Comenda Dois de Julho representa a mais alta honraria concedida por esta Casa Legislativa, seja em vida ou postumamente. No caso de Clezão, homenageado postumamente, expressamos o profundo desejo de que ele estivesse presente, vivo, para receber esta justa homenagem. Um homem que foi, infelizmente, vítima de um sistema cruel, que desrespeitou seus direitos e garantias fundamentais. Ele teria todas as condições de responder em liberdade, caso tivesse cometido atos criminosos, o que não foi o caso. As próprias evidências apresentadas demonstram a ausência de crime, nem mesmo tentativa”, afirmou.
Alden também fez críticas diretas ao cenário político e institucional. “Clezão é um símbolo de resistência e luta, e sua memória não pode ser esquecida. Serve como um alerta, pois a injustiça de hoje pode vitimar qualquer um de nós amanhã. Observamos, atualmente, parlamentares sendo suspensos de seus mandatos, cassados, presos e cerceados em seus direitos de opinião, expressão e crítica, inclusive nas redes sociais. São perseguidos por um sistema que impõe suas regras”, declarou.
O deputado disse ainda que o evento também serve como cobrança por posicionamentos das autoridades. “Este evento é uma oportunidade para relembrar sua luta e a história de tantos outros que ainda sofrem condenações, além de cobrar das autoridades um posicionamento firme. Celebramos hoje aqueles que entregaram suas vidas em busca da liberdade. O mínimo que podemos fazer é honrar a memória dessas pessoas, não apenas de Clezão, mas também de outros que nos precederam”, contou.
Alden associou o momento ao contexto histórico da Bahia. “Recordamos o Dois de Julho, data histórica em que, de fato, se consolidou a Independência do Brasil. Baianos que, com coragem, lutaram por nossa liberdade. E hoje, vemos uma Bahia omissa a um sistema que busca a opressão. Não podemos aceitar isso. Temos o espírito e o sangue de baianos, guerreiros, avessos à covardia. A imagem de Clezão simboliza o ideal de justiça e liberdade”, completou.



