

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, comentou nesta segunda-feira (6) sobre as críticas que a instituição recebe ao intervir na economia, seja elevando ou reduzindo juros, durante seminário do Instituto de Economia da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro.
Brincando sobre a pressão enfrentada pelos banqueiros centrais, Galípolo citou o economista norte-americano Alan Blinder e disse que, independentemente da decisão subir ou cortar juros, a autoridade monetária sempre recebe críticas. “Se a economia está mais aquecida, é porque fez menos do que devia. Se a economia está caindo mais, é porque começou tarde a cortar [os juros]. Você vai apanhar dos dois lados de maneira equânime”, afirmou.
Ele destacou que, apesar das críticas, considera positivo o monitoramento constante da sociedade sobre a inflação. No entanto, apontou que houve uma perda da correlação entre o patamar da inflação e a percepção da população, devido à baixa recuperação de renda pós-pandemia de COVID-19.
Galípolo também mencionou o impacto de choques de oferta, como a guerra na Ucrânia, e explicou que os bancos centrais enfrentam pressão para intervir na economia, evitando ignorar temporariamente a inflação o chamado “look through”, sob risco de perda de credibilidade e aumento das expectativas inflacionárias.
Sobre a Selic, o presidente do BC reforçou que manterá a cautela adotada no recente corte da taxa, de 15% para 14,75%, ressaltando que futuras alterações dependerão dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação.
Foto: Diogo Zacarias/MF



